12/12/07 – Clima: brincando com o destino da humanidade.
Geral, Internacional, Meio Ambiente, Opinião, Organização das Nações Unidas, Política
A 13ª Conferência da Convenção de Mudança Climática das Nações Unidas pouco avançou, pois os países desenvolvidos não chegaram a um consenso quanto à fixação de metas concretas para conter a emissão de gases do efeito estufa a partir de 2012.
EUA , Japão e Canadá se recusaram a aceitar metas e a decisão foi empurrada para uma próxima reunião no ano de 2009 em Copenhague.
Com isso, num balanço global, o mundo ficará mais defasado do que já está em relação às metas do Protocolo de Kyoto.
Além dessa dificuldade existe uma questão relativa a florestas nativas que foi mal resolvida. Essas, pelo fato de não atenderem ao critério da adicionalidade não podem gerar créditos de carbono.
A adicionalidade está relacionada com a absorção de CO2 gerada pela implantação de projetos novos. Ou seja a mata nativa já existe e a absorção de carbono existe naturalmente. Essa é uma idéia equivocada.
A grande maioria das florestas nativas se encontra em países pobres ou emergentes. Os países ricos já devastaram as suas e indiretamente as transformaram em riquezas e desenvolvimento
Essa seria uma oportunidade de criar um mundo mais justo e conter o aquecimento global. Porém os países ricos se negam a aceitar qualquer negociação que os leve a trocarem valor agregado de produtos industrializados por créditos de carbono oriundos de florestas nativas de países pobres.
É um contra-senso. Se as florestas forem devastadas para posterior reflorestamento dessas áreas, aí os créditos de carbono seriam negociáveis.
A verdade é que os países ricos, numa demonstração inédita de irresponsabilidade e ganância, estão brincando com o destino da humanidade.
As mudanças climáticas são uma realidade que vêm se revelando de forma mais assustadora que as previsões feitas há cinco anos atrás. O degelo das calotas polares, assim como outros sintomas já são visíveis mesmo para o leigo e compõem a pauta diária de jornais no mundo inteiro.
Os países pobres sempre foram expropriados de suas riquezas e essa é a razão de terem permanecidos pobres. Os países ricos sempre exploraram os países pobres e parte do poder e riqueza por eles conquistados tem origem em recursos naturais de países pobres.
É lamentável que países ricos e a própria Organização das Nações Unidas não adotem uma postura mais ética, nem mesmo estando o planeta a beira de um colapso climático de conseqüências inimagináveis.
Países ricos continuam buscando meios de enriquecerem às custas de países pobres. Fica claro mais uma vez, que a Organização das Nações Unidas nada mais é do que uma farsa e objeto de manobra de países ricos.
Se houvesse o real interesse humanitário e seus objetivos de erradicação da miséria fossem verdadeiros, essa seria a oportunidade de apresentar uma proposta decente na qual países pobres que preservaram florestas nativas, passassem a vender créditos de carbono pelo simples fato das florestas existirem e efetivamente seqüestrarem carbono da atmosfera.
Para os países ricos essa proposta é inaceitável por uma única razão. Permitiria a países pobres alavancarem recursos fora do sistema financeiro e de produção ligada a tecnologia de ponta, monopólio de ricos, quebrando uma relação de explorados x exploradores vigente desde o período colonial.
Nesse cenário, os países pobres teriam condições de se desenvolverem o que tornaria o mundo mais justo, porém acabaria com o confortável desequilíbrio de poder que vige.
Tudo leva a crer que o planeta precise passar por um desastre de proporções pré-históricas para colocar a humanidade em cheque. Talvez então surja uma consciência global que permita construir um mundo mais justo.
É trágico pelo sacrifício que será imposto a parte da humanidade.
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