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02/05/08 – Maconha: quando a liberdade individual lesa a coletividade.

Em 02 de maio de 2008 às 10:06 | por Bruno Engert Rizzo | 1.039 leitura(s)
Crime organizado, Desgoverno, Geral, Internacional, Opinião, Política

Talvez no futuro o dia 4 de maio seja o dia internacional da liberação da maconha. Com toda certeza essa é a pretensão de um grupo que organizou um movimento mundial como o nome sugestivo de “Marcha da maconha”.

O movimento encontrou solo fértil por essas plagas e os organizadores programaram a “marcha” em 12 capitais. O evento conta com apoio de autoridades e artistas, tendo direito a site oficial, camiseta, banner, manifesto, programação cultural e tudo que não pode faltar numa manifestação popular.

Em alguns estados da Federação o Ministério Público Estadual está tentando barrar o ato, por entender que maconha é uma droga ilícita e que o evento seria uma apologia ao uso da droga.

Os organizadores do evento sustentam a questionável tese que o evento tem o objetivo de reivindicar uma mudança da legislação e não fazer apologia ao uso da droga.

O cultivo da maconha ou Cannabis sativa é proibido em praticamente todo mundo e a droga é considerada ilícita na grande maioria dos países.

Mas o que está por trás dessa discussão de liberar ou não a maconha vai muito além da liberdade individual como julgam os usuários e promotores do evento.

Se o uso da maconha prejudicasse única e exclusivamente o usuário, seria uma intromissão do Estado querer privar o cidadão do seu hobby.

Mas não é o caso.

Segundo a literatura, a maconha é uma droga que vicia e gera inúmeros efeitos colaterais sobre a saúde do próprio indivíduo, além de prejudicar a capacidade de dirigir. Junto com outras substâncias pode causar danos mais graves. Existe ainda grande probabilidade dos usuários experimentarem outras drogas mais nocivas.

O Ministério da Saúde gasta anualmente dezenas de bilhões de reais em:
- programas preventivos e educativos para reduzir o alcoolismo e o tabagismo;
- tratamento de enfermos com doenças decorrentes de alcoolismo, tabagismo e dependência química e
- emergências para atendimento de vítimas de acidentes decorrentes de motoristas embriagados e drogados;

Além desse custo, tabagismo, alcoolismo e dependência química oneram os planos de saúde e seus usuários, sejam eles dependentes ou não dessas substâncias.

As empresas de seguro na área da saúde trabalham com base estatística. Simplesmente contabilizam os custos dos tratamentos de doenças decorrentes do uso de álcool, drogas e tabaco, juntamente com os demais, repassando-os às mensalidades de todos os usuários, façam eles parte ou não do grupo de usuários dessas substâncias.

Por último existe todo custo representado pelo impacto de vícios e suas conseqüências na atividade laboral do país.

Os custos do Ministério da Saúde são suportados por toda população. Aqueles que podem manter um seguro saúde, pagam ainda uma taxa extra para custear doenças decorrentes de vícios.

Consumir maconha ou qualquer outra droga, é portanto um hobby caro para toda sociedade e os benefícios aos usuários são dificieis de avaliar, pois são classificados como fuga, busca de sensações "diferentes", alienação, ou afirmação perante um grupo.

Isso para não entrar no mérito das conseqüências da liberação de uma droga que envolve tráfico internacional e crime organizado. Há também aspectos sociais que poderiam ser tema de outro artigo.

Estamos diante de um gigantesco retrocesso.

Já não é justo que a sociedade tenha que arcar com os custos de tratamento daqueles que se viciam em álcool e tabaco. Agora, querem liberar uma droga cujos efeitos são mais nocivos ainda.

Se hoje discutimos a necessidade de proibir o uso do álcool para diminuir o número de acidentes de trânsito, liberar o uso de uma substância com efeitos similares ou piores sobre motoristas, é um total contra-senso.

Esse grupo que faz a apologia à liberação da maconha, confunde democracia com anarquia.

Na democracia cada indivíduo é livre para agir como lhe convém, desde que não interfira em direitos alheios. Aqui está claro que a liberação do uso da maconha só virá a onerar mais ainda a sociedade em diversos aspectos.

Maconha é uma droga ilícita e nociva à sociedade. O Supremo Tribunal deveria proibir essa manifestação em todos os estados da Federação e vetar a publicação do site que nada mais é que apologia ao uso de drogas.

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5 Respostas para “02/05/08 – Maconha: quando a liberdade individual lesa a coletividade.”

  1. Júlio César escreveu:


    Realmente tem que liberar, as pessoas tem que ter acesso sim a tudo, cada um sabe sua responsabilidade com a sociedade, veja o álcool... Poucos lucraram muito na época da lei seca, hoje estamos com este mesmo problema só que agora com à maconha, olha aí a questão, sou contra o tráfico, pessoas de mal caráter, conhecidos como mulas, influenciando a juventude com seus estilos de vida empunhando armas de grosso calibre, gerando medo no meio que vive, este tipo de comportamento tem que ser banido, isto sim sou contra, o tráfico, que trás a violência ! Colocam armas na mão de pessoas de má índole sem vínculo com o governo trabalhando para um pequeno grupo de mercenários criminosos , com a liberação da maconha para o usuário, permitindo plantar para seu próprio consumo é legal e beneficente a sociedade , pois irá diminuir o poder dos organizadores do pontos de tráfico, assim com esta medida as bocas de fumo, assim conhecida, perderão uma grande parcela de poder, pois o consumidor não irá mais ser obrigado a obter a maconha neste pontos sujos e criminosos , enfraquecendo o crime de distribuição, e de arrecadamento de dinheiro , com isto perderão recursos para adquirirem armas e os pontos de drogas ficaram cada vez mais ralos e enfraquecidos para a policia entrar com estratégias de eliminação de facções criminosas, é estas organizações que esta enfraquecendo a política dos bons costumes, injetando dinheiro em políticos corruptos e engenhando o medo, o terror em todos os níveis da camada social do pobre até o rico ! Sou a favor, sim, e o ministro do Meio Ambiente está de parabéns! Espero que a sociedade acorde para este movimento principalmente o Rio de Janeiro, que sofre tanto com o tráfico nos periféricos da Cidade!


