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24/01/07 – Rio: reforma urbana x desperdício de recursos públicos.

Em 24 de January de 2008 às 2:02 | por Bruno Engert Rizzo | 361 leitura(s)
Brasil, Desgoverno, Opinião, Politicas Públicas, Política

O Rio de Janeiro nasceu entre montanhas e o mar.

Desde sua fundação, sempre cresceu de forma desordenada.

Com o declínio do trabalho escravo aos poucos os escravos libertos, assim como a população rural pobre, foram se radicando na periferia e em áreas de difícil acesso da cidade.

Entre 1872 e 1890, a população praticamente duplicou, passando de 274 mil para 522 mil habitantes, sem que a estrutura urbana acompanhasse esse crescimento.

A miséria e o déficit habitacional associados à falta de infra-estrutura e higiene, levaram a eclosão de epidemias de febre amarela, varíola e cólera.

No inicio do século XIX o Rio de Janeiro, capital da República, era uma cidade suja e infecta, cuja alcunha era Cidade da Morte.

Rodrigues Alves assumiu a presidência com a proposta de promover uma reforma urbana e transformar a capital.

Para tal, nomeou em 1902 o engenheiro Francisco Pereira Passos, Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro. Este, inspirado na reforma promovida por Georges Haussmann na capital francesa, e juntamente com Lauro Müller, Paulo de Frontin e Francisco Bicalho, reurbanizaram, a capital transformando-a numa cidade nos moldes de Paris.

Foram removidos cortiços, abertas avenidas largas e áreas de mangue foram drenadas e aterradas.

Após as obras de Pereira Passos e o trabalho do sanitarista Oswaldo Cruz, o Rio de Janeiro perdeu o apelido de Cidade da Morte e ganhou o título de Cidade Maravilhosa.

Desde então pouco se contribuiu para melhorar a cidade. Pelo contrário, nas últimas décadas sucessivos governos permitiram e até incentivaram a ocupação desordenada.

Atualmente, a outrora Cidade Maravilhosa extrapolou o limite do caos.

A ocupação desordenada avança horizontalmente e agora também na vertical, o crime organizado se enraizou e a dengue ano após ano faz mais vítimas.

Sucessivos governos têm adotado uma política extremamente permissiva e medíocre, que se resume a não combater a ocupação desordenada, principalmente quando está é promovida pela grande massa popular que vota de forma inconseqüente e sem qualquer compromisso com o futuro.

Pior ainda, a cada ano, prefeitura, estado e União gastam mais recursos públicos em contenções, drenagens e outras obras para eliminar riscos decorrentes da ocupação desordenada.

Mas a inexistência de fiscalização e a letargia do Poder Público, permitiram que essas áreas que já sofreram intervenções sejam reocupadas e novamente degradadas.

É imoral, que governos durante décadas tenham trocado votos pela permissão de depredação do município. Mais absurdo ainda que tenhamos de financiar, com recursos públicos, obras de estabilização  que servirão de base para novas investidas danosas ao próprio município.

O Ministério Público tem sido extremamente omisso e o cidadão não tem a quem recorrer contra a neliência e irresponsabilidade desses governos que vêm alienando o bem estar de futuras gerações em troca de votos.

Também não há como responsabilizar prefeitos, governadores e gestores pelas conseqüências dessa política desastrosa que avança no sentido oposto da necessidade.

O Rio de Janeiro precisa de uma intervenção de grande porte nos moldes daquela promovida por Pereira Passos, com abertura de avenidas, remoção de favelas e restauração da ordem pública.

Enquanto prevalecer essa política de financiar o “deixar fazer” estaremos queimando recursos públicos e fomentando o caos.

O cidadão precisa encontrar formas de responsabilizar governantes e de impedir que a prática de políticas públicas tão equivocadas prolifere.

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