01/04/08 – Políticas públicas medíocres e o pacto com o diabo.
Brasil, Desgoverno, Opinião, Politicas Públicas, Política, Saúde Pública
Enquanto Sérgio Cabral, Lula e César continuam discutindo, discursando e promovendo medíocres políticas de fachada, o Rio de Janeiro se deteriora.
A dengue bateu todos os recordes. Ontem, com a divulgação de mais 13 óbitos, elevou para 67 o número total de mortes por dengue no Estado do Rio de Janeiro.
O sistema de saúde está em colapso. Mesmo com as tendas tardiamente montadas pelas Forças Armadas, não há leitos nos hospitais.
Este ano, até 31/03/08, só no Estado do Rio foram notificados 43.523 casos de dengue, enquanto no restante do país foram 77.047 casos.
A dengue era uma epidemia mais do que prevista e avisada a todos e só se instalou pela inexistência de uma política pública eficiente e honesta. Os governos continuam acreditando que podem enganar a população substituindo políticas públicas consistentes por teatros.
De fato grande parte da população não sabe distinguir “oba-oba” de políticas públicas consistentes. Já o mosquito soube e fez seu trabalho muito bem feito. O resultado é esse, 67 óbitos e ninguém é responsável. Cada cidadão que administre suas perdas.
Mas esse é apenas um dos espectros sombrios que atormenta o quotidiano do cidadão no Rio de Janeiro.
O crime e a insegurança também têm feito vítimas.
No artigo de 22/03/08 – “Lula faz escola. Cabral é discípulo” foram publicados os índices do crime no Rio de Janeiro. Os números como sempre provam que discursos e políticas de fachada não resolvem problemas.
Agora o Instituto de Segurança Pública divulgou as estatísticas de atingidos por balas perdidas.

Estatística de baleados por balas perdidas
Mais uma vez os números mostram que discursos, basófia e fala grossa não trazem resultados satisfatórios. Em nenhuma das esferas governamentais existia um plano de contingência como seria de se esperar, principalmente pelo fato não terem faltado avisos e da dengue ser recorrente.
Deveria existir um palnejamento para montagem de hospitais de campanha logo no início, monitoramento georeferenciado dos casos notificados para combate local de focos e cadastro de médicos que pudessem ser convocados.
Nada disso existia. Governos municipal, estadual e federal esperaram a crise eclodir e perder o controle para então buscar soluções que custarão mortes e recursos financeiros já escassos.
Infelizmente essa tem sido a forma padrão de governar.
Em todas as esferas os governos têm priorizado políticas de fachada que talvez agradem à grande massa num curto intervalo de tempo, mas lhes rouba qualquer futuro digno.
As pessoas mais humildes que aceitam esse pacto medíocre da troca de políticas públicas consistentes por um prato de sopa ou um vale miséria, não percebem que existe estreita relação entre esse gesto egoísta e o destino de todos.
As cenas deprimentes de pais, mães e familiares enterrando seus mortos em prantos de desespero não têm sido suficientemente dramáticas para influir na escolha de políticos.
As eleições ainda são decididas à base de escambos que se assemelham à venda da alma eterna ao diabo em troca de uma vida terrena de fartura e orgia. A diferença é que o povo hoje não está alienando a alma em troca da vida, mas sim alguns dias de sopa e pequenas vantagens pelo seu futuro e o das próximas gerações.
Se o comprador é o diabo ou se são políticos, pouca diferença faz. Diga-se de passagem, a julgar pelo apocalipse que vivemos nos dias atuais, mais parece que o diabo escolheu a forma de políticos como uma de suas múltiplas aparências para nos torturar.
Essa é a realidade que precisa mudar. Políticos medíocres, despreparados e desprovidos de ética e moral precisam ser alijados do processo político do país. Enquanto o povo não perceber que essa é a questão, só nos restará chorar os mortos e lamentar o futuro das próximas gerações alienado por tão baixa paga.
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