04/03/08 – América do Sul: rufam os tambores da guerra.
FARC, Guerra, Internacional, Opinião, Política
A América do Sul, um dos continentes mais ricos em recursos naturais e água, parece ter um triste destino.
Desde o momento que o pêndulo oscilou para a esquerda a América do Sul está num movimento retrógrado acelerado.
A esquerda que assumiu o poder nos países mais importantes da América do Sul é composta por indivíduos populistas e despreparados que têm empurrado os países que governam para um abismo cada vez mais profundo.
Hugo Chavez, Rafael Correa e Evo Morales formam o núcleo mais radical. Os três resolveram adotar um discurso radical e cada um a seu modo enterra a economia do seu país, não só afastando investimentos, mas também impondo modelos econômicos superados e comprovadamente ineficientes. Lula e o casal Kirchner formam a esquerda mais festiva cujas políticas têm trazido estagnação sem gerar instabilidade nem tensão local.
A exceção parece ser o Chile, onde Michelle Bachelet do Partido Socialista do Chile tem governado de forma mais responsável.
Na Venezuela Hugo Chavez tem usado o petróleo para fazer ameaças de instabilizar o mercado internacional. Internamente já há desabastecimento, filas para comprar alimentos e todo um cenário que mostra uma economia em ruínas, apesar de um aparente crescimento do PIB, que está fortemente atrelado às exportações de petróleo, principalmente para os Estados Unidos, de quem Chavez se diz arqui-inimigo.
Chavez e a família Kirchner são fortes aliados. O presidente da Venezuela chegou enviar recursos financeiros para financiar a campanha eleitoral de Cristina Kirchner. O fato se deu ao estilo do PT com uma mala de dinheiro viajando ilegalmente de Caracas para Buenos Aires.
Na Bolívia Evo Morales se vê as voltas com movimentos separatistas. Além disso, por ter nacionalizado o setor de hidrocarbonetos sem ter capacidade técnica nem financeira para administrar os ativos nacionalizados, passa por dificuldades para cumprir contratos de venda de gás. Evo Morales tem contratos futuros principalmente com o Brasil e com a Argentina que não tem capacidade de honrar. Além disso, é despreparado para governar e tem governado de forma autoritária chegando a usar a força para impedir que parlamentares tenham acesso ao parlamento nos dias em que leis de seu interesse são votadas.
O Equador, com seus 13,8 milhões de habitantes é um país pobre, que adotou o dólar americano como moeda oficial e também passa dificuldades por de falta de investimentos em decorrência de sua economia instável.
A Argentina, governada pelo casal Kirshner vai de mal a pior. Kirshner quando assumiu o governo, numa medida populista e inconseqüente, declarou a moratória da dívida externa o que levou a perda de crédito internacional e investimentos. Atualmente a Argentina vive uma crise de energia de solução difícil, pois não há capital nem crédito para construir usinas. Também não há disponibilidade no mercado de energia ou de gás para acionar termoelétricas, o que torna a crise quase insolúvel sem um racionamento. Lula e Cristina andaram se encontrando e num delírio firmaram convênios de compromissos futuros para construção de cinco usinas. Tudo com grande teatro, como se promessas e discursos de emprempreendimentos futuros resolvesse a crise presente.
O Brasil governado por Lula está atolado em corrupção e não existem políticas públicas de desenvolvimento. Lula optou por implantar políticas assistencialistas e compensatórias que na prática garantem apenas a sobrevivência da população mais pobre no estado de miséria melhorada, mas lhes rouba qualquer futuro digno. Além disso, Lula aparelhou a máquina pública com companheiros e indicados políticos da base aliada que têm se mostrado literalmente uma escória. A prova são os escândalos de corrupção e toda imoralidade que fazem as pautas diárias dos jornais.
Para completar esse quadro trágico, Hugo Chavez e Rafael Correa apóiam as FARCs – um grupo de narco-guerrilheiros e terroristas de esquerda, que há décadas tenta tomar o poder na Colômbia.
Lula sempre defendeu Chavez como grande amigo comparando-o a estadistas. No incidente com o Rei Juan Carlos, Lula chegou a tomar as dores de Chavez e defende-lo. Além disso, existem fortes indícios de ligações do Partido dos Trabalhadores (PT) com as FARCs.
É neste cenário já caótico e tão conturbado que as Forças Armadas colombianas atacaram uma unidade das FARCs em pleno território equatoriano.
Chavez que abertamente apóia as FARCs e deseja por todos os meios derrubar o governo de Álvaro Uribe na Colômbia ameaça declarar guerra, apesar do incidente ter se dado em solo equatoriano. Lula em vez de efetivamente mediar para evitar o conflito ou de se abster, tomou partido de Chavez e de Rafael Correa, condenando a incursão de Álvaro Uribe no Equador.
De fato o bombardeio de solo equatoriano é uma violação de soberania. Mas é igualmente grave e até mais condenável que um Estado democrático apóie e dê guarida a um grupo de narco-traficantes terroristas.
A Venezuela é atualmente uma potência militar na América do Sul. Hugo Chavez tem gasto recursos significativos para armar a Venezuela e existe um fato suspeito. A quantidade de fuzis por ele comprada é muito superior às necessidades de suas forças armadas. É provável que parte desse armamento esteja armando as FARCs na Colômbia. Por todos seus atos, Chavez tem se mostrado uma ameaça à estabilidade política e à paz na América do Sul.
O Equador não tem condições econômicas nem militares de sustentar uma guerra com a Colômbia, que sem dúvida é o país militarmente mais forte da região. Suas Forças Armadas têm um efetivo maior e armamento moderno fornecido pelos EUA. Além disso, é o único país cujas tropas têm longa experiência de combate.
Mas uma guerra envolvendo Colômbia, Venezuela e Equador seria um desastre humanitário de proporções inimagináveis. Além disso as conseqüências políticas podem ser desastrosas, principalmente se a Colômbia for enfraquecida abrindo espaço para que as FARCs instalem um governo.
É provável, que o rufar dos tambores seja mais um teatro do bufão Hugo Chavez.
Mas a questão é que poderíamos estar consolidando um bloco econômico forte na América do Sul para alavancar o crescimento regional e negociar interesses comuns em condições de igualdade com o resto de mundo e outras comunidades econômicas.
Ao invés disso, estamos fazendo o caminho inverso, dilapidando economias já depauperadas e nos dividindo para nos tornarmos mais fracos do que somos no cenário das grandes potências e comunidades econômicas.
Uma guerra na atual conjuntura representaria a falência econômica dos envolvidos e o fortalecimento das FARCs que podem se tornar uma ameaça mais grave para toda a região amazônica e países vizinhos da Colômbia.
Pior ainda, as FARCs um grupo de narco-guerrilheiros e terroristas política e economicamente apoiado por dois Estados que goza da simpatia do governo brasileiro, pode vir a instalar algo como um Estado do crime internacional.
Mas infelizmente o destino da América do Sul está entregue a cabeças tão medíocres e despreparadas e nada nos resta a não ser aguardar pacientemente alguma mudança.
Tomara que essa onda da esquerda populista tenha vida curta e que novos ventos tragam equilíbrio e prosperidade.
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