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20/03/08 – Político honesto.

Em 20 de março de 2008 às 10:45 | por Bruno Engert Rizzo | 266 leitura(s)
Atuação de parlamentares, Brasil, Crime organizado, Geral, Opinião, Política

Há alguns dias recebemos uma dessas mensagens sugerindo uma busca na internet.

A mensagem prometia algo impagável que não poderia deixar de ser visitado.

A instrução era para colocar “político honesto” no mecanismo de busca do Google.

Os primeiros resultados traziam em destaque “não pode ser encontrado”, “não existe” e assim por diante.

Apesar desses resultados serem uma brincadeira ou parte de uma campanha de marketing, é um desalento saber que de fato o político honesto é material humano escasso ou praticamente extinto.

Política nas últimas décadas tem sido associada à roubalheira, falcatruas, impunidade, fraudes e toda espécie de crimes. O Brasil está mergulhado numa profunda crise moral e não há perspectivas de mudanças no curto prazo.

Mas o significado da palavra “política” vai muito além da política partidária mesquinha que tem predominado e está arruinando o país.

Sem política no sentido mais nobre, o país sucumbe, pois, passa a ser uma nau sem rumo.

Daí surgem às pergunta: onde erramos? Como reverter esse quadro?

Não foi um erro e sim uma sucessão de fatores conjunturais que retardaram a maturidade da Nação brasileira. Sem dúvida, um dos fatores de maior peso é o baixo grau de esclarecimento da população. Este por sua vez está relacionado com um sistema de ensino falido. Outro fator de peso é a questão social. Ainda temos uma grande parcela da população que não tem suas necessidades básicas atendidas.

Mal comparando o Brasil ainda está na adolescência.

Até meados do século passado, o processo eleitoral era viciado. Até algumas décadas atrás o voto de curral ainda existia no interior e não havia eleições sem fraudes.

Atualmente o processo de depósito de votos e apuração é mais seguro e menos sujeito à fraudes.

Mas a compra de votos ainda é pratica corrente e a grande massa que forma parte considerável do eleitorado brasileiro ainda não compreendeu a importância do voto e as conseqüências da negligência naquele ato tão singelo.

Além disso, os currais eleitorais que eram um fenômeno rural, foram transferidos para áreas urbanas, mais precisamente para dentro de favelas. O modêlo é um pouco diferente, mas o resultado é o mesmo. Criminosos, acuam e coagem as comunidades que dominan com o discurso que se o candidato imposto não for eleito, haverá punições. E o sistema funciona. Tanto assim que a temos verdadeiros bandidos, e não é força de expressão, ocuapndo cadeiras de vereadores e deputados.

Como mencionado no artigo "16/03/08 – Democracia ou cleptocracia? " o pais vive um momento difícil pois a nação perdeu o controle do sistema político. Grupos de pessoas despreparadas, desonestas e até criminosos se apossaram do poder e o sistema já não consegue se depurar.

O político honesto não tem capacidade de concorrer com a máquina montada e aferrada ao poder e por isso é realmente material humano escasso.

No atual estágio a reversão do quadro é difícil.

Uma opção seria uma revolução. Mas revoluções têm efeitos colaterais extremamente dolorosos e muitas vezes indesejados.

A única via aceitável é um processo de amadurecimento do povo. Essa maturidade ou cidadania plena pode vir de forma mais rápida em duas gerações, se houver maciço investimento num ensino de qualidade e abrangente. Ou seja, não se trata apenas de conferir diplomas à população, mas sim, oferecer formação de bom nível.

O judiciário também pode ter um papel importante se passar a barrar o acesso de candidatos criminosos ao processo eleitoral.

Entretanto, num sistema viciado, essas são hipóteses remotas. Não existe capacidade e muito menos interesse em mudar o atual status.

Assim resta o caminho de amadurecimento mais lento que virá através de várias gerações pelo sofrimento. É lamentável concluir que cidadãos brasileiros tenham que morrer ou sofrer para levar o povo a perceber que existe estreita ligação do voto com a qualidade da política.

Enquanto não houver a percepção que um voto não pode ser comprado por R$ 50,00, nem por cestas básicas, nem por bolsas que garantem a sobrevivência de hoje em troca da penhora de todo futuro, o sistema permanecerá viciado e a busca por “político honesto” será frustrada.

Tanto no mundo virtual como real.

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