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25/02/08 – Lula não quitou o carne, mas já quer ir às casas Bahia.

Em 25 de fevereiro de 2008 às 6:13 | por Bruno Engert Rizzo | 265 leitura(s)
Brasil, Economia, Opinião, Política

Os jornais fizeram grande alvoroço pelo fato do Brasil ter se tornado credor líquido em relação a sua dívida externa. Em Janeiro a dívida era de U$ 196,207 bilhões enquanto os créditos chegaram a US$ 203,190 bilhões. Alguns meios de comunicação fizeram verdadeira campanha de desinformação, pois divulgaram notícias que remetem à idéia que o Brasil pagou suas dívidas.

Mas esse superávit é apenas contábil e nesse momento não há tanto a festejar. Primeiro que a dívida não foi efetivamente quitada. Ou seja, o Brasil tem mais ativos do que o montante da dívida, mas continuamos pagando juros e amortizando parcelas da dívida.

A simples manutenção dessa condição de credor sem efetivamente quitar a dívida custará ao país em 2008 recursos da ordem de U$ 19,55 bilhões. É quase o valor do orçamento da saúde em 2008!

Estima-se que em 2008 o Brasil pagará juros da ordem U$ 25,30 bilhões enquanto receberá juros pelos seus ativos da ordem de U$ 5,75 bilhões.

Lula obviamente se aproveitou do fato e deturpando um pouco o real significado da notícia, está capitalizando uma glória junto ao povão.

Para o povão que vive pendurado em dívidas, dizer que o Brasil agora não deve e pode até emprestar dinheiro soa como ser rico.

Mas a realidade é outra.

Passamos a ser credores líquidos por diversas razões. Poucas, entretanto, são méritos de Lula.

Um fator importante foi a estabilização da economia que teve inicio há mais de uma década no primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso.

Este implantou uma política econômica acertada que controlou a inflação. Lula apesar de sempre ter criticado o modelo econômico e ter pregado o calote da dívida entre outras baboseiras, deu continuidade a política economica de FHC.

Outro aspecto é que a economia global vive um momento auspicioso há mais de uma década. O Brasil tem exportado insumos, commodities e bens manufaturados o que aumentou as reservas cambiais.

Por último também teve influência o fato do dólar americano ter sofrido uma pressão de baixa na maioria dos países com inflação controlada. Não fosse a queda do dólar de mais de R$ 3,00 para R$ 1,70, a dívida não estaria tão equilibrada.

Chega a ser bizarro. Lula que em seus palanques pregou o calote da dívida e sempre criticou a política neoliberal de FHC, deu continuidade a mesma depois de eleito e agora, perante o povão, surge como o herói que depois de mais de 500 anos quitou a dívida brasileira.

Mas há algumas verdades que deveriam ser veiculadas para mostrar que nossa situação não é tão cômoda assim.

Mais grave que a dívida externa é a dívida pública federal que em janeiro de 2008 atingiu a cifra de R$ 1,31 trilhões. Nesse momento os juros dessa dívida sangram recursos superiores a R$ 100 bilhões ao ano. Para citar um número exato, desde 2003 até janeiro de 2008 a União destinou R$ 851 bilhões para pagamento de juros da dívida interna e externa.

Esse dinheiro representa mais do que foi destinado à saúde, à segurança e à educação nesse mesmo período.

Mas Lula não resiste a um microfone. Com a típica mentalidade do povo que não sabe viver sem uma prestação de Casas Bahia, num discurso na Argentina disse: “temos que começar a nos endividar”.

O governo de Lula tem sido um desastre em todas as frentes, mas milagrosamente consegue se manter a margem das crises geradas por sua administração. Com discursos vazios tem transformado o desastre numa popularidade inacreditável.

É triste pensar que o povo se contente com tão pouco.

Não há mais o que esperar desse governo a não ser escândalos de corrupção e crises. Esse será o padrão nos dois próximos anos. Pena que não possamos hibernar para acordar num verão melhor.

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