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22/12/07 – Projeto Crivella: campanha política com recursos públicos.

Em 22 de dezembro de 2007 às 10:53 | por Bruno Engert Rizzo | 996 leitura(s)
Brasil, Favela, Geral, Meio Ambiente, Opinião, Politicas Públicas, Política

O Rio de Janeiro, assim como as grandes capitais do país estão sendo transformados em guetos às avessas.

Sucessivos governos populistas com políticas de “deixar fazer”, “kit construção”, “favela bairro” e outras barbaridades que atentam contra a própria legislação de uso do solo, têm incentivado a expansão de favelas de forma absolutamente criminosa, sem qualquer compromisso com o futuro.

Com isso, favelas vêm se expandindo e cercando os núcleos urbanizados tornando-os bairros sitiados ou guetos, onde a classe média acuada tenta sobreviver fugindo de balas perdidas e se submetendo às vontades do Estado paralelo, que já está instalado e dita leis acima daquelas que vigem no Estado Brasileiro.

Nesse cenário surge o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e senador Marcelo Crivella, que, dizendo-se preocupado com a deterioração do centro urbano escreveu artigo no O GLOBO de 22/12/07 argumentando:

“Imaginem, se nada for feito de concreto, o que será de nossa cidade dentro de vinte ou trinta anos! Não é óbvio que a degradação urbanística e sanitária acabará nos afogando a todos, ricos e pobres?”

Com isso tenta justificar seu projeto demagógico que na prática é um incentivo a degradação que ele alega querer combater, pois pretende “melhorar as condições de vida de quem está lá” (nas favelas), fazendo reformas em alguns dos barracos.

O projeto pelo qual serão gastos alguns milhões de reais e envolve o Exército Brasileiro numa missão que está fora de suas atribuições, é mais um dessa série nefasta que tem contribuído para destruir cidades brasileiras e fortificar as posições do crime organizado.

Como engenheiro, o senador deveria saber que uma favela é uma aberração que atenta contra a dignidade e contra a cidade, pois agride o meio ambiente, deteriora toda infra-estrutura, além de ser reduto e QG de organizações criminosas.

Se a preocupação do senador fosse realmente fazer algo em prol do futuro da cidade como alega, não apresentaria um projeto eleitoreiro que só vem a legitimar aquilo que é ilegal e beneficia seus apaniguados, em detrimento de toda cidade do Rio de Janeiro.

É precisamente essa política medíocre, cujo objetivo é comprar eleitores através de benefícios inconseqüentes, que está arruinando as cidades brasileiras.

A verdade é que o miserável que habita em favelas, é um voto mais fácil de ser comprado.

Apresentar um projeto político que efetivamente leve a um benefício para o país e para o futuro da nação, é trabalhoso, demanda capacidade técnica e intelectual, mas principalmente, pode vir acompanhado de medidas impopulares necessárias para disciplinar o caos que reina. Por isso poucos se aventuram a fazê-lo.

A questão das cidades é complexa, pois, implica em desenvolver um planejamento multidisciplinar com medidas que certamente encontrarão grande resistência do crime organizado e daqueles que o apóiam ou se beneficiam do caos que reina onde não existem leis ou regras. Além disso, projetos sérios trazem poucos resultados imediatos, o que torna a idéia pouco atrativa para politiqueiros que apenas buscam votos para conquistar mais uma posição na escalada política, de preferência nas próximas eleições.

Por outro lado, é fácil gastar recursos públicos para agradar miseráveis, dando-lhes qualquer benefício, ainda que tal represente violar a lei e venha a comprometer ainda mais o futuro da cidade.

O senador alega que colheu assinaturas favoráveis ao seu projeto dentro da favela. Só pode estar debochando do restante dos habitantes da cidade. É ridículo e dispensa mais comentários.

Talvez não esteja claro para todos, que é exatamente esse o pacto medíocre que vem arruinando as cidades e deveria ser barrado pelo eleitor mais consciente.

A solução para cidades como o Rio de Janeiro só virá através de grandes intervenções urbanas, baseadas em projetos consistentes e de longo prazo. É necessário criar políticas sociais, habitacionais e urbanas que no longo prazo permitam erradicar favelas.

Para isso o primeiro passo seria precisamente barrar o avanço de favelas e não incentiva-las ou subvencionar sua manutenção e expansão.

É de se estranhar que o senador tão preocupado com o futuro das cidades proponha um projeto eleitoreiro que beneficia habitantes de uma favela da cidade do Rio de Janeiro. Por mera coincidência num ano de eleição de prefeitos. Por mais coincidência ainda, na cidade onde pretende se candidatar a prefeito.

É certo que os votos daqueles que foram beneficiados já estão comprados e que possam ser computados a favor do senador candidato a prefeito.

Os demais eleitores talvez percebam a real intenção do senador Crivella e possivelmente lhe neguem votos exatamente pelo fato de não ter compromisso com o futuro da cidade e sim com o pacto medíocre anteriormente mencionado.

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2 Respostas para “22/12/07 – Projeto Crivella: campanha política com recursos públicos.”

  1. ABRAHAO escreveu:


    MEU AMIGO BRUNO, É UM GRANDE ERRO VOCÊ FALAR QUE É UMA ABERRAÇÃO AS FAVELAS, DÁ A ENTENDER QUE VOCÊ É DE UMA CLASSE EXTREMAMENTE SOBERBA E DE REPÚDIO AO POBRE. AS FAVELAS É UMA CONSEQÜENCIA HISTÓRIACA, O CRIME ORGANIZADO É CONSEQÜENCIA DA NOSSA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.


  2. Bruno Engert Rizzo escreveu:


    O autor do artigo é radicalmente contra o preconceito e o discurso populista de políticos medíocres que querem dividir o Brasil entre pobres e ricos ou brancos e negros para capitalizar votos. Para o autor são todos brasileiros.

    Contudo existe atualmente uma divisão muito clara que não tem relação com pobreza, riqueza, etnia ou crença religiosa.

    A sociedade brasileira está dividida entre cidadãos de bem honestos que respeitam a lei e o resto. Nessa última classe estão bandidos, políticos corruptos e todos aqueles que desrespeitam a legislação que vige no país.


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