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10/01/08 – Teatro e (in) segurança pública.

Em 10 de janeiro de 2008 às 6:16 | por Bruno Engert Rizzo | 673 leitura(s)
Brasil, Desgoverno, Opinião, Politicas Públicas, Segurança Pública

As estatísticas do crime no Rio de Janeiro são desanimadoras. Apesar da sub-notificação, e de diversas tentativas de mudanças de critérios para apresentação de números mais palatáveis, o crime é mais forte e as estatísticas só crescem.

A escalada é visível, não só pela natureza das ocorrências, como também pela quantidade de crimes que ocorrem.

Não é preciso ir longe para lembrar que em plena noite de 31 de dezembro, quem assistiu ao espetáculo de fogos na praia de Copacabana, viu também munição traçante rasgando o céu como se fosse uma cena de guerra noturna em Bagdá ou no Vietnam.

Apesar do visível recrudescimento do crime, não existe uma política de segurança pública. O máximo que as autoridades conseguem conceber são ações teatrais para ganhar mídia e encobrir o desastre que é a segurança pública nos grandes centros urbanos.

Não faltam idéias estapafúrdias e inócuas que mais parecem piadas. As autoridades perderam o bom senso e já não distinguem o ridículo, o absurdo ou a arbitrariedade.

Um exemplo típico foi à proibição de venda de éter sulfúrico utilizado em hospitais, mas também no refino de cocaína. O resultado é que não se encontrou um produto que substitua o éter naquilo que era necessário em hospitais e a cocaína continua sendo refinada e vendida como nunca, pois o crime organizado continua tendo acesso ao insumo, apesar da proibição.

Outro exemplo recente é esse da proibição do carona na motocicleta, sob a alegação que motos com duas pessoas são empregadas em assaltos. No Grande Rio, existem centenas de milhares de motos circulando sem placas, com condutores sem capacetes, descalços e provavelmente sem habilitação. Essas sim são irregularidades que, se fossem fiscalizadas, levariam a uma redução dos índices de crimes.

O Estado é incapaz de fiscalizar irregularidades tão visíveis e aberrantes e agora pretende proibir genericamente o carona que é um direito legal de quem possui uma moto licenciada e está devidamente habilitado e equipado.

Se amanhã algum iluminado soprar aos ouvidos do governador que carros de quatro portas são utilizados em assaltos a estabelecimentos bancários e comerciais ou seqüestros, este provavelmente tentará proibir a fabricação e comercialização de veículos com quatro portas. Ou então, se estiver bem assessorado, decretará que as portas traseiras dos veículos existentes terão que ser soldadas com dois passes de solda.

Essa é precisamente uma das razões pela qual o crime vem ganhando espaço em cidades como o Rio de Janeiro. Não existe uma política de Segurança Pública. Existem medidas teatrais isoladas e operações policiais desconexas, que têm o objetivo de criar diversões para manter a população permanentemente esperançosa que a situação venha a reverter. Além disso, o teatro é o governo mostrando serviço.

A cada crime bárbaro, um novo discurso e outra idéia mirabolante que na maioria das vezes nem chega a ser implantada, pois todos sabem que é puro festim.

Enquanto as autoridades encararam a segurança pública como uma brincadeira de polícia e ladrão e promovem esse ridículo teatro, o crime está se instalando em bases cada vez mais sólidas.

Estamos caminhando para uma situação pior que a da Colômbia. Lá as FARCs se homiziam na selva. Aqui o crime está se instalando nos grandes centros urbanos e lançando raízes profundas na sociedade.

É lamentável que os verdadeiros responsáveis pela situação de descontrole da segurança pública não sejam responsabilizados pela negligência com a qual tem governado.

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