18/05/08 – Internet e a grande revolução.
No mundo de nossos antepassados só os privilegiados sabiam ler e escrever. O conhecimento era monopólio de poucos, pois estava registrado em documentos únicos que ficavam trancados em arquivos e bibliotecas de mosteiros e castelos.
A descoberta da imprensa quebrou parcialmente o monopólio do conhecimento e permitiu disseminar novas idéias.
Discursos que antes só podiam ser ouvidos ao vivo, ganharam versões impressas que viajaram o mundo e plantaram sementes nos cinco continentes.
Em pouco tempo ideais se transformaram em movimentos e revoluções que redesenharam o mapa geopolítico do planeta.
Mas imprimir papel tem seu custo e suas dificuldades técnicas. Por isso, essa revolução do conhecimento foi parcial. Nem todos tinham dinheiro para adquirir livros, jornais e revistas e grande parte da população era analfabeta. Além disso, ler consome tempo, requer atenção e raciocínio.
Com o surgimento do rádio e pouco depois da televisão, grande parte das limitações da imprensa foram superadas.
Ouvir rádio e assistir televisão não têm qualquer pré-requisito. Do analfabeto ao bem letrado todos estão em condições de igualdade.
Enquanto ler e interpretar demandam esforço intelectual, ouvir e assistir, pouco exigem além de um mínimo de atenção. É possível até escutar rádio ou assistir televisão mantendo uma atividade paralela.
Ocorre ainda, que rádio e televisão funcionam pelo sistema de difusão. Com isso a limitação decorrente das dificuldades de produção e distribuição de material fisicamente constituído, acabou.
A difusão representa uma cobertura de área que independe de acesso. Televisão e rádio, lançam um sinal no ar e capta quem tem os aparelhos receptores.
Em pouco tempo televisão e rádio ganharam o mundo e se tornaram um dos maiores instrumentos de poder do planeta.
Estranhamente a humanidade trilhou o caminho inverso daquele percorrido por seus ancestrais que conquistaram liberdade e conhecimento através da imprensa.
A televisão e o rádio que poderiam ter sido o instrumentos de uma segunda revolução do conhecimento e de mais um passo rumo à igualdade e liberdade, acabaram se transformando em senhores da mente e da vontade.
O conhecimento que antes era construído por cada um, pela associação de idéias coletadas por diversos meios, foi substituído pelo conhecimento pronto. Apesar de não existirem grilhões impedindo o livre arbítrio, parece que a liberdade acabou reduzida à escolha de cais estações.
A grande questão é que o conhecimento pronto, não visa o desenvolvimento do indivíduo, nem igualdade e muito menos liberdade. Pelo contrário, seu objetivo é escravizar indivíduos para alimentar uma máquina de consumo e interesses.
Assim, a massa tem acesso às notícias que passam por um crivo de interesses e o suposto laser nada mais é do que um cabresto e uma máquina de estímulo do consumo.
Desde a programação infantil, até a programação adulta tudo se resume a impor padrões e idéias prontas para dominar e estimular.
Quando não são explicitas campanhas publicitárias com pessoas de sucesso falando sobre as maravilhas dos produtos e serviços que promovem, são campanhas subliminares que pretendem infiltrar idéias e vontades nas mentes de seus fiéis espectadores e ouvintes.
Com isso, a humanidade vem caminhando ruma a uma escravidão global, onde todos são livres para trabalhar, mas escravos em regime semi-aberto “livres“ para consumir e pensar.
Quem domina os meios de comunicação ou lhes compra tempo a preço de ouro, impõe padrões, dita a moda e controla a “democracia”.
O mundo parecia caminhar para um cenário de ficção com o povo sendo dominado por uma força invisível, amorfa e aparentemente inocente.
Assim, por exemplo, Bush conseguiu transformar uma guerra insana em todos os aspectos numa guerra santa e obter apoio maciço do povo. O mundo inteiro consome Coca-cola. Ter um celular passou a ser uma necessidade básica. O padrão de beleza e a moda são aqueles ditados por estilistas de mentes deturpadas. Lula consegue manter altos índices de popularidade, apesar de seu governo medíocre marcado pela corrupção.
Mas o império da mídia e seu poder estão ameaçados. Da internet sopram ventos revolucionários que tendem a mudar tudo.
Com a internet, o poder hegemônico sobre a notícia se enfraquece. Aquele discurso contundente que nenhum jornal e nenhuma televisão noticiaram, está na rede e passa a ser divulgado independente da vontade dos censores. Qualquer um pode divulgar suas notícias, suas idéias e construir conhecimento a partir de um mundo de opções.
Além disso, o conhecimento que até então eram segredos guardados a sete chaves, tem vazado para a internet e aqueles que o exploravam perderam a exclusividade.
Mas a força revolucionária e renovadora da internet está também na questão financeira.
Montar e operar um jornal uma revista, uma emissora de rádio ou televisão demandam capital. Essa limitação tornava o ramo das comunicações accessível apenas a grupos poderosos que pelo domínio da informação se tornavam mais poderosos ainda.
Hoje qualquer indivíduo que tenha um computador monta uma página e desafia interesses milionários em condições de igualdade.
A internet ainda é o um caos. Mal comparando é a criança desastrada. Mas aos poucos essa aparente anarquia ganhará ordem e o mundo viverá uma grande revolução na verdadeira liberdade da informação e do conhecimento que trarão liberdade, igualdade e desenvolvimento espiritual.
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20 de maio de 2008 às 3:48
tem ainda muito lixo, mas sabendo garimpar a internet é uma ferramenta extraordinária e bem usada é o melhor meio para difundir conhecimento e informação