18/11/07 – ONU e previsões para o futuro.
Futuro, Internacional, Meio Ambiente, Política
Ontem o secretário geral das Nações Unidas - ONU, Ban Ki-moon, apresentou oficialmente o relatório síntese preparado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU.
O relatório traz conclusões extremamente preocupantes.
De forma resumida, o IPCC apresenta as seguintes afirmações.
O aquecimento da Terra é inequívoco e generalizado. As temperaturas do mar e do ar subiram. Gelo e neve derretem nos dois hemisférios. O nível do mar sobe globalmente e a elevação dos oceanos se acentuou a partir de 1985.
De 1900 a 2005, choveu mais no leste do continente americano, no norte da Europa e no centro da Ásia.
Nos últimos 50 anos, dias e noites frios se tornaram menos freqüentes do que dias e noites quentes.
A primavera tem começado mais cedo com conseqüências para numerosos ecossistemas.
Ainda de acordo com o relatório do IPCC, é provável que as ondas de calor e as chuvas extremas se tornem mais comuns.
O IPCC considera “muito provável” que a ação humana tenha contribuído para a elevação do nível do mar, para mudanças no padrão dos ventos e para alteração na freqüência de dias e noites frios e quentes.
O futuro provável é sombrio, pois prevê grandes transformações no clima, que influem na vegetação e na temperatura do mar. Com isso numerosas espécies estão ameaças ou condenadas à extinção.
O relatório é contundente e trás fatos cientificamente comprovados, que dificilmente podem ser negados.
Apesar dessas conclusões alarmantes, as perspectivas de mudanças de atitude na política ambiental global são uma esperança vã.
A questão é que a humanidade se desenvolveu com base em premissas que não se sustentam. Agora estamos praticamente num beco sem saída.
Mudar a estrutura global que fornece alimento, água, energia, conforto e supérfluos para a humanidade é impossível sem um tratamento de choque que imponha grandes restrições principalmente aos países ricos, à Rússia , à Índia e à China. Essa é questão fundamental do problema.
Os países, ricos que poderiam mudar o rumo dos acontecimentos, resistem em adotar medidas que possam frear o processo cujos efeitos nos conduzirão ao caos. A Rússia apesar de não ser exatamente um país rico, mantém um status de grande potência do qual não deseja abrir mão. China e Índia têm juntas praticamente 1/3 da população mundial o que sem outras considerações é um grande óbice à qualquer alteração da estrutura produtiva e geradora de energia.
Além disso, qualquer mudança de rumo implicaria na adoção de medidas que representam restrições que os países ricos não aceitam, pois no fundo, essas restrições levariam à quebra da estrutura de poder que os afetaria diretamente.
Esse processo de grandes alterações climáticas e suas conseqüências afetarão, principalmente, as populações mais pobres.
Por mais que ONU se proponha a intermediar uma solução, pelas razões já expostas, dificilmente se chegará a uma proposta que traga resultados concretos.
É muito pouco provável que a razão prevaleça sobre interesses comerciais e estratégicos. Assim, humanidade só sairá desse beco sem saída pagando um preço extremamente elevado. A reversão poderá se dar de duas formas.
A primeira delas é uma sangria lenta e progressiva que ceifará vidas entre as populações pobres, até que os grandes poluidores do planeta implementem modificações que possam estagnar ou reverter o processo que hoje nos coloca em risco e diante de um futuro incerto.
A segunda forma será um grande desastre afetando principalmente os Estados Unidos da América ou países ricos da Europa. Nessa hipótese, com toda certeza novas medidas para conter o caos serão estudas e efetivamente implantadas.
Talvez seja a oportunidade de construir um mundo mais justo, racional e equilibrado.
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