28/11/07 – A América do Sul em movimento retrógrado.
Internacional, Opinião, PolÃtica
A América do Sul tem algumas caracterÃsticas interessantes que poderiam levar os paÃses que a integram a um desenvolvimento mais rápido. O continente tem clima e vegetação variados, é rico em recursos naturais, e tem uma população que poderia formar um grande mercado consumidor.
Contudo, a América do Sul vem perdendo sucessivas oportunidades de entrar no cenário internacional com projeção e importância proporcionais a sua dimensão.
Em números redondos, a América do Sul tem 12% da superfÃcie terrestre e 6% da população do planeta. O Produto Interno Bruto é da ordem de 4% do PIB mundial. Nota-se, portanto, um desequilÃbrio entre território, população e PIB.
Para entender porque estamos em movimento retrógrado, façamos um breve retrospecto. A partir da década de 1870 o continente viveu uma onda de governos autoritários e nacionalistas, que se impuseram e perpetuaram no poder com apoio de Forças Armadas, cancelando eleições e alterando ou ignorando as constituições de seus paÃses.
De forma geral, a onda autoritária durou até 1930 quando ocorreu a ascensão de regimes representantes da nova burguesia industrial, como os de Getúlio Vargas no Brasil e Juan Perón na Argentina.
A partir de 1954 o mundo se polarizou e o receio que o comunismo viesse a fixar raÃzes na América do Sul, levou a maioria dos paÃses a guinarem para extrema direita. Os Estados Unidos da América financiaram ou apoiaram movimentos que levaram praticamente todos os paÃses da América do Sul a implantarem regimes militares que duraram até 1976 em alguns paÃses e até o inÃcio da década de 80 em outros.
Desde então a América do Sul iniciou um processo de redemocratização e passou pela experiência Neo Liberal. Quando parecia que finalmente terÃamos chance de buscar equilÃbrio e união dos paÃses da América do Sul visando o desenvolvimento do continente, o pêndulo voltou a oscilar e dessa vez para a esquerda populista.
Os principais paÃses da América do Sul elegeram versões modernas de caudilhos de esquerda tais como:
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Hugo Chávez na Venezuela
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Evo Morales na BolÃvia
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Néstor Kirchner na Argentina
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Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil
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Lucio Gutiérrez e Rafael Correa no Equador
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Ricardo Lagos e Michelle Bachelet no Chile
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Alan GarcÃa no Peru
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Tabaré Vázquez no Uruguai
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Nicanor Duarte no Paraguai
Por estranho que pareça, essa guinada para a esquerda se deu pela democracia. Mas o resultado tem se mostrado desastroso e paÃses como Venezuela e BolÃvia ensaiam um passo mais radical no sentido de ditaduras de esquerda.
A Venezuela cuja economia se sustenta com petróleo passa por um momento delicado com Hugo Chavez gerando inquietação interna e externa. Com a passageira riqueza gerada pelo petróleo, o paÃs tem a oportunidade de se industrializar, mas Hugo Chavez optou por um regime que assusta investidores estrangeiros não só pela instabilidade, mas principalmente pela volatilidade das regras.
A BolÃvia, um dos paÃses mais pobres da América do Sul, caminha no mesmo sentido com Evo Morales nacionalizando ativos de empresas estrangeiras. A BolÃvia, cujo principal produto é gás natural, não tem capacidade técnica nem capital para desenvolver a indústria de extração de gás. Com a nacionalização de ativos estrangeiros, já há dificuldade de manutenção das plantas instaladas e as grandes empresas que acabaram de sofrer confiscos, dificilmente voltarão a investir na BolÃvia enquanto durar o regime de Evo Morales.
A Argentina, num ato populista e irresponsável, decretou o calote da dÃvida externa em dezembro de 2001. Com isso, perdeu acesso ao crédito internacional e precisa recorrer a outras fontes de recursos. Uma parte da salvação veio da Venezuela que enterrou U$ 5,1 bilhões na compra de bônus da dÃvida Argentina.
O Brasil afunda num mar de corrupção e incompetência administrativa que têm levado a eclosão de crises que se superpõe ou abafam, sem que possamos ver esperança de um futuro melhor. Lula está aparelhando o estado e tem ensaiado tentativas controlar os meios de informação e perpetuar a esquerda no poder.
Na Argentina como no Brasil, os governos optaram por programas de fomento da miséria. A máquina pública foi inchada e ambos os paÃses vivem crises de infra-estrutura e energia.
Contudo, o Brasil é o paÃs mais adiantado e rico do continente e ao que tudo indica é o único que tem chance de reverter essa situação num prazo mais exÃguo, liderando os demais.
O mundo caminha para uma nova era na qual recursos naturais serão progressivamente mais escassos. É possÃvel até que recursos naturais, matéria prima e produtos agrÃcolas se tornem os bens que mais agregam valor na cadeia de produção.
Mas sem infra-estrutura, indústria quÃmica de base e de bens de capital, jamais poderemos tirar partido do diferencial dessas riquezas, pois estas serão exploradas por empresas estrangeiras ou terão seus preços aviltados num mercado internacional onde preços de comódities têm relação com poder de persuasão e independência econômica.
A América do Sul está se defasando em relação a outras regiões do planeta que têm potencial menor. Não porque esses paÃses tenham se desenvolvido mais rápido e sim porque estamos caminhando para trás.
Talvez esse retrocesso seja parte de um longo processo evolutivo no qual tenhamos que passar por várias experiências para só então encontrar um caminho melhor. Mas é doloroso que para tal, tenhamos que sacrificar gerações, condenando-as à uma sub-existência medÃocre em escala continental.
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