22/11/07 – Aneel prevê crise de gás em janeiro.
Brasil, Energia, Opinião, Política
A Agência Nacional de Energia Elétrica informou que o país corre risco de novo desabastecimento de gás em janeiro.
Para o leigo talvez seja aceitável colocar todas essas crises na conta do destino. Para técnicos e para uma equipe de governo é inaceitável.
A previsão da demanda de carga é feita com base no estudo do crescimento econômico, social e industrial.
A previsão de volumes mínimos nos reservatório é feita com base em séries históricas de chuvas por bacia hidrográfica, para cada um dos reservatórios do sistema.
Há décadas o nível máximo e mínimo dos reservatórios vêm caindo o que aumenta proporcionalmente o risco de escassez de água para geração de energia.
No Brasil, temos um sistema de geração de energia elétrica hibrido no qual é preponderante a geração hidrelétrica.
Para que se tenha uma noção de ordem de grandeza, nossa matriz energética elétrica (não é a matriz de energia primária) tem a seguinte composição:
- Hidráulica ......................84,5%
- Gás natural.....................4,1%
- Biomassa .......................3,9 %
- Derivados do petróleo ...2,8 %
- Nuclear..........................2,2%
- Carvão............................1,6 %
- Outras fontes.................0,9 %
Quando os níveis dos reservatórios de água chegam a limites considerados críticos que possam comprometer a vazão dos rios e o abastecimento de água, as termoelétricas a gás entram em co-geração.
Diante dos níveis de água dos reservatórios era previsível que o risco poderia entrar na faixa inaceitável.
Esse é o ponto. O sistema de energia elétrica tem sido gerenciado e operado próximo de limites de risco inaceitáveis. Em 1991 tínhamos uma condição extremamente favorável com os reservatórios operando numa faixa longe da faixa de risco. Desde então, a cada ano o nível de risco vem aumentando e por um erro de planejamento, esqueceram que se fosse necessário entrar com co-geração de termoelétricas a gás poderia faltar gás.
Se a Aneel só consegue antever uma crise dessa gravidade com pouco mais de um mês de antecedência, definitivamente não há gestão. Fica a pergunta: como e Ministra Dilma Rousseff garantiu que não há risco de racionamento até 2011 se o governo não sabe o vai acontecer nos próximos meses?
O quadro é alarmante. Se as usinas que foram planejadas para entrar no sistema nos próximos anos, não entrarem em operação, teremos que encontrar outras fontes ou importar energia ao custo de compras apressadas e sem planejamento.
Estamos no caminho certo de mais uma crise, pois todos os cronogramas para construção dessas usinas estão atrasados, alguns ainda pendentes de licenças ambientais.
Não existe superávit de energia disponível na América do Sul e talvez não seja possível importar energia a um preço razoável. Nessa hipótese o país terá que enfrentar um racionamento que mais uma vez trará enormes prejuízos, a exemplo da última crise de energia ocorrida no governo FHC.
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