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25/12/07 – Milícias: futuro em risco.

Em 25 de dezembro de 2007 às 9:27 | por Bruno Engert Rizzo | 506 leitura(s)
Brasil, Crime organizado, Desgoverno, Opinião, Politicas Públicas, Segurança Pública

O jornal OGLOBO de 25/12/07 traz uma notícia inquietante sob o título: Milícia expande “negócio” e abre casa de jogos.

O crime, que desde a década de 70 está se profissionalizando, deu um passo importante sem que se percebesse a gravidade e ameaça que isso representa para a sociedade.

O crime até recentemente, era dominado por facções ligadas predominantemente ao tráfico de drogas. Essa facções na última década, se transformaram em corporações com contatos no exterior e ramificações em todos os segmentos da sociedade.

Mas até então seus líderes tinham uma característica que as impedia de dar passos mais largos. Quase todos os líderes eram ignorantes e mal letrados.

Aqueles que tiveram um pouco mais de instrução logo se destacaram como grandes lideranças no mundo do crime.

O surgimento de milícias com as características dessas que aqui estão surgindo, representa a evolução do crime organizado.

Ainda que nesse momento essas milícias não tenham ganhado manchetes quanto o risco que representam, se nada for feito, em breve serão mais lesivas ao Estado e à sociedade que as facções que predominam.

As milícias que vêm conquistando terreno são comandadas por policiais, bombeiros, agentes penitenciários e ex-militares. Seu poder ofensivo será em breve muito superior aquele das atuais organizações. As facções criminosas atuais têm poder econômico, compram armamento de uso exclusivo da forças armadas de altíssimo poder ofensivo, mas não têm o conhecimento necessário para seu emprego. Essa deficiência já não existe nas milícias. Muito pelo contrário.

Seu crescimento e a asfixia das facções que ainda predominam são, portanto, questões de oportunidade e tempo.

As milícias já exploram taxas de segurança e serviços ilícitos diversos dentro de favelas, o fato de estarem entrando no ramo do jogo é um sinal que deveria ser interpretado pelas autoridades como mais um alerta de uma barreira transposta.

A exploração do jogo é uma ponte para outras atividades que permitem formar uma rede para lavagem de dinheiro.

Além disso, pelo fato das milícias aqui serem comandadas por pessoal com formação militar e relações altamente promíscuas com a força policial do Estado, lhes dará uma vantagem impar.

Por último, cabe lembrar que hoje a maioria dos milicianos são cabos, soldados e sargentos. Recentemente foi preso um capitão do exército supostamente envolvido com uma milícia. Logo virão oficiais com formação superior e esse será o passo definitivo para profissionalizar o crime.

O governo está permitindo que a cobra se crie. Em breve perderá o controle por completo da situação. A segurança pública que hoje beira o caos se transformará numa guerra civil.

Seremos um cidade sitiada com um povo absolutamente refém e uma polícia imobilizada diante do poder e da infiltração do crime organizado no Estado.

A questão do crime organizado tem dimensão nacional e demanda uma política de segurança publica bem planejada e executada num período de mais de um governo.

Qaundo as autoridades acordarem talvez seja tarde para uma solução sem uma convulsão social.

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