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23/02/08 – Promiscuidade parlamentar.

Em 23 de fevereiro de 2008 às 7:06 | por Bruno Engert Rizzo | 227 leitura(s)
Atuação de parlamentares, Brasil, Corrupção, Opinião, Política

O Brasil reúne um conjunto de características que transformam o país em forte candidato a grande potência do século XXI.

Temos abundantes reservas de recursos minerais estratégicos, somos o país mais rico em recursos hídricos e nossa matriz energética talvez seja a menos dependente de petróleo.

Além disso, somos quase 200 milhões de habitantes e o país é um dos expoentes na produção mundial de alimentos.

Preenchemos praticamente todos os pré-requisitos para nos tornarmos uma grande potência.

Num aspecto, entretanto, ainda estamos na idade das trevas. E enquanto essa dificuldade não for superada, seremos a eterna economia emergente.

O mais fundamental dos requisitos que é a honestidade e capacidade técnica de nossos dirigentes tem sido um entrave historicamente difícil de superar.

Judiciário, Executivo e Legislativo estão mais permeados do que nunca de uma escória sem estofo moral, capacidade técnica ou um mínimo de fidelidade à pátria.

O resultado tem sido esse circo de horrores que os jornais reproduzem diariamente.

A última amostragem que tivemos é de arrepiar, pois segundo um levantamento feito pelo jornal OGLOBO e publicado em 17/02/08, um em cada cinco deputados novatos eleitos para a Câmara em 2006, está sendo processados pelo Supremo Tribunal Federal.

Esse número é assustador, pois, representa quase 20% do contingente que assumiu o mandato no ano retrasado. Mais assustador ainda, é o amplo espectro de crimes pelos quais esses parlamentares estão sendo processados e investigados.

Entre outros crimes, há corrupção, lavagem de dinheiro, compra de votos, falsidade ideológica, abertura de empresas fantasmas, laranjas e por aí além.

Este é apenas o grupo que assumiu o mandato em 2006. Há ainda os mais antigos que gozam de imunidade e são mais intocáveis.

O que podemos esperar de um Congresso onde quase 20% dos recém empossados é um grupo de criminosos?

E dos demais que já eram parlamentares e têm imunidade?

Analisando os escandalos recentes e seus envolvidos em conjunto com as votações nos processos que tentaram caçar duputados e senadores corruptos, mais da metade do Congresso brasileiro é composto por políticos corruptos.

Não é de se admirar que um presidente da República tenha a desfaçatez, de tal qual um disco arranhado, repetir incansavelmente “eu não sabia de nada” diante de toda imundice na qual se atola.

Com parlamentares sem moral nem ética, o suposto controle que um poder deveria exercer sobre os demais simplesmente inexiste ou é comprável como tem sido comprado com “mensalões”, cartões corporativos e cargos em empresas públicas ou ministérios.

Essa é uma deficiência histórica do Brasil que ao longo de mais de 500 anos não consegui criar uma elite capaz de governar.

Pelo contrário, a massificação do ensino e desenvolvimento do marketing, abriram caminho para que essa casta de indivíduos despreparados e amorais se assenhorasse do poder.

Reverter a atual situação não é fácil, pois o sistema perdeu a capacidade de se autodepurar. Se é que alguma vez chegou a te-lo.

Essa é a razão, de muitas vezes ao contrário das expectativas, parlamentares corruptos serem poupados por seus pares nos julgamentos éticos. Um corrupto não denuncia outro, pois amanhã poderá ser ele o julgado. Assim, todos se protegem e o país está entregue à quadrilhas que saqueiam o país e dividem butim como lhes apraz.

Estamos diante de uma verdadeira luta entre o bem o mal. Lamentavelmente as pessoas de bem tem se retraído e omitido sob a alegação que política é algo imundo e assim o mal tem conquistado terreno praticamente sem resistência.

Felizmente nem tudo está perdido, pois existem pessoas combativas no Ministério Público e na própria polícia que têm atuado de forma independente. Graças a estas pessoas, indivíduos como esses parlamentares amorais estão sendo processados.

Mas se a sociedade não se engajar, os poucos que têm tentado se opor a esses grupos não terão força nem ânimo para levar a missão adiante.

Depurar os quadros políticos da nação brasileira é um processo prolongado que demanda engajamento total da sociedade e muito esforço daqueles que têm poder para se opor e combater o mal que atualmente permeia os três poderes.

Você brasileiro de bem que pode fazer a diferença e mudar a história do Brasil, engaje-se.

Em tempo: a lista dos processados e os crimes que cometeram está publicada no OGLOBO de 17/02/08 na página 10.

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