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01/07/08 – Bolsa Família é compra de voto à prestação

Em 02 de julho de 2008 às 1:10 | por Bruno Engert Rizzo | 16.003 leitura(s)
Brasil, Corrupção, Desgoverno, Opinião, Política

O Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas - IBASE publicou recentemente um relatório que mostra a face real dos atuais programas assistenciais.

A pesquisa foi encomendada pelo governo e utilizou uma amostra de 5.000 beneficiários do programa Bolsa família em 229 municípios, entre setembro e outubro de 2007.

O resultado mostra que 54,8%, ou seja, mais da metade dos 11 milhões de beneficiários do programa Bolsa Família do governo federal, passam fome ou não têm alimentos suficientes em casa.

Gráfico 1

IBASE Segurança alimentar dos Beneficiários do Bolsa Família

Entretanto esse estado de insegurança alimentar não decorre apenas de insuficiência de recursos para comprar alimentos.

A pesquisa mostrou que parte dos beneficiários não utilizam os recursos do Bolsa Família para comprar alimentos, mas sim, para comprar eletrodomésticos, roupas, outros bens de consumo e serviços.

Segundo os entrevistados, mesmo o dinheiro utilizado para compra de alimentos é mal gasto, pois, se destina a balas, doces, biscoitos ou outros supérfluos.

Gráfico 2

Pesquisa IBASE Bolsa Família

O estudo é inconclusivo pois foi conduzido de forma duvidosa. Os entrevistados podiam dar mais de uma resposta quanto aos gastos prioritários com os recursos do Bolsa Família. Assim, o total não fecha 100% e não é possível saber, quanto dos recursos efetivamente são gastos com cada item e quantos beneficiários priorizam alimentos. Contudo, a pesquisa evidencia que o programa esta desviado do objetivo. Talvez o estudo tenha sido propositadamente mal elaborado para não revelar a realidade.

Ainda de acordo com o estudo, à insegurança alimentar continua rondando os beneficiados pelo programa bolsa família e apenas 16,9% das famílias do programa têm segurança alimentar e nutricional conforme mostra o gráfico 1.

O coordenador do estudo, Francisco Menezes, declarou que o baixo número de titulares com alimentação plena não quer dizer que o programa esteja dando errado.

Discordamos dessa opinião e entendemos que os resultados dessa pesquisa evidenciam muito mais fatos do que foram divulgados.

O programa Bolsa Família supostamente se destina a acabar com a fome da população de baixa renda. Se o dinheiro é utilizado na aquisição de bens de consumo e serviços, em detrimento da alimentação, não cumpre seu objetivo social.

Com isso o Bolsa Família foi transformado num programa de fidelização de votos. Os beneficiários na realidade estão vendendo votos à prestação e Lula os compra com dinheiro público ao longo dos 4 ou 8 ou até 12 anos de seu mandato.

O segundo aspecto relevante mostra que parte dos entrevistados gasta recursos do programa Bolsa Família com remédios e material escolar, entre outros itens.

Tal fato evidencia mais ainda a falência do ensino e da saúde públicos. Ambos são obrigações do Estado. Pelo menos assim está escrito na constituição que vige.

Mas esse é o habitual pacto medíocre que povo e governo têm feito há décadas.

O governo cultiva a miséria como se fosse um patrimônio. Gasta boa parte dos recursos destinados à área social em programas de pão e circo que perpetuam a miséria e estimulam a preguiça improdutiva. Dessa forma está garantido que os filhos dos miseráveis serão miseráveis e potenciais candidatos a esses mesmos programas sócio-eleitoreiros. Em troca da política de  do pão e circo o povo oferece votos.

Até hoje não foi implantado um verdadeiro programa social que vise transformar miseráveis geradores de demandas que não suprem, em produtores do próprio sustento e de riqueza.

Na prática o resultado dessa pesquisa mostra que a atual política social não ajuda a construir um futuro digno para esses milhões de brasileiros e que seu filhos provavelmente herdarão a insegurança alimentar, transformando-se em novos miseráveis cronicamente dependentes de esmolas.

Aqui valem duas comparações.

Ao fim da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha e o Japão estavam absolutamente derrotados e falidos.

O Japão foi vítima de duas bombas atômicas que praticamente destruíram Hiroshima e Nagasaki.

A Alemanha teve as principais cidades arrasadas à cota zero pelo maior bombardeio aéreo da história da humanidade. As indústrias produtivas que sobraram e eram de algum valor, foram literalmente desmontadas e carregadas para a União Soviética ou para os Estados Unidos após o fim da guerra.

Alemanha e Japão terminaram a guerra com toda infra-estrutura destruída, sendo obrigados a se submeter a uma rendição incondicional. 

Nurnberg - Alemanha, no fim da II Guerra

Nuremberg no fim da II Guerra.

