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26/12/07 – Falência do ensino e destruição do futuro.

Em 26 de dezembro de 2007 às 6:20 | por Bruno Engert Rizzo | 258 leitura(s)
Brasil, Desgoverno, Educação, Opinião, Politicas Públicas

Educação e ensino formam a base para o desenvolvimento em qualquer lugar do mundo.

Os países que perceberam isso e investiram no ensino de qualidade, rapidamente deram um salto no desenvolvimento.

O exemplo mais simbólico é a própria China que em 1976 emergia do período de trevas da Revolução Cultural e hoje desponta como potência que ameaça a hegemonia dos EUA. Tudo graças a um programa que teve inicio há pouco menos de 30 anos com objetivo de formar indivíduos altamente capacitados para dar um salto tecnológico e dar sustentabilidade técnica ao crescimento.

Na China formam-se atualmente 1.000.000 de graduados em carreiras tecnológicas por ano, enquanto no Brasil esse número não chega a 100.000. Os números mostram grande diferença quantitativa, mesmo considerando a relação com a população de cada país. Mas existe também uma diferença na qualidade, o que nos distancia mais ainda da China.

No Brasil os governos têm sido irresponsáveis e têm relegado o ensino a uma prioridade secundária.

Primeiro a rede de ensino público foi sucateada. Com isso, o comércio do ensino particular ganhou um grande impulso.

Mas o governo não soube nem mesmo regulamentar o ensino da rede privada. As universidades privadas vomitam diplomados que saem tão despreparados quanto entraram, mas são barrados pelo mercado de trabalho.

Todo ensino entrou numa espiral decadente e o resultado é a falência do sistema. Alunos são empurrados como se estivessem num fila que precisa avançar, independente de estarem ou não atingindo objetivos.

Na verdade, o objetivo que deveria ser formar indivíduos foi deturpado. Os objetivos fundamentais para o governo passaram a ser matricular e diplomar. Como se essa estatística ajudasse a desenvolver o país.

Ter um diploma do ensino médio atualmente não representa uma garantia que o indivíduo saiba ler e interpretar o que leu. Também não significa ter capacidade para resolver problemas elementares de matemática, como não é garantia de ter uma base em história, geografia, biologia, química ou física.

Os exames do ENEM e da OAB são uma amostra que bem representam à falência do sistema como um todo. Não apenas da rede pública, mas também da rede privada em todos os níveis.

Algumas escolas buscam a excelência de forma absolutamente autônoma. Mas o acesso a elas é um privilégio de poucos.

O fato é que esse sistema falido gera anualmente uma imensa massa de indivíduos com poucas chances de se colocar no mercado de trabalho ou mesmo continuar estudando.

O governo assessorado por pseudo-pedagogos imaginou uma forma cômoda de enfrentar o problema.

Criou um sistema de cotas que garante o ingresso de indivíduos despreparados no ensino superior. Além disso, criou programas como primeiro emprego e outras inutilidades que só fomentam a indolência e a ignorância.

Como o mercado de trabalho faz uma seleção natural, indivíduos mal formados não conseguem empregos, a não ser em funções que não demandam qualificação.

Na prática esse sistema gera uma multidão de indivíduos sem perspectivas de evolução na vida e alvos fáceis do mercado de emprego informal, do submundo ou até do crime organizado.

A próxima solução brilhante talvez seja criar um sistema de cotas para empurrar profissionais mal formados para dentro do mercado de trabalho, quebrando de vez o serviço público e levando ineficiencia às empresas.

O Brasil necessita de mão de obra para alavancar o crescimento, mas continua marcando passo. Já estamos importando mão de obra, o que é um absurdo sob todos os aspectos. A inexistência de qualquer planejamento e de políticas públicas tem formado grandes vazios no mercado trabalho que cada vez mais precisa de profissionais bem formados e experientes.

Não há como alavancar o desenvolvimento sem mão de obra qualificada.

Além disso, está sendo criado um fosso social entre os poucos privilegiados que têm acesso a um ensino de qualidade e o restante da população. Essa desigualdade já mostra sérios desdobramentos na área social, na segurança pública e em outros segmentos.

A questão da segurança pública, por exemplo, está intimamente relacionada com a questão do ensino de qualidade. Enquanto o ensino representar negação do futuro do cidadão, a segurança pública não terá solução.

Será tão difícil perceber tudo isso? Como um país com 1,3 bilhão de habitantes e com proporcionalmente menos recursos deu um passo tão grande? Por que somos incapazes de fazê-lo?

Não percebem nossos governantes que com essa política estão deliberadamente destruindo o futuro da Nação?

É lamentável que aqueles que hoje agem de forma tão irresponsável e negligente, não possam ser responsabilizados pelo mal que estão fazendo ao país e às próximas gerações.

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