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30/12/07 – Crime organizado. O futuro a ti pertence?

Em 30 de dezembro de 2007 às 11:33 | por Bruno Engert Rizzo | 731 leitura(s)
Atuação de parlamentares, Brasil, Corrupção, Crime organizado, Opinião, Política

O crime organizado tem dado indícios de uma rápida profissionalização.

Os efeitos para a sociedade já se mostram devastadores e o pior está por vir. Contudo, governos e autoridades de segurança pública continuam tratando o assunto com suspeito amadorismo como se tudo se resumisse a  ocorrências policiais.

Há décadas a situação vem se deteriorando com o crime dando mostras diárias que sua estrutura tem tentáculos longos que vão muito além do domínio de morros e favelas.

O momento em que as facções se instalaram no morro abrindo entrepostos e pontos de venda de drogas foi o ponto de mutação do crime. Essa mudança deveria ter sido percebida e interpretada de forma correta, pois ensejava uma mudança no rumo da política de segurança pública. Combater crime organizado demanda trabalho de inteligência e operações coordenadas.

Na realidade, até hoje existe um grande equívoco quanto ao que seja uma política de segurança pública. Sucessivos governos têm optado por tratar a questão da segurança como crime comum que pode ser combatido com operações isoladas reduzidas a incursões aos morros.

O fato é que o primeiro sinal da evolução do crime foi negligenciado. Assim também aconteceu com os sinais que se sucederam.

Os passos seguintes foram armar o braço combatente, diversificar os negócios e buscar alianças transnacionais. Na última década foram dados mais alguns passos importantes como a cooptação de ex-militares para treinar a “tropa”.

Em breve, polícia e população perceberão as conseqüências do emprego de armas que até então foram apreendidas sem uso e de táticas que até então só as forças armadas conheciam.

O fenômeno do surgimento de milícias foi o passo seguinte, que também está sendo menosprezado. As milícias representam à contaminação do funcionalismo público no setor mais nevrálgico naquilo que diz respeito ao combate ao crime. São policiais, bombeiros e agentes penitenciários que de um lado estão dentro da estrutura de segurança pública e do outro atuam na exploração de atividades ilícitas e no crime.

Agora têm surgido cada vez mais políticos, juizes e funcionários ligados ao crime organizado.

A prisão recente dos vereadores Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho (PMDB-RJ), de Josinaldo Francisco da Cruz, o Nadinho (DEM-RJ) e a denúncia do deputado estadual Natalino José Guimarães (PMDB-RJ) são indícios que precisam ser interpretados como algo muito grave. Principalmente quando esses indivíduos, mesmo após acusados de crimes, continuam gozando de simpatia e apoio de seus colegas e de outros políticos, dentre eles o próprio prefeito do Rio.

Essas prisões não foram as primeiras e não podem ser vistas ou tratadas como fatos isolados.

São a prova definitiva que o crime organizado já está altamente infiltrado na sociedade e na própria administração do Estado.

Da forma como o assunto tem sido tratado, em breve teremos um Estado a serviço do crime com uma sociedade completamente refém.

Não se trata apenas de ser refém como já somos atualmente, quando criminosos interditam a cidade com tiroteios e arrastões. É muito mais grave seremos cidadãos reféns de um Estado a serviço do crime organizado.

O passado recente permite ver claramente a forma equivocada com a qual a segurança pública foi conduzida. A continuidade dessa política nos deixa a dúvida: a quem pertence o futuro?

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