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15/01/08 – Rio: megabonde, mais um indício da escalada do crime.

Em 15 de janeiro de 2008 às 4:59 | por Bruno Engert Rizzo | 417 leitura(s)
Brasil, Crime organizado, Desgoverno, Opinião, Politicas Públicas, Segurança Pública

No dia 12, sábado, em plena luz do dia, um comboio com pelo menos 20 veículos importados roubados, com 60 a 150 bandidos armados, partiu da favela Nova Holanda de um ponto próximo ao 22º Batalhão de Polícia Militar e invadiu áreas dominadas por facções rivais conhecidas como Baixa do Sapateiro, Favela do Timbau e Conjunto dos Tijolinhos.

Nem a polícia, nem o Serviço de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, foram capazes de prever a invasão, mesmo com tantos veículos e bandidos envolvidos.

Talvez a polícia, a exemplo de seu próprio “modus operandi”, estivesse esperando que os bandidos publicassem os detalhes da operação com antecedência em jornais.

Chama atenção nessa operação, a capacidade que o crime organizado tem, de mobilizar, armar e deslocar um grande efetivo.

Numa organização militar, aproximadamente 30 homens formam uma unidade denominada pelotão. Três pelotões formam uma companhia.

Ou seja, o crime foi capaz de formar uma unidade operacional da ordem de grandeza de uma companhia ou mais.

Mais assustador que o fato em si, é que as autoridades e a própria polícia não avaliam o que isso juntamente com outros indícios já conhecidos representa.

O crime organizado hoje tem recursos para comprar armamento de grande poder fogo e capacidade de recrutar e treinar pessoal. Está formando um verdadeiro exército de grande poder ofensivo.

As armas constantemente apreendidas como granadas, fuzis AR-15, metralhadoras .30 e .50 e lança rojão, se taticamente bem empregadas por um efetivo como esse, têm um poder de destruição inimaginável, podendo até inutilizar ou destruir carros blindados e helicópteros.

Atualmente, a situação é de descontrole, mas somos apenas vítimas das sobras do confronto entre facções, que se atacam e desgastam mutuamente disputando áreas de influência.

Mas se governo, polícia e autoridades insistirem na condução dessa política de segurança pública medíocre, em breve esse poder do crime organizado será utilizado indiscriminadamente em incursões de saque à cidade, ao comércio, a condomínios e residências.

O passo seguinte para tornar a cidade completamente refém, é a unificação do crime organizado.

Aí estará deflagrado um estado de guerrilha urbana que só será controlada como uma intervenção dolorosa para toda sociedade.

O Brasil precisa discutir o problema da segurança em âmbito nacional e criar uma verdadeira política de segurança pública.

Enquanto o assunto for tratado de forma tão amadora e como um simples problema de polícia, com hipocrisia, tabus e de forma estanque, a solução não virá e continuaremos nos tornando progressivamente mais reféns.

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