13/03/08 – …e o Dólar derrete.
Economia, Internacional, Opinião
Há algum tempo temos afirmado que o Dólar não se sustenta. Qual a razão? É uma moeda sem lastro. No bom português, é podre.
No artigo “Falência do sistema financeiro global” escrito em 2005 abordamos o assunto.
Desde então o Dólar vem se desvalorizando no mundo inteiro.
O Brasil não é exceção. Apesar de todas as medidas que têm sido adotadas o Dólar continua em queda.
Agora o ministro da Fazenda Guido Mantega, está adotando novas medidas que visam reduzir a quantidade de Dólares que circulam internamente.
No curto prazo talvez traga resultado para conter a queda da moeda estrangeira frente ao Real.
Mas é precisamente esse o mecanismo que vai arruinar o Dólar.
Se a queda da cotação da moeda americana fosse apenas frente ao Real, o ajuste local resolveria bem a questão. Mas o Dólar vem caindo frente as principais moedas do mundo. Na China tem batido recordes de baixa.
As medidas adotadas por Guido Mantega no fundo enxugam a economia brasileira, mas agravam a situação no cenário internacional, pois os Dólares que deixam de circular aqui, são mais uma pequena contribuição para inundar o mercado internacional de Dólares.
Se grande parte dos países do mundo, durante décadas, “entesouraram” reservas em Dólar e os EUA continuaram emitindo moeda para ir às compras e alimentar a economia mundial, existem hoje algumas dezenas de trilhões de dólares guardados como reservas cambiais em diversos países e outro tanto em bancos privados e circulando no comércio internacional.
Por paradoxal que pareça, parte dessas reservas foram adquiridas pela Alemanha e por outros países ricos só para sustentar a cotação do Dólar. Ou seja, durante anos tentaram evitar que o dólar “derretesse”.
Mas os EUA continuaram emitindo moeda e sustentar sua cotação artificialmente se tornou inviável.
Quando a China percebeu o que isso representava, anunciou que pretendia converter parte de suas reservas em Dólar para outras moedas, a situação se agravou discretamente.
O fato é que o Dólar aos poucos está tomando o caminho de casa.
Conforme os países forem trocando reservas em Dólar por outras moedas e países adotem medidas semelhantes à adotada no Brasil, a situação se agravará.
Mas aqui se aplica bem o ditado: a economia mundial está entre cruz e a espada.
Os países que tentarem remar contra a maré, se afogarão na enxurrada de Dólares sem valor. Por outro lado, ao adotar medidas para proteger as próprias economias e preservar o poder de compra das reservas cambiais, todos estarão colaborando para acelerar a queda do Dólar.
A queda do dólar parece um destino inevitável. Resta saber quais os estragos que o gigante cambaleante promoverá a cair.
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