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11/01/08 – Brasil: trem da alegria.

Em 11 de janeiro de 2008 às 6:05 | por Bruno Engert Rizzo | 243 leitura(s)
Brasil, Corrupção, Desgoverno, Opinião, Política

Desde os primórdios da história brasileira há registros que cargos públicos eram moeda de troca.

A prática que antes era limitada a amigos e parentes, com o tempo ganhou corpo e hoje se transformou naquilo que vulgarmente conhecemos por “trem da alegria”.

Há décadas no Brasil cargos públicos se tornaram feudos para ação entre amigos e comércio de votos. Mas a prática evoluiu e hoje é quase um comércio atacadista.

A situação está se deteriorando. Antes as barganhas se davam na administração subalterna. Agora, atingem ministérios, diretorias de estatais e todo o primeiro escalão da administração pública. Os cargos passaram a ter valor proporcional aos orçamentos que representam.

Existem vários aspectos importantes que tornam o processo extremamente lesivo à nação.

Nos cargos subalternos a nomeação de amigos, parentes, companheiros ou cabos eleitorais representa uma injustiça com os demais brasileiros que também necessitam de empregos, são altamente capacitados e certamente teriam mais chances caso houvesse um concurso público, como manda a lei.

Além disso, a nomeação sem um processo seletivo, abre às portas do serviço público para pessoas despreparadas.

Outro aspecto fundamental diz respeito à competência técnica. Nomear ministros e presidentes de empresas sem experiência ou formação condizente, leva a ineficiência e a prejuízos para o país.

Isso para não mencionar a questão da corrupção. Cargos no primeiro escalão em estatais e ministérios públicos, quando geridos por indivíduos inescrupulosos, permitem drenar recursos públicos para alimentar o caixa II de partidos ou cofres privados.

Os exemplos de nomeações políticas, fruto de barganhas são muitos.

Nelson Jobim no Ministério da Defesa, Luiz Paulo Conde em Furnas, Carlos Luppi na Previdência Social, e agora o Senador Edison Lobão (PMDB- MA) para o Ministério de Minas e Energia.

Edison Lobão tem formação na área de direito e é jornalista. Nunca atuou na área de geração e transmissão de energia, muito menos na área de recursos minerais.

A situação é tão estranha que fica difícil compreender a razão da avidez do PMDB por colocar no ministério uma pessoa tão despreparada. Deve existir um motivo muito forte, que nós os brasileiros comuns, desconhecemos.

Lobão por sua vez, sabendo que pouco entende do assunto e que está assumindo uma situação de crise, já se defendeu e declarou que se faltar energia a responsabilidade é da gestão anterior. Mas pouco importa, pois havendo ou não crise, quem paga a conta é o povo.

Esse na verdade é o problema na administração pública brasileira. Aqueles que têm o poder de nomear não têm qualquer responsabilidade ou compromisso com resultados e conseqüências.

Os nomeados por sua vez também se eximem de qualquer responsabilidade.

Lobão culpou seu antecessor, mas abmos foram indicados por Lula e pertencem ao mesmo governo.

Assim, o país tem sido gerido de crise em crise exatamente pelo fato da máquina estar sendo administrada por pessoas despreparadas.

A única preocupação parece ser a garantia da participação na divisão de um butim. Daí vem à ganância dos partidos por colocar seus prepostos nos ministérios, autarquias e estatais.

Talvez isso leve muito tempo para mudar, pois a prática do loteamento da máquina pública já se tornou um problema cultural.

A mudança só virá quando a sociedade se conscientizar que precisa ser menos passiva e efetivamente cobrar que a coisa pública seja administrada com decência e competência.

Aí sim, aqueles que nomeiam se sentirão responsáveis e comprometidos. Os nomeados mais ainda.

A segunda mudança para uma evolução mais sustentável e que traga reais desenvolvimento e bem estar social, só vira com a maturidade da população para escolher melhor seus representantes.

Quando essa transformação ocorrer, o Brasil estará pronto para ser uma potência.

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