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02/03/08 – Israel: vice-ministro ameaça promover holocausto com palestinos.

Em 02 de março de 2008 às 4:50 | por Bruno Engert Rizzo | 263 leitura(s)
Internacional, Opinião, Organização das Nações Unidas, Política

O vice-ministro da Defesa de Israel, Matan Vilnai prometeu promover um holocausto na Faixa de Gaza, caso os palestinos continuem a disparar foguetes.

"the more Qassam fire intensifies and the rockets reach a longer range, [the Palestinians] will bring upon themselves a bigger shoah because we will use all our might to defend ourselves."

Tradução: “quanto mais foguetes Qassam sejam lançados e quanto maior seu alcance, tanto maior será o holocausto que os palestinos lançaram sobre si, pois usaremos todo nosso poder para nos defendermos.”

É de se estranhar, que exatamente um representante do Estado de Israel, cujo povo se diz vítima do maior genocídio da história, ameace outros povos com um holocausto.

O povo judeu gasta imensos recursos numa máquina publicitária para manter viva, no mundo inteiro a imagem da perseguição sofrida por judeus na Alemanha durante a Segunda Guerra.

Existem museus e monumentos espalhados pelo mundo afora para que a humanidade “jamais esqueça o que os judeus sofreram”.

Essa declaração xenófoba de Matan Vilnai mostra ao mundo à face oculta de um povo que explora um fato histórico com métodos que se utilizam de censura e chantagem para encobrir a própria conduta que se não é pior que a dos nazistas, é no mínimo semelhante.

A contínua instabilidade na Faixa de Gaza e na Palestina tem uma origem que está na própria criação do Estado de Israel. Façamos um breve retrospecto.

Durante a I Guerra Mundial, os britânicos encorajaram a rebelião árabe contra os otomanos e ocuparam a Palestina.

Em 1918, pelos Acordos de San Remo, a Sociedade das Nações confiou à Grã Bretanha um mandato sobre a Palestina.

Desde então, sionistas pressionaram a Inglaterra para criação de um Estado judeu-sionista na Palestina.

Em maio de 1948 uma resolução da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas – ONU fez a partilha do território palestino.

Segundo a partilha original proposta pela ONU e teoricamente aceita por judeus-sionistas, o Estado árabe deveria ficar com aproximadamente 43% do território palestino, enquanto o Estado judeu-sionista controlaria 56%. Os restantes 1%, Jerusalém, seriam colocados sob um mandato internacional administrado pela ONU.

Essa divisão respeitava muito pouco dois fatores essenciais – a ocupação das terras e a maioria populacional – pois a maioria do território seria controlada por uma minoria judaica (30%).

Além disso, os sionistas não respeitaram nem antes nem depois os limites fixados pela resolução de partilha da ONU.

Através de guerras e invasões sustentadas pela superioridade militar, paramilitar e econômica, em 1949 a ocupação israelense chegou a 70% da área, deixando aos árabes terras improdutivas e desérticas.

Após a Guerra dos Seis Dias de 1967, Israel conquistou a Cisjordânia à Jordânia, a Faixa de Gaza e a Península do Sinai (esta seria devolvida depois) ao Egito e as colinas de Golã à Síria.

Hoje o Estado de Israel tem quase 80% do território da Palestina histórica sob seu controle e administração.

Assim, aquilo que os palestinos hoje reivindicam para constituir seu Estado soberano nada mais é do que 20% das terras originais do mandato britânico, uma área bem menor do que os 43% do plano de partilha de 1947.

Os adeptos da teoria da conspiração diriam que Israel foi criado na região da Palestina como um ponto de apoio estratégico para os EUA que já em 1948 previam a necessidade de um aliado incondicional na área do Oriente Médio.

Mas fora essa questão existem fatos. O Estado de Israel ocupa hoje uma área muito maior do que aquela aprovada pela ONU para sua criação. Além disso, ocupou as regiões mais férteis e as colinas de Golan onde existe água, recurso muito escasso na região.

O Estado da Palestina até hoje não é reconhecido pela própria ONU.

Diante de todas essas constações, ficam as perguntas: até quando o mundo aceitará passivamente o que acontece na Palestina?

Porque nenhum dos grandes defensores de direitos humanos espalhados pelo mundo repudiou a declaração do ministro Matan Vilnai?

É aceitável que um Estado ameace uma Nação com um holocausto?

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