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10/06/08 – Presídio na Paraíba vira condomínio de luxo.

Em 10 de junho de 2008 às 5:43 | por Bruno Engert Rizzo | 1.304 leitura(s)
Brasil, Corrupção, Crime organizado, Desgoverno, Geral, Política, Segurança Pública

Penitenciária de Campina GrandePresos da Penitenciária Regional Campina Grande - Serrotão, construíram nove casas no terreno do presídio com direito a equipamentos de musculação,  televisões de plasma, luxo e conforto. A penitenciária era um verdadeiro “escritório do crime” para grande operação de tráfico de drogas.

O esquema foi montado para facilitar a entrada de armas e drogas no interior do presídio, contava com a conivência de agentes penitenciários e até de ex-diretores da penitenciária.

Foi necessária uma operação conjunta da Polícia Federal com o  Ministério Público e as polícias Civil e Militar para desmontar o esquema e demolir as construções dentro do presídio.

Batizada de Operação Albergue, a ação policial prendeu 21 pessoas — incluindo apenados do regime fechado, do regime aberto, um ex-diretor e um ex-diretor adjunto da unidade. A polícia descobriu que os detentos e funcionários do presídio mantinham também um esquema que permitia aos albergados se beneficiavam do “álibi” de estarem supostamente no presídio para cometer os mais diversos delitos do lado de fora. Dessa forma, permaneceriam isentos de qualquer suspeita, uma vez que, nos registros da penitenciária, constaria que estavam recolhidos no momento dos crimes.

De acordo com o promotor Osvaldo Lopes Barbosa, da 1ª Vara Criminal Privativa de Crime de Droga e de Trânsito, os “chefes da máfia” instalada na instituição penal foram autorizados a construir nove casas no local. Segundo o promotor, uma “verdadeira mansão”, com geladeira de luxo e equipamentos de musculação, foi construída irregularmente dentro do presídio, sem que a direção da casa carcerária interferisse.

Secretário de Cidadania e Administração Penitenciária Adelson PereiraO secretário de Cidadania e Administração Penitenciária, Pedro Adelson, admitiu saber que as casas existiam, mas alegou achar que serviam como celas.

Em cumprimento aos mandados judiciais, foram presos o ex-diretor do Serrotão Paulo Guilherme, exonerado do cargo após a fuga em massa ocorrida em 26 de abril, e o ex-diretor adjunto Sebastião Almeida, preso em Campina Grande, enquanto o tenente Guilherme foi detido em João Pessoa, onde estava participando de um Curso de Equitação no Esquadrão de Polícia Montada.

Dois agentes penitenciários lotados no Serrotão também foram detidos. Eles estão sendo acusados, segundo a polícia, de facilitação da ação criminosa dentro do presídio. Um dos mandados de prisão foi expedido contra José Maurício Filho, o Barrinha, apontado pela polícia como o comandante do tráfico de drogas no interior do Serrotão.

Barrinha seria o cabeça do esquema e comandava a venda de entorpecentes de dentro do presídio, usando telefone celular. Condenado por tráfico de drogas, cumpre pena em regime semi-aberto no Serrotão. 

Não é preciso mencionar que o próprio governador Cássio Rodrigues Cunha Lima "não sabia de nada".

Vale lembrar que em 2007 Cunha Lima foi cassado duas vezes pelo TRE da Paraíba e que permanece como governador por força de liminar concedida pelo TSE até o julgamento do processo.

Há poucos dias foi veio a público o esquema de Álvaro Lins, Chefe de Polícia do Estado do Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Federal, o então governador Anthony Garotinho seria o chefe da quadrilha denunciada.Garotinho obviamente nega seu envolvimento.

Tudo é surreal. O Brasil parece um "País das Maravilhas".

É inimaginável para não dizer impossível, que esquemas tão duradouros, amplos e aberrantes como esses do Rio de Janeiro e da Paraíba acontecam sem que exista toda uma cadeia de conivência que vai da gerência do esquema até o governador passando por todo secretariado.

A implantação de esquemas ilegais na administração pública gera conflitos de interesses que por bem ou por mal levam à denúncias. Inevitavelmente tudo chega ao conhecimento do governador. Sempre existe um funcionário fiel a princípios morais e éticos, como também existe o funcionário ansioso por demonstrar fidelidade.

Além disso, tudo que é ilegal contraria aqueles que ficaram fora do esquema que se transformam em potenciais denunciantes.

Portanto, esquemas como estes só sobrevivem com a participação ou beneplácito consentimento da cúpula.

Outro aspecto difícil de aceitar é que um governador não conheça quem escolhe para o seu secretariado.

Por último, quem governa não pode se permitir não saber o que se passa em seus gabinetes e em sua administração.

Se a tese do "eu não sabia" for aceita, deveria ser encarada como confissão de omissão ou negligência.

Enquanto "eu não sabia" for tolerado o país não conseguirá superar a crise moral que nos corrói há décadas e criou raízes no governo Lula.

 

 

 

 

 

 

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