26/04/08 – Devolvam-nos o Brasil
Brasil, Desgoverno, Opinião, Política
Será luz no fim do túnel? Ou serão singelos dois vaga-lumes que voam solitários nas trevas lançando vã esperança sobre aqueles que sobrevivem na escuridão?
Vivemos num eclipse total onde a ignorância aliada a má fé e atuação criminosa de grupos que se apossaram do Estado, urdiram uma trama tão densa que já não deixa passar um fio de luz ou esperança quanto a dias melhores.
O Estado brasileiro virou uma ação entre amigos que vivem numa opulência acintosamente humilhante as custas de dinheiro público, cuja origem é uma carga tributária escorchante suportada por ricos e pobres.
A impressão que se tem pela leitura de jornais é que aqueles que deveriam governar vivem uma orgia de 365 dias por ano e nas horas vagas se dedicam a saquear o país para depois dividi-lo como se fosse um butim.
Aos demais brasileiros resta tentar sobreviver e implorar ao destino, a Deus e aos Orixás que não virem estatística. Pode ser da dengue, da bala perdida, da violência, do caos aéreo ou qualquer outro desastre decorrente da negligência ou omissão do Estado.
Estranhamente o brasileiro se acostumou a toda imoralidade que engolfou o país e nada choca ou leva a uma reação. Parece o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley.
Talvez tenham substituído o flúor da água por “soma” ou droga mais moderna que embota todos os sentidos.
O país vive uma gigantesca crise administrativa e moral em todas as esferas do poder. Os escândalos eclodem numa velocidade que nem mesmo a imprensa tem capacidade de acompanhar.
O que foi manchete ontem, vira segunda página hoje e amanhã já não é notícia. Não pelo fato do problema tido um desfecho, mas sim por já existir escândalo novo mais chocante e estarrecedor e por não ser possível engordar os jornais na proporção de toda imundice que é produzida diuturnamente pelas quadrilhas que estão no poder.
É neste cenário que surge um brasileiro diferente. Seu nome é Augusto Heleno Ribeiro Pereira e ele se insurge contra o sistema denunciando o absurdo que foi construído debaixo dos olhos de uma nação inteira, mas ninguém viu.
A denúncia se transformou num raio de luz e esperança daqueles que por falha do sistema não estão dopados e numa verdadeira guerra assimétrica vêm se opondo a essa aliança do mal que se instalou no país.
De um lado cidadãos de bem acuados e limitados em suas ações. Do outro uma verdadeira organização do crime que se apropriou do Estado e usa todo seu poder como instrumento de defesa de interesses pessoais e corporativos, acima da lei.
Mas há 3 dias outra voz se levantou. Gilmar Mendes ao assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal reforçou as esperanças daqueles que não aceitam a destruição da Nação brasileira.
Em seu discurso de posse deixou claro que o país tem leis e que quem está no governo não pode usar o Estado como lhe convém.
Será que esses lampejos foram fenômenos isolados? Ou podemos ter a esperança que depois desses dois, outros virão e que num futuro próximo o país seja resgatado das trevas?
Queira o destino que esses ora minguados insurgentes se transformem em pólos atrativos da moralidade, do patriotismo e do verdadeiro senso de justiça e que possamos em breve deixar de ser súditos de um bando que nos afronta, humilha e escorcha diariamente.
Devolvam-nos o Brasil.
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17 de setembro de 2008 às 12:24
Lamentável que a atuação do presidente do STF, Gilmar Mendes tenha sido um factóide. Desde seu discurso de posse só tem atuado na contra-mão dos interesses do país. Seu voto a favor da demarcação contínua de terras indígenas e a liberdade concedida ao banqueiro Daniel Dantas duas vezes apesar de provas de sua periculosidade para as investigações, mostram que Gilmar Mendes é apenas mais descompromissado com o país. Isso na melhor das hipóteses.