01/06/08 – Precisamos de uma ALERJ e 70 deputados?
Alerj, Atuação de parlamentares, Corrupção, Crime organizado, Desgoverno, Política, Segurança Pública
A criação de um decreto para soltar o ex-Chefe de Polícia e deputados Estadual (PMDB) Álvaro Lins preso em flagrante por uma série de crimes, inclusive Lavagem de dinheiro, foi a gota dágua.
Água não é a palavra certa, pois água é vida e transmite a idéia de pureza.
O que aconteceu na ALERJ foi a pá de lodo que faltava para romper a barragem de rejeito que foi criada nas últimas décadas na casa legilslativa do Rio de Janeiro.
A ALERJ historicamente tem acolhido bandidos sem qualquer constrangimento e está cada vez mais distante de sua missão e do povo. Graças a atuação nefasta destes “representatnes do povo”, política se tornou sinônimo de roubalheira, conchavos e bandidadgem.
Atualmente dos 70 deputados estaduais com mandato na ALERJ, 33 estão indiciados na justica. 10 respondem a processos criminais e 23 respondem a processos no Trbunal Superior Eleitoral, Tribunal de Contas da União ou no Tribunal de Justiça do Rio.
Não é preciso retroagir muito no tempo para lembrar alguns casos.
Há poucos dias o Ministério Público apresentou denúncia contra 12 envolvidos no esquema conhecido como bolsa fraude que consistia na cocessão de auxílios-educação da ALERJ com base em fraudes.
Entre deputados e seus assessores foram 12 indiciados que responderão por formação de quadrilha e estelionato. Os deputados são:
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João Peixoto (PSDC);
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Édino Fonseca (PR);
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Tucalo (PSC);
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Jane Cozzolino (PTC) - prisão decretada;
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Renata do Posto (PTB) - prisão decretada.
Para que se tenha uma idéia do tipo de gente que a ALERJ abriga, seguem 6 nomes e os crimes com os quais estão envolvidos.
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Natalino José Guimarães (DEM) - denunciado por formação de quadrilha;
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Geraldo Moreira (PSC) - acusado de homicidio;
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Alcebíades Sabino dos Santos (PSC) - denunciado e cassado por compra de votos em 2006;
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José Nader Júnio (PTB) - preso em flagrante por crime ambiental e porte ilegal de arma
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Jorge Babu (PT) - acusado de crime ambiental;
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Marcos Abrahão (PFL) - mandante do assassinato do deputado Valdeci Paiva de Jesus em 2003.
Esses são exemplos de nomes que podem ser publicados. Mas existem outros muitos que são notórios vigaristas de péssima reputação. Seus nomes sempre orbitam esquemas ilegais e crimes mas só serão pegos se forem investigados. Exemplo típico é Álvaro Lins que há mais de seis anos vem sendo alvo de denúncias, mas só agora foi efetivamente preso. Antes, quem ousasse acusá-lo era processado por difamação.
Como ele existem outros que gozam da impunidade que reina soberana.
Enquanto não houver uma depuração nos quadros da ALERJ o Rio de Janeiro não terá futuro.
Atualmente as cassações só ocorrem quando há escândalos e ainda assim, em condições especiais.
Quando o assunto é cassar mandatos, deputados agem de forma preventiva como se fosse certo que no futuro a vez de cada um chegará. Daí querem contar com o apoio dos colegas.
A outra questão preocupante é o completo despreparo técnico da classe política em geral. Quem entrar no site da ALERJ para fazer uma pesquisa das propostas de lei conclui que não precisamos de ALERJ nem de 70 deputados consumindo pequenas fortunas.
A grande dificuldade é que o processo de depuração precisa ter início nos próprios partidos que deveriam ser seletivos no aceite de filiações. Atualmente o critério de aceitação está relacionado apenas com o cacife eleitoral dos candidatos. Aqueles que têm chance de arrastar um bom número de votos, têm a filiação garantida por mais suja e extensa que seja a ficha criminal.
O segundo crivo depurativo é o processo eleitoral. Como esse está viciado na origem, dificilmente conseguiremos no curto prazo, ter uma casa legislativa com uma maioria de representantes probos, moralmente preparados e éticos.
O vício de nossa democracia está no fato dela ser um modelo ideal. Para que funcionasse, o povo teria que ter suas necessidades básicas plenamente atendidas e ser capaz formar opinião para escolher seus representantes. Na prática temos grande parte da população carente e pouco esclarecida, disposta a trocar votos por pequenas vantagens, sem fazer grandes reflexões quanto a futuro, nação e bem estar coletivo. Com isso, o passaporte para uma vaga numa casa legislativa passou a ser dinheiro para comprar votos e contratar campanhas publicitárias fantasiosas.
A situação tende a piorar pelo fato das classes média e alta terem uma taxa de fertilidade abaixo de 2 e as classes pobres muito acima de dois. Com isso, a massa de eleitores ignorantes fácil de manobrar e cativar cresce de uma forma desproporcional enquanto as classes alta e média encolhem.
Some-se a tudo isso a histórica e sistemática decepção com a classe política que leva o povo a se tornar apático, indiferente e egoísta.
Vivemos um momento muito crítico. A sociedade está se deteriorando a passos largos, com o crime organizado infiltrando representantes no legislativo, executivo e judiciário.
Essa infiltração tem se dado por eleições, indicações e ralações promíscuas de agentes da lei e representantes do Estado com o crime organizado.
Chegamos a um ponto de difícil retorno. Ou a sociedade se engaja mais e efetivamente exerce a cidadania, votando com mais responsabilidade e exigindo moralidade daqueles que governam ou a situação não se reverte.
O estado de indigência política no qual nos encontramos não acaba por vontade divina. É preciso que haja um engajamento maior, principalmente das classes média e alta.
O jogo precisa ser revertido. Ou seja, precisamos “infiltrar” pessoas de bem nas casas legislativas e na administração pública para que essas cumpram o papel de construir e manter uma democracia sadia.
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04 de junho de 2008 às 3:33
Bando de Ladrões Safados
06 de junho de 2008 às 1:17
Gostei da idéia de gradear a ALERJ para não deixar eles sairem.