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04/12/07 – Evo Morales, Hugo Chavez e Lula. Mal presságio?

Em 04 de dezembro de 2007 às 8:31 | por Bruno Engert Rizzo | 822 leitura(s)
Desgoverno, Internacional, Opinião, Política

A Bolívia é um dos países mais pobres e menos industrializados da América do Sul.

Desde sua independência da Espanha em 1825, a Bolívia passou por longos períodos de instabilidade política, marcados por sucessivos golpes e contragolpes. A democracia só foi restaurada em 1980 com a destituição da junta militar que governava.

A capital se divide em duas cidades o que por si só já representa uma cisão. A sede do poder Executivo está em La Paz e a sede dos poderes Legislativo e Judiciário estão em Sucre.

O PIB Nominal da Bolívia é da ordem de U$ 11 bilhões e a maior parte da receita de exportações vem do gás, minério, petróleo, soja e de uma indústria incipiente.

Em 2005 o povo elegeu Evo Morales, um índio e plantador de coca como presidente da República.

Desde sua posse, Evo Morales tem governado com medidas populistas e sem qualquer visão estratégica. As províncias mais ricas formam forte oposição a Evo Morales e o pais caminha para um conflito interno.

Entendendo que o gás natural e o petróleo são grandes fontes de riqueza, evo Morales partiu para a nacionalização de empresas estrangeiras e adotou uma política de confronto.

Chegou a confiscar refinarias, empresas e propriedades.

O resultado não podia ser outro senão a fuga de investimentos e técnicos que trabalhavam nas empresas estrangeiras.

Como não existe um corpo técnico capaz de administrar os ativos confiscados, a Bolívia já enfrenta dificuldades de manutenção nessas empresas.

Internamente, para agravar a crise já instalada, Evo Morales se trancou num quartel e implantou a força uma constituição no modelo chavista que lhe permite a reeleição indefinidamente.

Entretanto, vem encontrando forte oposição nas cinco regiões mais ricas da Bolívia que rejeitam a constituição imposta.

O resultado é o caos, com protestos, mortes e saques e uma Bolívia às portas de uma revolução que pode acabar numa cisão. A cidade de Sucre foi abandonada pelo governo e está sem polícia, bombeiros nem autoridades civis.

Conforme já abordado em outro artigo, a América do Sul está em franco movimento retrógrado.

Essa onda de governos populistas  e ignorantes travestidos de socialistas, está conduzindo a América do Sul a uma dolorosa viagem no tempo que talvez venha a sacrificar o futuro de mais de uma geração.

O exemplo da Bolívia mostra com bastante clareza um processo perigoso que poderá fragmentar e fragilizar a América do Sul ainda mais.

Praticamente todos os países das Américas do Sul e Lantina têm uma grande parcela da população com baixo grau de instrução, que vive em condições precárias. É precisamente esse fato que propicia a eleição de representantes medíocres de visão imediatista, limitada e capazes apenas de conceber projetos populistas, que no fundo só perpetuam a miséria.

Evo Morales consegui superar Hugo Chavez, pois ao reescrever a constituição guarnecido por baionetas, praticamente deu um golpe. Hugo Chavez por hora acatou o resultado do referendo que o impede de se perpetuar no poder.

Mas ambos estão arruinando seus países, pois confiança de investidores se perde com um gesto inadequado, porém demanda grande e prolongado esforço para reconquistar. É um trabalho árduo e demorado.

Na última década o populismo de esquerda ganhou terreno na América do Sul. Mas agora estamos assistindo a um movimento retrógrado que teve início na Venezuela com Hugo Chavez, contagiou seu primo pobre na Bolívia e já apresentou sintomas preocupantes no Brasil, onde a gestão de Lula segue padrões semelhantes.

Hugo Chavez inicialmente se mostrou um bufão e sempre se declarou aliado de Fidel Castro. Suas atitudes mais recentes e o discurso revolucionário e o apoio às Forças Revolucionárias Colombianas - FARC são preocupantes. Evo Morales teve um início mais tímido, mas logo se mostrou igualmente desequilibrado.

Lula vez por outra, tem fustigado a sociedade com provocações para avaliar a aceitação de um terceiro mandato e também ensaiou por cá impor controle aos meios de comunicação.

Será essa onda vermelha um mal presságio ou estamos diante de uma vaga solitária que se abateu sobre as Américas do Sul e Latina, fez estragos e se vai?

A América do Sul concentra riquezas naturais e tem características que poderiam tornar o bloco uma potência. Mas o passo fundamental seria uma revolução no extremo oposto dessa que está em curso, com políticas de desenvolvimento consistentes, voltadas para educação e não para o fomento do ócio da sub-existência miserável e do separatismo. 

Se nada mudar,  o futuro que está sendo construído para as próximas gerações só tende a ser mais difícil que a dura realidade que já vivemos.

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