06/12/07 – PAC da Saúde, mais uma demonstração de alienação.
Brasil, Desgoverno, Opinião, Politicas Públicas, Saúde Pública
Ontem, o presidente Lula lançou o PAC da Saúde.
É estranho comparar Lula oposição, com Lula candidato e Lula presidente.
A impressão que se tem é que era lúcido como oposição, apenas cínico como candidato e completamente alienado como presidente.
Quando oposição, Lula defendia posições concretas. Ainda que sua postura fosse radical e que as posições defendidas fossem uma utopia, Lula era coerente em seu discurso. Por isso perdeu algumas eleições.
Quando candidato, depois de ser derrotado em três eleições, Lula mudou o discurso. Nos debates e comícios mostrava algum conhecimento quanto a situação do país, mas deturpava o que lhe era conveniente e fazia um jogo duplo para conquistar a classe média sem perder o apoio da massa assalariada. Essa postura cínica e ambivalente o elegeu e reelegeu.
O Lula presidente é um completo alienado, cujos discursos misturam futuro do pretérito com ficção. Sua marca registrada no que tange corrupção, crise e ineficiência é “eu não sabia”.
Quando fala sobre saúde, educação e segurança pública definitivamente vive em outro planeta. Aparentemente não vê manchetes de jornais, não recebe informes e não se informa quanto a realidade do país.
O discurso de lançamento do PAC da Saúde mostrou uma nova faceta, pois foi uma mistura de chantagem e demonstração de total alienação.
O programa prevê um investimento de R$ 89 bilhões se a CPMF for aprovada. Lula tem tentado cooptar os governadores com a chantagem de corte de repasses de verbas federais, no que tem tido sucesso.
Quanto à alienação, fica por conta da ridícula afirmação que “com o SUS, pobre tem acesso ao mesmo equipamento que presidente”.
A comparação é mais do que risível e ingênua ou cínica. Seja o que for, demonstra quanto o presidente é despreparado para entender o que seja uma política pública.
Saúde pública não se resume a equipamentos e imposto. Saúde pública é todo um sistema que precisa funcionar para atender a população a tempo e à hora com qualidade.
Para que tudo isso aconteça é necessário que o sistema seja dimensionado de forma a atender a demanda sem que existam longas filas de espera.
Não é necessário contratar estudos muito detalhados para ter um diagnóstico da precariedade do sistema atual.
As emergências estão superlotadas e os médicos são obrigados a fazer quase uma triagem de medicina de guerra, que é aquela na qual se avaliam os pacientes que têm mais chance de sobrevivência para neles concentrar recursos. Aqueles que têm poucas chances de sobrevivência recebem apenas sedativos para atenuar o sofrimento pela dor. São os últimos a receber qualquer tipo de tratamento e só são removidos para uma UTI se houver vaga.
As instalações dos hospitais públicos estão decadentes e se a vigilância sanitária os inspecionasse com o mesmo rigor que inspeciona instalações privadas, fecharia a maioria deles.
Exames que no sistema de saúde privada são feitos rotineiramente e sem espera, no sistema de saúde pública têm filas que podem levar meses ou até um ano.
Procedimentos que pela natureza da doença e por força do diagnóstico deveriam ser rápidos, podem levar a espera de um ano ou mais.
Isso para não mencionar a rotina de saúde negada que é vista no dia a dia nas portas dos hospitais, onde pessoas buscam socorro e são tratadas como indigentes. Muitas vezes o jogo de empurra de uma unidade para outra leva as pessoas a desistirem e retornam para casa, aonde vão a óbito ou têm o quadro agravado por falta de assistência.
Em resumo, faltam médicos, insumos, remédios, material de consumo, leitos, instalações e uma lista sem fim, que são exigências mínimas para que um hospital funcione. O atendimento quando não é negado, é precário e de certa forma envolve mais riscos do que o aceitável e necessário em condições normais.
Além disso, também faz parte da política de saúde o combate a endemias e epidemias. Nesse quesito a negligência chega a ser criminosa, mas nosso presidente, talvez nem “saiba” que dengue mata ou que temos febre amarela e malária no território brasileiro.
Nos demais aspectos, cujas conseqüências não são tão visíveis, a omissão é total.
Essa é a realidade do nosso sistema de saúde pública.
Mas na visão simplória e alienada do presidente Lula, a saúde pública está “próxima do ótimo” e tudo se resume a manter a CPMF, comprar equipamentos modernos e fazer discursos.
Até quando, Lula, abusarás de nossa paciência?
Gostou do que leu? Não deixe de assinar nosso RSS feed!
- Leia também:
- 19/03/08 – Epidemia de dengue? Não, um desastre!
- 01/04/08 – Políticas públicas medíocres e o pacto com o diabo.
- 12/04/08 – Dengue: quem paga a conta?
- 15/05/08 – Dengue: o custo do crime de omissão e negligência.
- 20/05/08 – Porque falta dinheiro para políticas públicas?
- 06/05/08 – Nunca na história desse país…
- 21/04/08 – Um crime abala, o genocídio não.
- 23/03/08 – Crime ambiental, crime de omissão e corrupção.
- 03/05/09 – Falência do ensino público, sistema de cotas e consequências.
- 02/01/08 – Promessas, discursos e traição.
Enviar por e-Mail
Imprimir




