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24/11/07 – Heróis nacionais? Para que?

Em 24 de novembro de 2007 às 11:15 | por Bruno Engert Rizzo | 605 leitura(s)
Brasil, Opinião

Estátua de Guilherme Tell. Altdorf, Suiça

Lembrando o 700º aniversário da comemoração da lenda de Guilherme Tell, o jornal OGLOBO de hoje traz uma reportagem de uma página sobre o mito que deu origem ao Estado Suíço.
Conta à lenda que os Habsburgos de Viena despacharam para o vilarejo de Altdorf um governante cruel chamado Hermann Gessler.

Para sub-julgar e humilhar o povo, este mandou erguer no centro da praça principal, um obelisco, onde colocou seu chapéu e todo cidadão que por lá passasse, deveria reverenciar o monumento.

Em 18 de novembro de 1307 um caçador e arqueiro chamado Guilherme Tell, juntamente com seu filho, passaram pelo obelisco sem fazer qualquer reverência.

Gessler, que teria presenciado o desrespeito a sua determinação, sentenciou Tell a acertar uma maça equilibrada na cabeça de seu filho. Se Tell recusasse o desafio, pai e filho seriam executados.

Segundo a lenda, Tell e seu arbalete foram certeiros, partindo a maça ao meio. O incidente teria sido a semente de uma revolta que levou à expulsão dos invasores e à morte de Gessler por Tell.

Atualmente, historiadores são unânimes em reconhecer que essa história é uma ficção.

Apesar disso, Guilherme Tell tem direito a uma estátua no pedestal de herói nacional e continua sendo festejado e respeitado como tal na Suíça. Além disso, é reconhecido como homem de valor na Europa.

No Brasil vivemos o extremo oposto. Não precisamos fabricar lendas, pois temos verdadeiros heróis de sobra e seus feitos estão comprovados em documentos.

Entretanto, falsos historiadores, ou melhor, futriqueiros diplomados em busca de fama, tentam a todo custo destruir nossos heróis. O processo difamatório ganhou apoio da mídia sensacionalista e conta com o beneplácito do governo que por omissão ou ignorância colabora, permitindo que a história oficial seja distorcida.

A estratégia tem sido ridicularizar nossos heróis, inventando enredos secundários baseados em teses sem sustentação histórica. Dessa forma, fatos decorrentes de naturais fraquezas humanas ou circunstâncias passageiras não comprovadas, se tornam mais importantes que feitos históricos comprovados e nossos heróis vem sendo transformados em bufões ou ridículos personagens preguiçosos e decadentes a vagar de ceroulas, adoentados e de moral duvidosa.
Considerando que grande parte do povo tem baixo grau de escolaridade e talvez nunca tenha lido ou escutado a história oficial, a versão verdadeira passa a ser aquela apregoada por programas medíocres de televisão e filmes revisionistas que buscam público as custas da criação de uma farsa jocosa ou ridícula.

O processo de alienação do povo em relação ao seu passado histórico é altamente lesivo à Nação Brasileira, pois corrói um dos elos que transforma pessoas que vivem num mesmo território numa nação.

Em paralelo, pessoas medíocres como ex-drogados ou políticos envolvidos em escândalos ganham estátuas e seus feitos distorcidos vão parar em livros escolares.

O movimento para destruição de um passado glorioso não vem de hoje, mas tem ganho força e novo fôlego nesse governo cuja autoridade máxima despreza a cultura e o estudo.

Que pessoas medíocres e sem respeito à própria pátria queiram deturpar o passado em troca de fama passageira é abjeto, porém compreensível. Mas que historiadores renomados e a mídia cujo compromisso com a verdade deveria estar acima de tudo colaborem com esse processo ou se omitam, beira à conspiração e é inaceitável.

Temos heróis que como tal devem ser cultuados e respeitados.

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