  2. Administrador escreveu:


    Discordamos radicalmente do comentário anterior. Conforme exposto no artigo, os usuários de drogas acabam onerando toda sociedade.

    Supor que a criminalidade sofra um revés com a liberação da maconha chega a ser um argumento infantil.

    Depois da maconha virão a cocaína, o crack e outras drogas.

    Combater os males que nos afligem com políticas que gerem outros malefícios é literalmente trocar seis por meia dúzia.


  3. VISIONÁRIO escreveu:


    Não se pode proibir alguém de se autoprejudicar, isto e inconstitucional pois fere a liberdade individual. O consumo de drogas, por si só não afeta ninguém a não ser o próprio usuário, indiretamente temos gastos com saúde pública e com segurança já que as drogas são proibidas e é preciso um poder de repressão armada para deter o tráfico. Sua interpretação de que o usuário de drogas, quaisquer que sejam, onera os cofres públicos, deveria então ser aplicada a situações como: sedentarismo e má alimentação(pasme, mas as mortes e doenças relacionadas a estes dois fatores são o que mais onera os cofres públicos brasileiros), produtos industrializados, álcool, tabaco, produtos embutidos, conservantes, corantes alimentícios... Podemos citar várias práticas e produtos que oneram os cofres públicos, de tal forma que, segundo esta tua lógica, deveriam ser proibidas, ou seja, o conceito de liberdade seria apenas algo romântico, o que seria algo lamentável para a liberdade conquistada ao longo dos séculos. A vida traz custos que são inevitáveis, privar os indivíduos de consumirem drogas é atentar contra suas liberdades, por isso que as drogas deveriam ser legalizadas e taxadas, esta é uma medida razoável pois não interfere na escolha do indivíduo que prejudica somente a ele mesmo, pois como já disse, o consumo por si só não causa danos a terceiros, e com a taxação das drogas, os prejuízos nos cofres públicos podem ser amenizados, sem contar que a proibição formenta o crime organizado e a corrupção dos agentes públicos, o lucro do tráfico diminuiria e esta guerra maluca acabaria aos poucos, a proibição das drogas se funda mais numa ideologia moralista e conservadora que atrasa a evolução da mente humana do que numa lógica jurídica, a proibição desta planta nos impede de ter: plástico biodegradável que já fora inventado há mais de 20 anos, tecidos 5 vezes mais macios do que o algodão e sem necessidade de uso de pesticidas, papel(1 acre de cânhamo produz 4 vezes mais papel do que 1 acre de eucaliptos) e outros como biocombustíveis produzidos a partir do óleo da semente da maconha, inclusive vernizes e outros...

    Moralismo e ignorância, é nisto que se funda a proibição das drogas.


  4. Visionário escreveu:


    ''Maconha é uma droga ilícita e nociva à sociedade. O Supremo Tribunal deveria proibir essa manifestação em todos os estados da Federação e vetar a publicação do site que nada mais é que apologia ao uso de drogas.''

    A defesa pública de uma mudança na legislação para que se legalize algo proibido não se caracteriza apologia, sou estudante de Direito e sei do que estou falando, apologia é a glamourização ou a defesa públicas de fato criminoso ou de autor de crime, uma manifestação que visa uma mudança na legislação é perfeitamente constitucional e é um exercício da liberdade de expressão, que é uma das conquistas mais importantes em nosso ordenamento jurídico.


  5. Maria Etiene escreveu:


    Sugiro ao Vsionário que quando estiver lúcido faça uma pesquisa. Descobrirá que drogas, sejam elas lícitas ou não, levam indivíduos ao descontrole. Dai podem resultar crimes bárbaros como estes que estão nas manchetes de jornais.

    G1 26/10/2009 - Músico viciado em drogas mata a namorada no Rio

    Uma família está de luto pela morte da jovem, de 18 anos. A outra tenta entender como o filho foi capaz de cometer o crime. Bruno Melo é viciado em crack e confessou o assassinato.

    G1 14/02/2008 - Filho adotivo mata o pai e se esconde em clínica no interior de SP

    ...alvejado por dois tiros no rosto e morreu. Durante as investigações, a polícia apurou que a vítima tinha um filho adotivo viciado em drogas. O rapaz de 20 anos já teria, segundo a polícia, roubado familiares. Na quarta-feira (13), a...

    G1 09/11/2008 - Rapaz mata os pais a golpes de foice

    ...informações que elucidassem a causa do crime. Há informações de que ele era viciado em drogas e uma das hipóteses é que ele teria matado os pais porque eles teriam se negado a lhe dar dinheiro...

    Tem muito mais. Procure se informar em vez de ficar fazendo apologia ao uso de drogas.


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