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18/11/07 – ONU e previsões para o futuro.

Em 18 de novembro de 2007 às 7:36 | por Bruno Engert Rizzo | 354 leitura(s)
Futuro, Internacional, Meio Ambiente, Política

Ontem o secretário geral das Nações Unidas - ONU, Ban Ki-moon, apresentou oficialmente o relatório síntese preparado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU.

O relatório traz conclusões extremamente preocupantes.

De forma resumida, o IPCC apresenta as seguintes afirmações.

O aquecimento da Terra é inequívoco e generalizado. As temperaturas do mar e do ar subiram. Gelo e neve derretem nos dois hemisférios. O nível do mar sobe globalmente e a elevação dos oceanos se acentuou a partir de 1985.

De 1900 a 2005, choveu mais no leste do continente americano, no norte da Europa e no centro da Ásia.

Nos últimos 50 anos, dias e noites frios se tornaram menos freqüentes do que dias e noites quentes.

A primavera tem começado mais cedo com conseqüências para numerosos ecossistemas.

Ainda de acordo com o relatório do IPCC, é provável que as ondas de calor e as chuvas extremas se tornem mais comuns.

O IPCC considera “muito provável” que a ação humana tenha contribuído para a elevação do nível do mar, para mudanças no padrão dos ventos e para alteração na freqüência de dias e noites frios e quentes.

O futuro provável é sombrio, pois prevê grandes transformações no clima, que influem na vegetação e na temperatura do mar. Com isso numerosas espécies estão ameaças ou condenadas à extinção.

O relatório é contundente e trás fatos cientificamente comprovados, que dificilmente podem ser negados.

Apesar dessas conclusões alarmantes, as perspectivas de mudanças de atitude na política ambiental global são uma esperança vã.

A questão é que a humanidade se desenvolveu com base em premissas que não se sustentam. Agora estamos praticamente num beco sem saída.

Mudar a estrutura global que fornece alimento, água, energia, conforto e supérfluos para a humanidade é impossível sem um tratamento de choque que imponha grandes restrições principalmente aos países ricos, à Rússia , à Índia e à China. Essa é questão fundamental do problema.

Os países, ricos que poderiam mudar o rumo dos acontecimentos, resistem em adotar medidas que possam frear o processo cujos efeitos nos conduzirão ao caos. A Rússia apesar de não ser exatamente um país rico, mantém um status de grande potência do qual não deseja abrir mão. China e Índia têm juntas praticamente 1/3 da população mundial o que sem outras considerações é um grande óbice à qualquer alteração da estrutura produtiva e geradora de energia.

Além disso, qualquer mudança de rumo implicaria na adoção de medidas que representam restrições que os países ricos não aceitam, pois no fundo, essas restrições levariam à quebra da estrutura de poder que os afetaria diretamente.

Esse processo de grandes alterações climáticas e suas conseqüências afetarão, principalmente, as populações mais pobres.

Por mais que ONU se proponha a intermediar uma solução, pelas razões já expostas, dificilmente se chegará a uma proposta que traga resultados concretos.

É muito pouco provável que a razão prevaleça sobre interesses comerciais e estratégicos. Assim, humanidade só sairá desse beco sem saída pagando um preço extremamente elevado. A reversão poderá se dar de duas formas.

A primeira delas é uma sangria lenta e progressiva que ceifará vidas entre as populações pobres, até que os grandes poluidores do planeta implementem modificações que possam estagnar ou reverter o processo que hoje nos coloca em risco e diante de um futuro incerto.

A segunda forma será um grande desastre afetando principalmente os Estados Unidos da América ou países ricos da Europa. Nessa hipótese, com toda certeza novas medidas para conter o caos serão estudas e efetivamente implantadas.

Talvez seja a oportunidade de construir um mundo mais justo, racional e equilibrado.

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