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21/11/07 – Dia da Consciência Negra e discriminação.

Em 21 de novembro de 2007 às 6:30 | por Bruno Engert Rizzo | 1.973 leitura(s)
Brasil, Opinião, Política, Índio

Ontem foi comemorado o Dia da Consciência Negra.

O discurso do presidente Lula, apesar da retórica contra a discriminação, em sua essência é discriminatório. Como na realidade o são, todos os movimentos étnicos e raciais que buscam privilégios e distinção ou reparo por um suposto dano que se deu num passado longínquo.

Retroagindo no tempo, constata-se que mesmo civilizações avançadas para a época em que existiram, escravizavam povos conquistados independente de cor, raça ou etnia.

Até meados do século XIX a escravidão era tida como normal e aceitável pelos padrões da ética e da moral vigentes no mundo, apesar de ter sido oficialmente abolida em alguns países.

Mesmo na África, que alimentou o último ciclo da escravidão no mundo, o comércio de gente era aceito e praticado por tribos que capturavam e vendiam seus semelhantes a traficantes internacionais.

Os movimentos abolicionistas ganharam corpo a partir do poder econômico gerado pela revolução industrial que combinada com ideais do iluminismo, tornaram a escravidão moralmente inaceitável, banindo-a de praticamente todo mundo.

Reivindicações genéricas que busquem indenizações, reparo ou qualquer tipo de vantagem explorando fatos históricos moramente aceitáveis no passado e interpretados segundo a ética atual, são um grande equívoco carente de lógica e fundamento.

Por essa política oportunista sucessivos governos  têm envidado esforços no sentido de aprofundar uma segregação racial, quando na verdade deveriam fomentar a perfeita integração de uma nação que se chama Brasil.

O sistema de cotas, é a essência da discriminação e fere o princípio constitucional da igualdade, quando cria reserva de vagas para negros e "afro-descentes". O próprio nome "cotas raciais" é altamente discriminatório, para não dizer uma aberração incoerente. Seriam os negros  intelectualmente inferiores à pardos índios ou outros brasileiros a ponto de ser necessário lhes reservar cotas? A lógica reversa do populismo atenta até contra a dignidade humana.

A igualdade de oportunidade deve existir para todos os brasileiros.

No ensino essa igualdade deveria existir a partir do ciclo fundamental.

O governo têm sido incapaz de oferecer ensino de boa qualidade e por isso adotou a política da compensação que só tende a agravar desigualdades. Mais um populismo inconseqüente que atenta contra a Nação.

Criar uma casta de privilegiados em relação a um processo seletivo que só poderia levar em conta a capacidade do indivíduo, é discriminatório, pois existem brasileiros brancos, amarelos, índios e pardos que tiveram tão poucas oportunidades quanto negros.

O sistema de cotas é, portanto, discriminatório em relação a todos os brasileiros que não possam se declarar negros ou "afro-descendentes".

A conseqüência é previsível. O mercado de trabalho se incumbirá do processo de seleção natural e aqueles que se valeram de cotas para receber um diploma sem ter capacidade intelectual para tal, serão alijados. Muito provavelmente alegarão discriminação.

Daí a solução brilhante será impor cotas raciais às empresas privadas.

Mas os equívocos da política de governo para lidar com desigualdes vai além. O tratamento diferenciado dado a supostos quilombolas e índios, que com base em argumentos frágeis e laudos antropológicos apócrifos reclamam parte do território nacional, está transformando o Brasil numa colcha de retalhos. No caso dos índios há áreas maiores que estados europeus.

O Estado brasileiro se deixou influenciar por falsos antropólogos e intelectuais que vêm desenvolvendo uma cultura de segregação e esse equívoco terá conseqüências danosas para o país.

Quando a escravatura foi abolida no Brasil, aqui aportaram imigrantes em condições de igualdade àquela dos escravos recém abolidos. Miseráveis, sem bens, sem instrução, porém livres. Muitos desses imigrantes conseguiram alcançar uma ascenção social e econômica em uma ou duas gerações. Outros não e seus descendentes continuam miseráveis. Nem por isso são aquinhoados com privilégios.

Os descendentes desses imigrantes que escolheram o Brasil para iniciar uma vida nova, ainda hoje mantém e festejam suas tradições.

Muitos sofreram injustiças históricas, como os germano-descendentes, ítalo-descendentes e nipo-descendetes, que durante a II Guerra foram agredidos, perseguidos e expropriados.

Entretanto, não reivindicam hoje privilégios e tratamento diferenciado. Entende-se que são brasileiros e que eventuais injustiças sofridas por seus antepassados são parte do processo histórico e evolutivo da Nação Brasileira.

Todo indivíduo deve se orgulhar de seus antepassados e esse deveria ser o único mote de movimentos “afro-descendentes”. O fato de existir um movimento denominado Consciência Negra buscando privilégios inconstitucionais, cria uma diferenciação de indivíduos pela cor da pele.

Por certo um movimento denominado Consciência Branca seria visto como discriminatório, xenófobo ou até apologia ao nazismo. Reação semelhante provocaria a proprosta de criação de uma dia da Consciencia Branca ou mesmo a reivindicação de privilégios para brancos de olhos azuis, ainda que esses indivíduos fossem pobres e tivessem uma condição social das mais baixas.

Pleitear regalias, tratamento diferenciado ou quaisquer vantagens tendo por argumento cor, etnia ou religião, misturando passado histórico com princípios da ética contemporânea é má fé e em si um ato altamente discriminatório e inconstitucional.

A política do governo é um estimulo ao racismo e tem plantado sementes perigosas na sociedade que está sendo dividida em castas com direitos diferenciados.

Essa política é inconstitucional. O Congresso tem agido de forma extremamente oportunista e irresponsável. O poder judiciário tem sido omisso.

Quando essa onda populista passar o mal estará feito à Nação. Repará-lo poderá ser um processo longo e doloroso.

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