16/12/07 – Ébola, terrorismo e humanidade.
Brasil, Defesa Civil, Opinião
Mais uma epidemia de Ébola eclodiu e já matou 32 pessoas e infectou outras 120 em Bundiburgyo, Uganda, na África.
Não fosse o Ébola um vírus tão letal e de uma morte tão pavorosa, a questão poderia ser tratada apenas como uma epidemia local.
Contudo, esse virus tem características que num mundo atual representam um risco muito elevado de desastre humanitário de proporções inimagináveis.
O contágio se dá pelo contato direto com secreções e sangue infectados e a letalidade varia de 50% a 90% dependendo da estirpe do vírus.
O mundo vive hoje uma situação caótica de conflitos assimétricos nos quais grandes potências militares e grupos étnicos e terroristas, estão em campos opostos.
Esse é o grande risco que põe em cheque o mundo todo. Mesmo países que se mantém neutros em relação ao jogo de interesses desses contendores estão sob ameaça.
Os conflitos são travados principalmente no campo da inteligência e vez por outra em forma de atritos, guerrilhas ou atentados.
O vírus Ébola, assim como o Marburg, entre outros, representam alto risco para a humanidade, principalmente se houver um ato planejado para sua disseminação.
Até então o combatente suicida tem sido apenas o vetor de bombas que explodem em centros urbanos, alvos selecionados ou áreas de aglomeração de público.
Nada impede que o suicida seja vetor de um vírus como o Ébola e dentro de um avião com escala em algum grande aeroporto com conexões para o país alvo, espalhe fluido contaminado.
O atentado com um agente infectante preenche todos os requisitos desejados pelo terrorista. Tem um custo baixo, espalha o terror, impõe prejuízos e danos de grande monta ao inimigo e é difícil de ser rastreado.
Por todos esses aspectos, é fundamental que o incidente de epidemias como essa, seja tratado como uma ameaça global.
As províncias onde foram detectados caos de infecção, deveriam ficar sob toque de recolher e quarentena. A Organização Mundial de Saúde precisa envidar esforços para controlar a epidemia o mais rápido possível. Além disso, é importante que exista um controle rigoroso da queima dos cadáveres.
Além disso, é fundamental que organizações de Defesa Civil tenham protocolos para lidar com uma situação de uma eventual eclosão de epidemia. Devido a necessidade de agir rápido adotando uma série de medias que podem demandar operações envolvendo múltiplos meios, é fundamental que todos os procedimentos tenham sido previamente planejados e que todos os integrantes do sistema de resposta tenham conhecimento do protocolo e de seu papel.
A inexistência de protocolos tornará a resposta a uma eventual epidemia caótica, pois haverá conflitos entre componentes do sistema e muitas das ações de resposta ficarão altamente prejudicadas.
Infelizmente a humanidade tem mostrado que seu lado negro está cada vez mais forte. Enquanto não se construir um mundo mais justo, de tolerância e respeito ao próximo, viveremos sob um permanente estado de ameaça.
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