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07/12/07 – Precisamos de um Conselho de Ética do Senado?

Em 07 de dezembro de 2007 às 4:45 | por Bruno Engert Rizzo | 235 leitura(s)
Atuação de parlamentares, Brasil, Corrupção, Opinião, Política

Essa semana o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) renunciou à presidência do Senado numa manobra para não ter o mandato de senador caçado por quebra de decoro parlamentar.

Desde o escândalo da amante Mônica Veloso, sustentada por um lobista da Mendes Junior, foram feitas cinco representações contra Renan Calheiros por quebra de decoro parlamentar.

O fato de Renan Calheiros ter renunciado à presidência era esperado. É a velha máxima de entregar os anéis para preservar os dedos.

Se tivéssemos uma maioria de senadores realmente comprometidos com o país ou minimamente sérios, essa manobra seria inócua.

Mas esse não é o caso e aí está o resultado. Renan Calheiros, mais uma vez se livrou de ter o mandato cassado. Numa votação secreta, o resultado foram 48 votos pela absolvição, 29 contra e 3 abstenções.

Esse escrutínio foi ainda mais vergonhoso que aquele do primeiro processo contra Renan Calheiros, onde o placar foi 40 votos pela absolvição, 35 pela cassação e 6 abstenções.

Chega a ser nauseantes, pois, mostra claramente que temos pelo menos 52 senadores comprometidos com conchavos, arranjos políticos e ilegalidades em detrimento do zelo pelos interesses da Nação Brasileira.

Um senador deveria ter reputação ilibada e pautar sua conduta pelos mais elevados princípios da moral e da ética, mantendo-se fiel à República, à Constituição e à vontade do povo.

A realidade mostra que essa é uma utopia. Nem ao menos podemos sonhar com uma maioria de senadores com as características desejáveis. Os escândalos de corrupção e outras ilegalidades envolvendo senadores da República são cada vez mais freqüentes e progressivamente mais chocantes. A amplitude dos esquemas e a quantidade de crimes cometidos são de fazer inveja a organizações criminosas. Isso para não mencionar o fato dos senadores negociarem o apoio a projetos de governo com o único objetivo de auferir vantagem para eles mesmos.

Diante desse quadro tão nefasto e desalentador, falar em Conselho de Ética chega a ser uma piada de mau gosto. Um Senado com uma maioria de senadores sem compromisso com moral e ética e muitos envolvidos com crimes ou acobertando criminosos, não tem intenção nem capacidade de se depurar.
Nesse caso, Conselho de Ética nada mais é que um teatro a reproduzir um espetáculo de mau gosto para o povo e é perfeitamente dispensável.

O último ato macabro foi promovido pelo senador Leomar Quintanilha, presidente do Conselho de Ética do Senado e grande aliado de Renan Calheiros, que com a maior desfaçatez cuidou de arquivar dois outros processos contra Renan Calheiros sem que estes sequer fossem apreciados pelos demais conselheiros.

O Senado tem humilhado o povo brasileiro ao extremo, não só pelas decisões equivocadas, mas principalmente por acolher criminosos que num julgamento justo provavelmente seriam condenados a penas impossíveis de serem cumpridas numa única encarnação.

O cidadão precisa acordar. O Senado precisa ser renovado restabelecendo padrões de ética condizentes com senadores da República.

Além disso, é fundamental acabar com o voto secreto. O eleitor tem o direito de saber como seu representante vota em todos os projetos e principalmente nas questões que envolvem a moralidade e ética de seus pares.

A continuidade dessa obscenidade pode gerar uma ruptura social que nos fará retroagir décadas. Esta em jogo o futuro da nação e das próximas gerações.

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