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15/12/07 – Estelionato político.

Em 15 de dezembro de 2007 às 12:47 | por Bruno Engert Rizzo | 484 leitura(s)
Atuação de parlamentares, Brasil, Opinião, Política

Atualmente mais da metade das manchetes dos jornais abordam assuntos ligados à corrupção na política, a omissão ou negligência do poder público.

Verdade seja dita, essas mazelas não são exclusividades brasileiras. Existem no mundo inteiro com maior ou menor intensidade.

Só que as nossas doem na própria carne. Está mais do que na hora de iniciar um processo de depuração.

Aqui cabe uma comparação.

Quando se pega um encarte de jornal com promoções de produtos e serviços, ali estão estampados, preços, condições e características da oferta.

Ao comprar um produto ou serviço, até o encarte tem força de contrato. Ou seja, tudo que está anunciado deve corresponder fielmente à verdade.

Tanto o mau funcionamento, como defeitos ou produtos em desacordo com a propaganda, permitem ao consumidor troca-los ou até reaver o dinheiro. Havendo dano colateral, cabe também uma ação indenizatória.

O mesmo se dá com serviços, onde contratos amarram não só o preço, mas também a especificação e garantias.

Tudo isso vale para o bem de consumo mais barato, até bens imóveis ou serviços caros e especializados. Atualmente no Brasil o consumidor está bem amparado no que diz respeito à salvaguarde de seus direitos.

Entretanto, na política que é algo muito mais sério, pois, afeta não apenas nossas vidas, mas também as gerações futuras, tudo é um grande estelionato.

O candidato promete o que lhe convém, sem qualquer responsabilidade quanto às conseqüências ou à possibilidade de realizar o prometido. A propaganda veiculada é uma peça fantasiosa que não tem qualquer valor. Nela candidatos implicados até em crimes, aparecem travestidos de beneméritos bem feitores da humanidade.

Se após eleito o ex-candidato, agora político legitimado pelo voto mudar de opinião ou mesmo alterar o comportamento, praticando delitos ou atos lesivos aos interesses daqueles que o elegeram, nada acontece. Se não cumprir o prometido, não há satisfações a dar ou contas a prestar.

Um representante é escolhido em função de suas características e promessas, que pelo eleitor são vistas como compromissos. Caso este representante venha a alterar seu “contrato” para com o eleitor, nada pode ser feito, a não ser lamentar ou no máximo deixar de votar naquele político em eleições subseqüentes.

Esse é uma das razões da degradação da política. Nada funciona sem que exista uma amarração quanto à responsabilidade, a obrigação de fazer e mesmo a punição por não fazer o “contratado”.

Na prática estamos diante de um grande estelionato. É incompreensível que no tocante ao consumo de produtos e serviços sejamos tão exigentes e naquilo que é mais importante, ou seja, nosso destino, o de nossos filhos e da nação, sejamos tão tolerantes e mesmo negligentes.

Isso precisa mudar!

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