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16/11/07 – OPEP ignora mercado e estimula a alta do petróleo.

Em 16 de novembro de 2007 às 7:51 | por Bruno Engert Rizzo | 278 leitura(s)
Brasil, Economia, Energia, Futuro, Internacional, Meio Ambiente, Opinião, Política

O preço do petróleo vem batendo sucessivos recordes históricos.

Daqui pra frente precisamos nos acostumar a idéia. Mesmo sofrendo pequenas oscilações, a grande tendência do preço do petróleo é de uma alta contínua. A razão é simples. Estamos diante de um recurso fundamental para a civilização humana, porém limitado e cada vez mais escasso.

Atualmente os especialistas discutem se o pico de produção mundial do petróleo já foi atingido ou se acontecerá até 2010. Os otimistas acreditam que será um pouco mais tarde.

Teoricamente atingir o pico, representa o início da curva de declínio da produção de petróleo.

Num poço, uma vez atingido esse pico, a produção entra no ramo decadente e a vazão de extração de petróleo vai decaindo até que o poço seja exaurido.

Entretanto, é possível manter a vazão de pico através da pressurização do poço. Nesse caso, a vazão de pico se mantém por um período maior e a decadência da produção se dá de forma abrupta.

Atualmente, em termos globais, para atender a demanda, muitos dos maiores poços do mundo já estão sendo pressurizados. Ou seja, já passaram do pico de produção.

Além do petróleo convencional, existem outros hidrocarbonetos cuja extração e refino atualmente são mais caros. Num futuro próximo dependendo da cotação do petróleo convencional, será interessante explorar o petróleo pesado e o xisto betuminoso.

Contudo, talvez tenhamos petróleo para mais 40 anos e gás para 60 anos, mesmo considerando as reservas a descobrir.

O único hidrocarboneto mais abundante é o carvão mineral. Entretanto este é altamente poluente e demandaria a construção de uma logística em dimensão global, pois transportar óleo e gás é viável e relativamente barato em dutos. Já o carvão demandaria outros meios ou construção de refinarias próximas às jazidas para destilação do carvão e produção de derivados transportáveis por dutos.

Seja como for, em termos de humanidade, 40 ou 60 anos é um horizonte muito próximo e alarmante para uma civilização que foi construída e é movida a hidrocarbonetos.

Atualmente, já vivemos uma escassez com desequilíbrio entre oferta e demanda.

Existem dúvidas quanto à origem desse desequilíbrio que pode estar ligado a diversos fatores.

Os mais prováveis são:

  • incapacidade técnica de aumentar a produção;
  • declínio da capacidade produtiva de grandes poços;
  • forçar uma alta do preço;
  • evitar o colapso do dólar americano.

Não importa na prática qual a origem do problema. O fato é que estamos diante de um recurso escasso, sem o qual a civilização humana praticamente retroage 100 anos, se não existir um substituto.

Estamos longe de poder substituir o petróleo e o gás. Tecnologias e combustíveis alternativos existem, mas as quantidades disponíveis são pífias em relação à demanda ou o custo é inviável.
Diante do quadro que já se delineou, o Brasil deveria estar investindo maciçamente em pesquisa para viabilizar novas fontes de energia que progressivamente substituam o petróleo e do gás. O cronograma já está estourado, pois esse programa já deveria ter sido implantado.

Se tal não for feito, é certo que enfrentaremos graves problemas, mesmo com a descoberta de poços como esse recentemente descoberto e em fase de avaliação.

Ainda que sejamos auto-suficientes, o que não se dará por muito tempo, o preço do petróleo e do gás tornarão esses recursos extremamente onerosos para o consumidor, praticamente inviabilizando a manutenção da qualidade de vida atingida nas últimas décadas. Além do precó que tende a crescer, vivemos uma crise ambiental de ambito global, que tem estreita relação com a queima de hidro-carbonetos.

Urge que se faça um esforço global para substituir o petróleo e o gás por fontes renováveis, não poluentes e emonso impactantes no efeito estufa.

A inércia das autoridades globais e o baixo incentivo à pesquisas ligadas à fontes alternativas, podem nos levar a um crise global sem precedentes.

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