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03/01/08 – Ainda os famigerados cartões.

Em 03 de janeiro de 2008 às 10:43 | por Bruno Engert Rizzo | 118 leitura(s)
Brasil, Corrupção, Desgoverno, Opinião

A melhor analogia que se pode fazer do atual governo é um lodaçal onde foram desovados cadáveres.

A cada bolha de gás podre que sobre, eclode mais uma crise e vez por outra emerge um cadáver putrefato, que denuncia fraudes, má gestão ou outros crimes.

O país vive uma crise contínua e o povo parece estar anestesiado e insensível ou talvez desesperançoso de qualquer mudança de rumo.

Crimes e delitos que para nós seriam graves, para o governo são tão insignificantes que muitas vezes nem chegam a ser comentados ou são tratados de forma mais branda que uma subtração de um pacote de manteiga da prateleira de um supermercado.

Quando algumas situações ganham dimensão de escândalos imorais, eclodem crises que o governo tem administrado de forma passiva e tranqüila.

Lula percebeu que mais vale o silêncio ou mesmo insistir na mentira de forma despudorada e continuar fazendo discursos sobre um Brasil virtual, maravilhoso em todos os aspectos. Desde  a saúde ótima até segurança pública excelente e o ensino quase perfeito.

Assim tem agido de forma a transformar tudo aquilo para nós é imoral, criminoso e abjeto, em pequenos deslizes ou enganos irrelevantes. Já chegou a comparar seus subalternos a filhos que de vez em quando fazem artes.

Seu prestigio, conquistado a base de programas medíocres de distribuição de benefícios e perpetuação da miséria entre as classes mais pobres, continua inabalado. Apesar de todas as ilegalidades no próprio programa com recursos sendo distribuidos sem critério ou fiscalização.

Os miseráveis, que mal lêem ou escrevem e precisam pensar como vão sobreviver hoje, talvez nem consigam compreender o que seja nação, país e futuro de seus próprios filhos. Vivem o dia de hoje num mundo doméstico e o fazem à margem da realidade do país e de acontecimentos políticos. Só conseguem compreender que Lula é “bonzinho” pois tem ajudado na sobrevivência.

Com isso, a crise dos cartões de crédito corporativos governamentais, que como todas as outras crises é imoral, vai se resolver com a demissão de uma ministra sem que esta chegue a ser tratada como desonesta.

O que essa ministra, os demais usuários desses cartões e mesmo Lula cometeram, é no mínimo apropriação indébita ou peculato a assim deveria ser tratado.

Aqui é interessante ressaltar o cinismo dessas pessoas tão despreparadas e desprovidas de qualquer moral ou ética para assumir cargos públicos.

Todos dizem que agem de forma transparente, apesar das provas materiais apontarem no sentido oposto. Além disso o Estado tem sido leniente na questão da apuração e extremamente benevolente na penalização. Haja visto os exemplos recentes de Sílvio Pereria, José Dirceu, Marcos Valério e tantos outros que praticaram crimes, estão soltos e pior continuam articulando interesses nos bastidores do poder ou usufruem do patrimônio ilegalmente amealhado.

Agora Lula, percebendo que essa crise pode envolver seu nome diretamente, resolveu acabar de vez com a transparência e ordenou que as contas não sejam mais publicadas, além de tentar enterrar uma CPI que, essa sim, traria a verdade à tona.

Na realidade se todos os delitos e ilegalidades praticados por Lula e sua equipe fossem tratados a altura daquilo que realmente representam, chegaríamos a triste conclusão que parte do país está nas mãos de quadrilhas ou franco-atiradores cujos objetivos são esbulhar a nação das mais variadas formas.

Uma parcela grande da população está alienada e não se importa com a nação ou mesmo com o futuro das próximas gerações.

Outra parte percebe o caos, se revolta, mas pouco interfere no rumo dos acontecimentos, pois o cidadão individualmente é impotente diante do Estado.

Entretanto, existe uma minoria, que apesar de fraca, tem lutado por dias melhores.

Nós somos uma parte insignificante dessa minoria e exigimos que todos os crimes e atos ilícitos sejam tratados como tal. Queremos uma investigação ampla que começe pela ministra Matilde Ribeiro e que mostre claramente quem mais usou indevidamente os cartões de crédito corporativos indevidamente. Exigimos que aqueles que cometeram abusos sejam punidos com todo o rigor da lei e não como se tivessem subtraído um pacote de manteiga de uma prateleira de supermercado.

Com a palavra o Ministério Público.

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