Navegação » Principal / 12/01/08 – Favelas, apenas redutos de marginais?

| Assinar RSS

12/01/08 – Favelas, apenas redutos de marginais?

Em 12 de janeiro de 2008 às 5:54 | por Bruno Engert Rizzo | 587 leitura(s)
Brasil, Crime organizado, Politicas Públicas, Segurança Pública

A recente descoberta de uma fortaleza erguida dentro dos padrões da melhor arquitetura militar defensiva numa favela, é a prova da falência do Estado.

O crime organizado tem dado demonstrações cada vez mais evidentes de sua força. Essa fortaleza é apenas mais uma prova.

Entretanto suscita uma discussão que hipocritamente, mídia, sociedade e autoridades fazem questão de não abordar.

As perguntas que não querem calar são: até que ponto as comunidades faveladas são coniventes com o crime organizado? Até que ponto são beneficiárias? Até que ponto são colaboradoras?

Não se pode generalizar. Mas alguns fatos precisam ser discutidos de forma mais clara, sem tabus.

A construção de uma fortaleza como essa que foi encontrada no alto do morro da Mangueira, é a prova de uma conivência coletiva difícil de negar.

Numa comunidade onde, todos sabem de tudo, é impossível que se construa uma estrutura com características tão especiais e desse porte, sem que as pessoas saibam a quem pertence e qual a finalidade.

Se nenhum membro da comunidade se dispôs a denunciar anonimamente a construção, o mínimo que se pode dizer é que todos sejam tolerantes ou simpatizantes com os responsáveis pela obra e por tudo que representa.

Mas esse não é o único indício suspeito. O fato de membros do crime terem trânsito livre dentro das comunidades e não serem denunciados à polícia, é outro aspecto que torna a relação da comunidade comprometedora.

Numa comunidade carente, todos sabem quem é quem e onde cada indivíduo mora. O silêncio nada tem haver com medo, pois atualmente existem mecanismos seguros para denúncias anônimas.

É mais grave do que afirmar que favelas são apenas redutos de marginais. A relação entre comunidades carentes e crime organizado está se transformando numa simbiose.

Os benefícios para a comunidade são, a imunidade legal no tocante ao respeito à legislação, proteção contra agentes da lei, facilidade e proteção para furto de energia e água e até a facilidade de contratação de serviços ilícitos a preços reduzidos, tais como sinal de TV e telefonia pirata.

A questão é que mídia, sociedade e sociólogos de plantão resolveram que esses crimes são de menor importância e que é licito ao favelado cometê-los, como compensação pelo fato do destino ter sido injusto com ele.

Um cidadão de bem não toleraria um bandido morando em seu prédio ou mesmo na vizinhança. Com toda certeza denunciaria o indivíduo à polícia torcendo para que a prisão se desse no menor prazo possível.

Mas na favela a lógica é outra.

A população reclama da ausência do Estado quando lhe convém, porém repudia o combate a ilegalidade e até oferece guarida incondicional a bandidos.

Essa é a razão da comunidade clamar ao Estado que promova benfeitorias, desde que estas não representem à submissão da comunidade a legislação vigente e que não lhes tire as regalias e imunidades especiais.

Quando se estuda a guerra irregular ou guerra de guerrilha, existem alguns aspectos considerados vitais para que guerrilheiros promovam uma campanha de sucesso. Um deles é exatamente a conquista da simpatia da população.

Aparentemente o crime organizado que há deçadas buscou homizio nos morros, já venceu mais essa dificuldade, se instalou em caráter definitivo e reina. Os criminosos já conquistaram hoje, aquilo que a esquerda revolucionária não consegui conquistar durante anos, ou seja, o apoio popular.

Essa relação da população de comunidades carentes com marginais tem outras implicações.

Primeiro e mais grave, é que criminosos passam a contar com o apoio da comunidade. Num primeiro momento esse apoio representa apenas guarida. Depois se transforma em votos a assim criminosos se elegem e se infiltram no legislativo. Recentemente tivemos exemplos disso no Rio de Janeiro.

Depois, o crime e a marginalidade se tornam rotina na vida quotidiana de indivíduos de bem, o que de um lado leva a descrença no Estado e do outro representa uma tentação para ingressar na atividade criminosa.

O Estado precisa de uma Política de Segurança Pública consistente que permita reverter essa situação.

Crime organizado e favelas precisam ser tratados sem tabus.

É quebrar esse silêncio das comunidades para que passem a denunciar criminosos sistematicamente. Só assim será dado o primeiro passo no efetivo e eficiente combate ao crime e transformação de favelas em bairros integrados à cidade.

Se a situação for conduzida com a irresponsabilidade, negligência e neliência como vem sendo conduzida, em poucas décadas o crime estará completamente infiltrado na sociedade e viveremos sob a égide de um Estado do crime.

Compartilhe ou adicione aos favoritos:
  • Google Bookmarks
  • MySpace
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook


PéssimoNada especialVale a penaMuito bomExcelente (Não classificado ainda)
Loading ... Loading ...

Gostou do que leu? Não deixe de assinar nosso RSS feed!

Uma Resposta para “12/01/08 – Favelas, apenas redutos de marginais?”

  1. claudia escreveu:


    e aí, quando a policia tenta conter sobra, inevitavelmente, tiro para os moradores, que atrairam sobre si essa catástrofe, sendo a culpa, portanto, deles mesmos. não vou chorar por nenhum morador de favela conivente que tenha sido atingido por disparo acidental. e aos que usam suas crianças como escudo só tenho a dizer que são covardes, acomodados e criminosos também.


Deixe um Comentário

Idiomas:

Italiano English Alemâo Francês Espanhol