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02/01/08 – Promessas, discursos e traição.

Em 02 de janeiro de 2008 às 10:15 | por Bruno Engert Rizzo | 181 leitura(s)
Brasil, Opinião, Política

Pouco antes da virada do ano o Senado votou contra a prorrogação da CPMF, impondo ao governo uma derrota política e uma obrigação de disciplinar despesas.

Nos meses que precederam a votação no Senado, Lula e a base aliada fizeram discursos inflamados defendendo a importância da prorrogação da CPMF e de forma ostensiva chantagearam a população, prefeitos, governadores e congressistas.

Tudo em vão. A CPMF caiu. Logo em seguida, Lula e seus ministros trataram de explorar o fato. Em tom de justificativa e punição, cinicamente alardearam aos quatro ventos que em decorrência daquele corte de verbas a saúde ficaria precária. Como se em algum momento da existência da CPMF o sistema de saúde tivesse funcionado.

Mas nesses mesmos discursos Lula mantendo seu estilo de muito falar e de forma inconseqüente prometer, minimizou a perda política e garantiu à população que não aumentaria nem criaria impostos para compensar a perda da CPMF.

Poucos dias depois os jornais estampam um pacote de medidas, com aumento de alíquotas de impostos vigentes, que analisado nas entrelinhas representa uma tributação mais pesada que a própria CPMF.

O adjetivo que bem define esse tipo de atitude e pessoa não é publicável, principalmente quando se trata de um presidente da República. Não tanto pela pessoa desprezível, mas sim pelo cargo que ocupa.

Mas o pior da história é a passividade com a qual mídia, povo e oposição receberam tudo.

A oposição deveria ter reagido, pois o que presidente fez, foi burlar uma decisão do Senado.

A mídia deveria ter reagido, pois seu papel é informar e esclarecer.

O povo deveria ter reagido, pois ao final da história é ele que arca com o pagamento da conta.

Mas todos aceitaram.

Impressiona a capacidade do presidente Lula de fazer discursos vazios e, tal qual um estelionatário, prometer para agir na contramão das promessas. Mais surpreendente ainda, é o fato de, segundo as pesquisas, passar incólume com o prestígio inabalado.

Talvez o errado seja este que, em protesto solitário, escreve.

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