Para evitar que o comunismo avançasse na Europa, os EUA idealiazaram e financiaram o Plano Marshall que representou uma ajuda financeira no valor total de US$ 13 bilhões de dólares para toda Europa livre ou ocupada pelos Aliados.

Desse total, a Alemanha recebeu US$ 1,39 bilhões, além de US$ 1,17 bilhão em donativos e um empréstimo de US$ 217 milhões.

A ajuda total recebida pela Alemanha foi, portanto, da ordem de US$ 2,78 bilhões. Esse montante trazido a valor presente representa muito mais. Porém foi com esse dinheiro que a Alemanha em menos de 15 anos se reergueu. O dinheiro não foi consumido apenas em aquecimento e na alimentação dos famintos de pós-guerra num país arrasado. Com esses recursos a Alemanha, então com aproximadamente 60 milhões de habitantes  se reestruturou para pouco depois voltar a ser a potência que é hoje.

No Japão não foi muito diferente. Os EUA financiaram a reconstrução com um aporte de US$1,9 bilhões.

Esses dois países que em 1945 eram pilhas de escombros e só tinham capital humano, são hoje potências econômicas e suas populações têm alto padrão de vida.

Enquanto isso no Brasil, há décadas governos inconseqüentes, incompetentes, corruptos e populistas vêm gastando rios de recursos para se perpetuarem no poder. Há décadas as conquistas sociais são tímidas ou até imperceptíveis. Isso quando não andamos em movimento retrógrado.

O Brasil já  gastou alguns planos Marshall em bolsa família, bolsa miséria, bolsa gás e tantos outros programas inúteis. Sequer conseguimos romper a barreira de tirar toda população brasileira da miséria e oferecer saúde, segurança e educação.

Somente o orçamento "social" de 2008 consumirá R$ 16,5 bilhões. A taxa de câmbio atual, seriam mais de US$ 10 bilhões.

Isso para não mencionar a histórica corrupção que em menos de um ano já tragou mais de R$ 18 bilhões de reais. (Referência Corruptômetro OFCA).

Todos esses fatos levam a uma única conclusão. O que falta ao Brasil não são recursos. O Brasil carece de capital humano.

O povo precisa evoluir e banir do cenário político do país essas "famílias" que se assenhoraram do poder  e sugam a Nação negando um futuro digno às próximas gerações.

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4 Respostas para “01/07/08 – Bolsa Família é compra de voto à prestação”

  1. Stella escreveu:


    para acabar com essas esmolas o país recisa gerar empregos, investir pesado na educação e infra-estrutura


  2. joão promocena escreveu:


    "BOLSA FAMILIA'., a verdadeira ESMOLA, trocada por VOTO.
    Isto é uma VERGONHA..


  3. Luiz Andreazi escreveu:


    Nada contra o Bolsas Familia,mas, sou contra forma como é conduzido, não traz nenhum benefício, em uma grande porcentagem é como dar esmolas a vagabundos.
    É que dois donos de casas lotérica os quais tenho amizade, me disseram que muita gente vai trocar por cartão de ou crédito de celular, comprar cartão telefonico e jogar na supersena oque deveria ser proibido e cassado.
    Não preguntei a nenhum traficante, porque não conheço, mas, do jeito que a coisa está solta, tem gente trocando por até por drogas.
    O que está faltando é apenas assistente social neste país, mas, gente séria para controlar, fazer visitas, fazer estatísticas e manter um arquivo de confrontação dos gastos.
    Isto além de dar emprego a pessoas formadas e treinadas, ajuda a manter e controlar o Bolsa Familia e não só isso, atyravez do assistente o estado fica mais próximo do povo mais humilde, conhecer melhor seus problemas de educação e daí podem sair bons resultados de orientação, principalmente nas favelas e perifeira.
    Falta vontade política.


  4. cristiano mendes escreveu:


    Somos a favor de uma tentativa de distribuição de renda direta como o caso das bolças? ou então somos a favor das BOLÇAS BNDES para empresas multinacionais investirem aqui, oh... e não pagarem, oh, e tomarem conta dos prédios e vendê-los como as empresas de telefonia móvel estão fazendo, oh!!! e elas também não pagam as multas que são aplicadas, oh!!!! que coisa esquisita, sô!?
    será que "1984" não foi tão claro, "duplipensar", acho engraçado, uma vez me disseram que aqui no Brasil o político é como massa, um espaguete, pode ser duro grão, mas quando vai a panela amolece. Saramago achava o Brasil diferente de todos os outros, visto que aqui não havia grupos ideológicos que buscavam comandar o país, há um grupo econômico que manipula e controla. tanto direita quanto esquerda neste país traçam o mesmo prato. esperamos muito em Dilma.


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