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13/01/08 – Povo, discursos e credibilidade.

Em 13 de janeiro de 2008 às 5:06 | por Bruno Engert Rizzo | 138 leitura(s)
Brasil, Desgoverno, Opinião, Política

O Estado sempre foi encarado com certa desconfiança pelo povo brasileiro.

Não é de admirar. Ao longo das últimas décadas os governos minaram a confiança do cidadão com discursos e promessas na contra-mão das ações.

O exemplo mais simbólico dessa atuação foi o presidente Collor que prometeu não tocar na caderneta de poupança e promoveu o maior confisco da história do país, não só da poupança, mas sim de todos os ativos financeiros do povo.

A questão é que um povo descrente do Estado enfraquece a nação pois leva a perda da auto-estima e quebra a relação de respeito mútuo que deveria existir entre o cidadão e o Estado.

O fosso criado entre os discursos oficiais fatos e ações está se tornando abissal e o povo está cada vez mais descrente da política e do próprio Estado.

Lula, seus ministros e assessores negam sistematicamente a existência de crises que se instalam em dimensão nacional, ganhando destaque na mídia e em jornais.

Enquanto autoridades teimavam em fantasiar a realidade afirmando que a crise aérea não existia, a mídia mostrava o caos nos aeroportos.

Enquanto deputados negavam com veemência a participação no maior esquema de corrupção do país, dados bancários provavam o contrário de forma incontestável.

O caso recente da febre amarela que já vitimou cinco pessoas é um exemplo da total ausência de credibilidade de Lula e sua equipe. Apesar do ministro da saúde haver afirmado categoricamente que está afastada a hipótese de uma epidemia, o povo não acreditou e correu aos postos de vacinação, esgotando os estoques da vacina.

Em paralelo, Lula vem afirmando peremptoriamente que a hipótese de um racionamento de energia elétrica inexiste. Trata o assunto como se fosse boato da mídia e da oposição. Na realidade já estamos racionando gás para atender prioritariamente as termoelétricas e os níveis de operação das barragens já é crítico.

Lula, seus ministros e a grande maioria dos parlamentares estão transformando o Estado Brasileiro num ente pouco confiável.

Pode parecer não ter qualquer importância, mas tem e grande. O cidadão que se sente traído pelo Estado se torna egoísta e até muda seu padrão de comportamento e ética. O pensamento "o governo só nos rouba" é extremamente prejudicial para a nação, pois o povo o interpreta como um salvo conduto para cometer ilegalidades numa espécie de compensação.

Mentira e traição são dois componentes essenciais para destruir qualquer relação.

Infelizmente Congresso e governo têm trabalhado com afinco para aniquilar, no cidadão, a relação de amor pelo país e confiança no Estado.

As gerações mais novas não cultuam símbolos da pátria, desconhecem os hinos e heróis nacionais.

O Estado destruiu em poucas décadas o patriotismo e o amor do cidadão pelo próprio país. Valores morais e éticos têm sido invertidos com exemplos os mais desprezíveis, dados pelo próprio presidente, por parlamentares, ministros e autoridades.

Inversão de valores, descrença e desconfiança em relação ao Estado somados ao show de horrores promovidos por representantes do governo, pode representar a decadência de uma nação que aos poucos perde os elos que a formam.

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