09/12/07 – Lula, Pão e Circo
Brasil, Crime organizado, Opinião, Política
A máxima que o povo quer pão e circo está mais viva do que nunca.
As políticas públicas da área social de nossos governos têm se resumido a “bolsa miséria” distribuída em meio a corrupção e ao total descontrole.
Programas como “bolsa família”, “cheque cidadão”, “vale gás”, “bolsa renda” e outros que têm sido implementados pelo governo federal e por governos estaduais, nada mais são que o pão que garante a sobrevivência, incentiva o ócio e perpetua a miséria.
Mas o povo também precisa de circo.
Assim, e para abrilhantar o carnaval carioca, Lula resolveu doar recursos públicos às escolas de Samba do Rio. Serão R$ 12 milhões para as escolas de samba do grupo especial. Os recursos serão provenientes das empresas petroquímicas lideradas pela Petrobras e serão entregues às escolas a título de “investimento social” e para “inibir a ilegalidade”.
Esse último aspecto tem relação com o fato das escolas de samba do Rio manterem ligação umbilical com a contravenção e talvez com o crime organizado, que de certa forma andam de mãos dadas.
É fato que as escolas de samba do Rio sempre mantiveram estreitas relações com a contravenção. Seus patronos e agentes financeiros sempre foram ou são contraventores ou traficantes conhecidos. Basta lembrar que o ex-presidente da Liga Independente das Escolas de Samba – Liesa é Ailton Guimarães ou Capitão Guimarães e que o ex-presidente de honra da Beija-flor é Aniz Abraão David ou Anízio. Ambos envolvidos com contravenção e outros crimes. Para mencionar um caso atual, lembremo-nos de Percival Pires, presidente da Mangueira, que recentemente homenageou o traficante Fernandinho Beira-mar num ensaio da escola.
Esse ano a Policia Federal descobriu também que o resultado da escolha da campeã foi fraudado por manipulação da cúpula do crime ligado à Liesa.
Mas tudo isso é o circo e ninguém ousa mexer na diversão do povo sob pena de insatisfação e revolta popular.
Distribuir cestas básicas e promover festas populares certamente é mais fácil do que planejar e implantar políticas públicas que insiram o atual exército de miseráveis na cadeia produtiva, lhes permitindo gerar o próprio sustento e riqueza.
Mas planejar parece ser um verbo que o governo desconhece. Principalmente quando se pode agradar o povo com medidas que gerem satisfação garantida hoje. Se essas ações vão perpetuar a miséria por outras gerações para que sejam continuamente exploradas por políticos inescrupulosos e populistas, é uma questão secundária.
Entretanto, a questão vai além da visão estratégica de cada um no que diz respeita ao futuro do país.
Num país onde, saúde, educação e segurança pública estão falidos, é imoral que sejam doados recursos públicos para entidades privadas ligadas à diversão. Pior ainda, quando essas entidades mantém relações extremamente promíscuas com o crime organizado.
O carnaval do Rio é exuberante. Apesar de gerar uma imagem distorcida, atrai turistas do mundo inteiro e indiretamente rende dividendos ao Brasil e ao Rio.
Mas doar recursos para “inibir a ilegalidade” é absurdo. Se a ilegalidade existe, e ela comprovadamente existe, deve ser combatida. Doar R$ 12 milhões sem quebrar o elo, é o mesmo que doar recursos para o crime organizado.
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01 de janeiro de 2011 às 9:58
Uma coisa é a constatação dos graves problemas estruturais que existem no chamado Terceiro Mundo, outra coisa é o tipo de comportamento que deve ser adotado para a superação destes problemas. Tem estado em voga uma posição política terceiro-mundista, que é uma forma travestida de consciência de escravo. É jogar toda a responsabilidade dos nossos erros nos países avançados, o que é uma forma cômoda de ficarmos em paz com nossa consciência. É atribuir todas as falhas, problemas, ineficiências e incompetências a eles. Uma consciência de coitadinho. A partir desta postura, fica muito fácil dizer que as coisas aqui não são melhores devido à dívida externa. A solução é literalmente "não pagar, suspender o pagamento da dívida externa". É curioso que aqueles que emprestaram dinheiro ao Terceiro Mundo sejam considerados criminosos. Se há algum problema aqui, certamente não diz respeito àqueles que nos empretaram dinheiro, mas sim ao que fizemos deste dinheiro. Eles não são responsáveis por nossa imcompetência. Acontece que esta consciência de escravo tem uma grande popularidade e, sobretudo, rende muitos votos. Seja por uma má consciência ou mau caráter, ainda se alimenta muito nas áreas do mundo subdesenvolvido a ideologia terceiro-mundista. Levantar-se contra esta posição é considerado sinônimo de conservadorismo, o que claramente trata-se de um profundo equívoco. O país pode ser subdesenvolvido, mas as mentalidades não devem sê-lo.