30/11/07 – O PAC não avança e a culpa é deles.
Brasil, Corrupção, Desgoverno, Opinião
Ontem em Vitória, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva proferiu mais um discurso evasivo, cheio de metáforas e até ridículo para a posição de chefe supremo do poder executivo que ocupa.
Lula responsabilizou aqueles que direta ou indiretamente estão sob sua batuta e por ele foram nomeados, pelo fato do Plano de Aceleração do Crescimento – PAC ter sido lançado há nove meses e pouco ter avançado.
O discurso é ridículo e pior que sua marca registrada “eu não sabia de nada”.
Agora, nosso chefe supremo alega que seus apaniguados e companheiros são os responsáveis por nada funcionar.
Assim, o Banco Central é responsável por segurar verbas liberadas pelo governo para investimentos. Entretanto a atribuição de controlar o caixa é do Ministro da Fazenda, nomeado por Lula.
Segundo Lula, há dois anos, ele cobra diariamente à presidente da Caixa Econômica Federal a assinatura de convênios para liberação de verbas para obras no canal da Malária. Incompreensível como um chefe se submete de forma tão humilhante ao um subalterno de terceiro escalão, sem demiti-lo.
Por último, Lula responsabilizou o Ministério Público, o Tribunal de Contas da União e a Justiça por criam entraves à execução das obras.
Só faltou declarar que existe uma conspiração geral contra ele e seu governo, engendrada por seus companheiros e aliados por ele nomeados.
O chefe do Poder Executivo tem o poder de escolher quem ele deseja para ocupar cargos do primeiro escalão. A opção de Lula foi empossar companheiros despreparados e de caráter duvidoso em cargos que demandam técnicos e profissionais experientes de reputação ilibada. Basta lembrar quantos de seus ministros foram obrigados a renunciar e respondem a processos criminais.
Era de se esperar que pessoas despreparadas, tal como o próprio presidente, fossem incapazes de administrar a coisa pública com eficiência e não soubessem nem ao menos buscar assessoria competente para gastar recursos de forma correta.
Via de regra, administradores medíocres se assessoram de pessoas mais medíocres ainda, pois temem ser alijados ou sobrepujados por seus subalternos.
Lula não corre esse risco, pois foi eleito pelo povo e tem um mandato a cumprir.
Entretanto seu comportamento perante aqueles que o elegeram tem sido desrespeitoso.
Primeiro assumiu a cômoda e covarde postura de afirmar desconhecer que seus ministros, compadres e a base aliada que o apoiava, estavam envolvidos no maior esquema de fraudes e corrupção jamais flagrado na história da República.
Depois afirmou desconhecer que a cúpula do seu partido estaria envolvida em corrupção que indiretamente financiou até sua campanha. Negou também conhecer o dossiê falso que seus correligionários produziram numa tentativa de incriminar o candidato da oposição durante a campanha presidencial. Se limitou a chamar os envolvidos de aloprados, mas não se afastou deles nem os afastou do partido.
Agora faz o papel ridículo de culpar tudo e todos que estão à sua volta como se houvesse uma conspiração, numa tentativa de justificar a incapacidade para implantar seus projetos de governo.
Alguém precisa informar a sua excelência o Presidente da República que ele foi eleito exatamente para administrar o país. Se escolhe mal seus assessores, não sabe delegar e não assume a sua parcela de responsabilidade, o melhor que tem a fazer é renunciar.
Proferir discursos vazios e fanfarronescos, atacando aqueles que por ele foram escolhidos não colocará o país no rumo.
É difícil entender como Lula conseguiu conquistar o apoio da classe média, sem um plano de governo, com discursos vazios e programas que apenas perpetuam a miséria.
Que os miseráveis se deixassem comprar por um dos programas da linha “bolsa miséria”, demonstra que parte da população brasileira é alienada e perdeu ou nunca teve auto-estima. Porém, é compreensível.
Por outro lado, é difícil entender e até aceitar, como existem brasileiros minimamente esclarecidos que ainda acreditam na farsa chamada Luiz Inácio Lula da Silva. Lula criou uma redoma em torno de si e consegue sobreviver politicamente com esse comportamento no qual “eu não sabia”, “a culpa é deles” e “nunca na história desse país....” mantém sua popularidade em alta.
Com isso passamos quatro anos ouvindo discursos sobre o futuro e o país foi sucateado. Tudo que demandava soluções urgentes vem sendo adiado ou resolvido de forma improvisada.
Agora estamos diante de um segundo mandato que promete ser uma versão piorada do primeiro. Passado quase um ano, nada do que foi prometido saiu da fase dos discursos e o país afunda em corrupção e se esvai em crises que se sucedem, se superpõem e se perpetuam.
Para tornar o nosso futuro ainda mais sombrio e duvidoso, no horizonte formam-se nuvens de mau agouro com a questão do terceiro mandato, que vez por outra volta à pauta como se já testasse o povo.
Onde está à oposição que parece compactuar com tudo que vem acontecendo no país? Porque a mídia que sabe ser dura e é formadora de opinião tem sido branda e omissa? Qual será o limite de tolerância do povo?
Inquietante descobrir que somente uma minoria da população se sinta incomodada com tudo isso.
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