01/01/08 – Reveillon e rendição do Estado
Brasil, Crime organizado, Opinião, Politicas Públicas, Política
Meia noite de 31 de dezembro. Data em que muitas pessoas gostariam de estar na praia de Copacabana para assistir ao espetáculo da queima de fogos.
O evento é mundialmente famoso e há quem diga que seja uma emoção insuperável.
Talvez realmente seja. O espetáculo pirotécnico somado a beleza natural do Rio de Janeiro, transformam a paisagem numa verdadeira obra prima.
Mas o Rio de Janeiro é muito mais que uma cidade de relevo e geografia exuberantes onde em 31 de dezembro se comemora o reveillon com uma estrondosa queima de dezenas de toneladas de fogos.
O Rio de Janeiro é uma cidade refém do crime e de outras mazelas, onde vivem mais de seis milhões de habitantes.
O crime organizado tem aterrorizado a população e o Estado tem se mostrado incompetente ao extremo para encontrar uma solução que restaure a ordem e proporcione segurança ao cidadão.
Apesar da polícia e de autoridades não admitirem, somos uma cidade refém do crime. Algumas áreas têm legislativo, executivo e judiciário próprios. Além disso, a inexistência de uma política de segurança pública tem levado à expansão de domínios do crime organizado.
Balas perdidas encontram destinatários em qualquer ponto da cidade, até mesmo na praia durante o tão festejado reveillon.
A situação mostra que o poder do crime organizado já sobrepujou a capacidade do Estado de retomar o controle com o simples emprego da força policial.
Diante de todo esse quadro os organizadores do reveillon do Rio de Janeiro, elegem o funk, “música” símbolo do crime organizado, a “música” oficial de um dos eventos mais importantes da cidade.
Jornais de primeira linha exaltam a escolha com manchetes como “O Pancadão do reveillon em Copacabana” e “Ano Novo já chega dominado”.
A sociedade não repudia, muito pelo contrário aplaude.
Será que ninguém percebe o que isso significa?
O crime organizado já sobrepujou o Estado, se infiltrou na sociedade e na administração pública tendo representantes no legislativo, executivo e judiciário. Agora ganha terreno na cultura.
Eram tantas as opções. Samba, música popular brasileira, música clássica ou qualquer outra cujas letras não sãejam apologia ao crime ou que não atentassem contra a moral e bons costumes. Ainda que especificamente nesse evento não tenham tocado funk com suas características mais negativas, a escolha foi equivocada, desprovida de visão de Estado e pautada pelo populismo.
Na prática, organizadores e todos os aqueles que aplaudiram a escolha, ou não se manifestaram contra, estão cedendo espaço a uma expressão cultural associada ao crime.
O crime organizado e tudo que o representa são inimigos do Estado e da sociedade. Não se trata de censura, nem de afirmar que todos que gostam de funk sejam simpatizantes do crime, muito menos de discutir o valor artístico do funk. A questão é que o Estado deveria ser mais cauteloso e não deveria promover e incentivar a expansão de uma expressão cultural, símbolo do crime organizado.
Temos criticado o Estado exatamente por não ter uma Política de Segurança Pública que vá além de operações de ocupação de morros para apreensão de armas e drogas.
O inimigo tem poder, representatividade dentro da sociedade civil e sua própria cultura.
Ceder espaço em qualquer frente representa aumentar sua influencia e enfraquecer a própria posição.
Quando governo e sociedade acordarem, talvez seja tarde.
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31 de março de 2010 às 10:33
Na minha opiniao.. achei ignorante a sua associação do funk a uma musica simbolo do crime organizado...
Não é o crime organizado ganhar cultura nem nada disso..
Antes do crime organizado.... o funk estava la...
Originalmente criado com letras que brigavam pelos seus direitos que nunca foram oferecidos pelo estado e tendo como consequencia oq estamos vendo hoje !
"Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela em que eu nasci, e poder me orgulhar, e ter a conciencia que o pobre tem seu lugar !"
Sim... como o funk eh musica de "pobre", vamos botar assim entre aspas... É associado ao crime, oq não é verdade, pq nem 1% dos moradores das favelas estao ligados ao crime...
E alem disso... esses 1% que estao na criminalidade, são apenas fantoches, que ganham relativamente pouco, trocam tiros com policiais, morrem, botam a cara, tudo a procura de uma melhora de vida...
Enquanto os verdadeiros "DONOS" dessas facções, que tem uma instrução muito superior, e capazes de fazer comercio internacional de armas e drogas... Moram em coberturas de frente pra praia de copacabana e ipanema.