02/12/07 – TV Pública, mais um cabide empregos e pelegos.
Brasil, Opinião, Política
A TV Pública criada por Lula estreou hoje e não trouxe novidades em termos de novas atrações ou conteúdo de bom nível. Muito pelo contrário, a receita parece ser a mesma da TVE que é o retrato de uma estatal decadente com programas baratos e enfadonhos no formato de monótonas entrevistas intermináveis e mal coordenadas.
A escolha do Conselho Curador da TV já mostrou uma incoerência preocupante. Os 15 membros representantes da sociedade foram escolhidos por Lula.
Logo, não podem ser chamados de representantes da sociedade e sim de Lula.
A escolha desses 15 membros mostra que estamos diante de mais um órgão público para lotear e aparelhar, oferecendo cargos em troca de apoio, favores ou “coisas” piores, como temos visto em outras estatais e autarquias.
O Ministro da Comunicação Social, Franklin Martins declarou que o critério de escolha dos membros que integram o Conselho Curador não foram técnicos. Com isso, Delfim Netto, MV Bill e Cláudio Lembo (DEM) ex-prefeito de São Paulo, entre outros, foram alçados a Curadores da TV Pública. Além desses 15 “representantes da sociedade civil” integram o conselho o Ministro da Educação Fernando Haddad, o Ministro da Cultura Gilberto Gil, o Ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, o Ministro de Ciência e Tecnologia Sérgio Rezende e um membro escolhido pelos funcionários.
Com esse perfil, não resta dúvida que o Conselho é na verdade composto por pelegos. Quem dos 19 indicados por Lula ousará fazer críticas a ele? Que independência terá essa TV?
Além disso, ia mpressão que se teve no lançamento da TV foi péssima, pois tudo foi improvisado e justificado com um ridículo e infantil discurso do diretor-geral Orlando Senna, típico da coisa pública cujo objetivo é apenas inaugurar e criar a estrutura legal para destinar verbas públicas. Segue uma transcrição de parte do discurso:
“Não estamos apresentando um canal pronto. O conceito TV Brasil será desenhado com a população. Vamos abrir amplo diálogo com a sociedade e construir a rede com essa retroalimentação popular.”
Tudo isso mostra claramente que não existe planejamento e muito menos um objetivo claro quanto ao que será essa TV.
Independente dessa discussão, cabem aqui algumas reflexões.
Será esse o papel do Estado? Será lícito gastar recursos públicos em televisão de programação duvidosa enquanto saúde, educação, segurança pública e infra-estrutura estão falidos?
É no mínimo estranho que o Estado cronicamente negligente com suas obrigações constitucionais, escolha investir justamente num meio que permita manipular informação e opinião pública.
Lula tem defendido a TV Pública com o argumento que o povo tem direito a TV gratuita. Nesse aspecto, só pode estar havendo um grande engano ou ma fé. A TV brasileira aberta já é gratuita e com todas as críticas que se possa fazer ao fato da programação não ser educativa, têm mais conteúdo que uma TV Pública que não tem compromisso com qualidade nem audiência e independência suspeita.
O Estado Brasileiro mal consegue administrar e planejar suas obrigações. Esse é um fato e a prova é que as empresas privatizadas deixaram de ser sorvedouros de recursos públicos, passaram a gerar empregos, lucro e impostos. Os exemplos são muitos e só para citar três, lembramos a Embraer, a siderúrgica Nacional e Vale. As duas primeiras estavam praticamente falidas. Hoje essas três empresas distribuem lucros e projetam o Brasil no cenário internacional, sendo exemplos de sucesso.
Ao criar a TV Pública Lula está dando mais um passo atrás na modernização do Estado Brasileiro e fortificando posições no projeto de aparelhar o Estado.
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