18/02/08 – Petrobras: gestão amadora x espionagem profissional.
Brasil, Desgoverno, Opinião
O episódio de furto de informações sigilosas da Petrobras é mais um capítulo da medíocre novela escrita por Lula e representada por sua equipe de políticos atores travestidos de gestores da coisa pública.
O jornal e a polícia têm discutido o assunto em público e para ambos a grande questão parece ser a dúvida se foi um furto comum ou se foi espionagem comercial – industrial.
Na realidade, essa questão é altamente irrelevante, pois já não importa o objetivo do furto. A questão fundamental é que houve um furto. Ao que consta, o material furtado era altamente sigiloso.
Sendo furto comum ou espionagem as conseqüências são as mesmas e o tratamento terá que ser rigorosamente o mesmo. Ou seja, a Petrobras terá que tratar o assunto como vazamento de conhecimento sensível.
Dependendo da natureza das informações contidas no material furtado, as conseqüências podem ser diversas. Mas é certo que o prejuízo seja grande.
As informações contidas no material furtado podem ser de natureza tecnológica ou de natureza estratégica. Seja como for, o mal está feito.
O que mais choca nesse episódio é o amadorismo com o qual uma empresa como a Petrobras, que tem um setor de inteligência próprio, trata e transporta informações tão valiosas.
Já é questionável manter contrato com uma empresa estrangeira como a Halliburton para transportar material sigiloso. Mas a forma como tudo se deu demonstra infantilidade, ingenuidade ou má fé de quem gere o sistema.
Ficou evidente que a Petrobras não tem protocolos de segurança e que está completamente vulnerável a espionagem. Se a Petrobras é tão negligente com a segurança e proteção ao conhecimento a ponto de sofrer um furto tão simplório, não é difícil imaginar o quanto estamos sendo espionados não só na Petrobras, mas também na Embrapa, no Instituto Nacional de Pesquisa Espacial, no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares e em todas as empresas que lidam com informações sensíveis.
Isso representa que recursos brasileiros gastos em projetos e pesquisas podem estar gerando benefícios para empresas concorrentes estrangeiras.
Todas essas questões remetem à outra que tem sido tratada de forma equivocada.
A Polícia Federal está à caça dos responsáveis. Talvez chegue à raia miúda.
Mas no fundo, o verdadeiro responsável é o presidente da República que nomeou um companheiro e não um profissional do ramo para o cargo de presidente da Petrobras. Esse por sua vez, empossou outros companheiros em cargos de chefia e assim a estatal se transformou num cabide de emprego onde capacidade técnica e competência são atributos secundários ou até irrelevantes.
Uma empresa que tem o primeiro escalão composto por companheiros, leigos e curiosos é ineficiente em todos os aspectos. Esse episódio, tornou pública a vulnerabilidade da empresa no que diz respeito a proteção do conhecimento.
Em outros vimos que não houve planejamento quanto a questão do gás.
O fato é que a empresa está sendo gerida por amadores enquanto a espionagem é executada por profissionais muito bem remunerados e capazes.
É lamentável que nesse tipo de ocorrência só se possa responsabilizar sardinhas enquanto a cúpula negligente se mantém intocável e a empresa é predada por tubarões.
Também é lamentável que o presidente Lula não tenha demitido o companheiro presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli e empossado um profissional.
Por último é criminoso e imoral o aparelhamento do Estado e das empresas estatais que Lula e sua equipe vêm promovendo.
Enquanto essa forma de lidar com a coisa pública prevalecer, o Brasil só contabilizará prejuízos e nosso desenvolvimento será obstado.
Esse é o Brasil que precisa mudar.
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