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19/10/07 – Rio: Milícia expulsa tráfico da Favela da Metral.

Em 19 de outubro de 2007 às 8:16 | por Bruno Engert Rizzo | 1.029 leitura(s)
Brasil, Crime organizado, Desgoverno, Opinião, Politicas Públicas, Política

Noventa homens integrantes de uma milícia que teria PMs, guardas penitenciários e bombeiros tomaram e ocuparam a Favela da Metral em Vila Kenedy – RJ.

A facção do tráfico que vinha resistindo há praticamente um ano perdeu a guerra e foi expulsa.

Quem imagina que as milícias são à redenção, está iludido. Como as facções ligadas ao tráfico de drogas, as milícias têm legislativo, executivo e judiciário próprios e sua existência é assegurada pela extorsão de moradores e domínio de alguns segmentos do comércio com gás e venda de sinal pirata de TV.

Se hoje ainda não exploram tráfico, contrabando e contrafacção, isso é apenas uma questão de tempo. As milícias representam um passo muito perigoso na escalada da profissionalização do crime organizado, pois são comandadas e guarnecidas por pessoal mais instruído e treinado que aquele que integra as fileiras das facções criminosas.

Além disso, existem agravantes que é a capacidade de estruturar um aparelho de inteligência e a utilização de informação privilegiada obtida por rede de relacionamento pessoal dos integrantes das milícias com companheiros de farda.

O Estado tem se mostrado extremamente inerte, negligente e tolerante. Quando acordar será tarde.

As milícias contam essencialmente com profissionais treinados em combate, com conhecimento da estrutura da organização militar e capacidade de explorar taticamente armas e terreno.

Logo se tornarão estruturas mais fortes que as facções essencialmente comandadas e guarnecidas por pessoal despreparado e ignorante. As armas atualmente em mãos de traficantes serão tomadas por milicianos que saberão explorar melhor seu potencial ofensivo e defensivo.

Além disso, pelo fato da origem do pessoal que integra as milícias remontar a instituições como polícia, bombeiros e guarda penitenciária, corremos um elevado risco de uma unificação de comando, com o Rio dividido em feudos ou áreas de influência.

As autoridades têm agido como se as milícias fossem mais toleráveis que as facções criminosas ligadas ao tráfico. É um equivoco, pois as milícias são uma grave ameaça, que só virão a corromper mais as instituições, criando uma organização com elevado potencial de combate e exploração de ilícitos.

Em breve veremos criminosos, financiados por milícias, infiltrados na estrutura política e administrativa do país.

Estamos a um passo de ingressar num caminho de difícil retorno.

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