01/08/08 – Compra-se imóveis de políticos.
Atuação de parlamentares, Brasil, Desgoverno, Niteroi, Opinião, Política
Novamente estamos às vésperas de uma eleição. Com isso foi aberta a temporada de caça ao voto e teve início o habitual jogo sujo permeado de acusações, promessas vazias e oportunistas, explorando aflições sociais momentâneas.
Além disso, políticos profissionais debocham acintosamente do povo com suas declarações de bens visivelmente fraudadas e ajeitadas conforme a conveniência.
Alguns políticos devem ter o dom do toque de Midas, pois conseguiram em poucos anos de vida pública mais do que decuplicar patrimônio e inexplicavelmente se tornaram milionários.
Outros parecem ter feito um estranho voto de pobreza, pois declaram não ter bens, mas mantém um padrão de vida acima daquele que o salário declarado poderia lhes proporcionar.
Há casos onde o enriquecimento ilícito é tão escandaloso, que nem mesmo um bom contador consegue “ajeitar” à evolução patrimonial de forma a torná-la minimamente aceitável.
Álvaro Lins, o ex-chefe de polícia do Rio de Janeiro é um exemplo típico dessa geração de políticos medíocres, que aliado ao crime e a ilegalidade teve ascensão meteórica, porém não consegue explicar sua evolução patrimonial entre outras tantas histórias mal contadas.
Mesmo sub-escriturando os valores de seus imóveis não conseguiu justificar seu enriquecimento. Tentou colocar os imóveis em nome de parentes que também não tinham lastro patrimonial que justificasse a aquisição daqueles bens.
Mas Álvaro Lins não é o único. Essa é uma praxe entre políticos. O jornal O GLOBO de 20/07/08 trouxe uma reportagem que mostra a incoerência da evolução patrimonial de vereadores de Niterói – RJ.
Tudo é nebuloso. Desde o patrimônio que cresce ou encolhe de uma legislatura para outra sem explicação até o valor atribuído aos imóveis.
Nesse aspecto, quem que mais chama atenção é o Presidente da Câmara dos Vereadores José Vicente Filho (PPS).
Ele pretende concorrer como vice-prefeito na chapa de Jorge Roberto Silveira. Em sua declaração de bens entregue ao Tribunal Regional Eleitoral, informou ter um modesto patrimônio de R$ 22,1 mil. (vinte e dois mil e cem reais). Entretanto, José Vicente é proprietário de dois apartamentos. Um deles na Engenhoca avaliado segundo ele em R$ 5.510,00 e outro na Rua Tavares de Macedo, em Icaraí, um bairro nobre em Niterói, avaliado em 16.660,00.
Na realidade, através de uma pesquisa superficial de preços é fácil constatar que há algo de podre na história toda, pois esses imóveis valem no mínimo vinte a trinta vezes mais do que seus valores declarados.
Mas o pior da história, não é o fato de candidatos fraudarem suas declarações de bens. O que realmente incomoda é o fato de não haver qualquer questionamento quanto à inconsistência das informações prestadas.
A eleição deveria ser um instrumento de fomento do progresso social, mas tem funcionado no sentido oposto. A sociedade está deteriorada em todos os aspectos, pois ética, valores morais e capacidade técnica não fazem parte da cartilha da esmagadora maioria de políticos.
Por um fenômeno difícil de ser compreendido a sociedade vem se alienando cada vez mais da política e a representatividade, um dos fundamentos da democracia, deixou de existir apesar do voto direto.
O cidadão se queixa da desonestidade, da imoralidade e ausência total de ética daqueles que governam , como se não lhe coubesse responsabilidade no processo. Isso vale para todas as classes sociais, das mais humildes às mais abastadas.
Pessoas de bem e capazes não conseguem entrar no jogo político que atualmente está completamente deturpado. Os pré-requisitos para ingressar na política são a mediocridade associada à desonestidade o que gerou um ciclo vicioso difícil de ser quebrado.
Além disso, nosso modelo político eleitoral transformou eleição num negócio. Quem quiser entrar na disputa com chances de sucesso, precisa de uma máquina eleitoral que tem um custo proibitivo para um cidadão comum, ainda que este conte apoio popular. Com base nos gastos oficiais dos partidos em eleições, passadas, estima-se que as despesas com campanhas eleitorais cheguem a R$ 1 bilhão esse ano.
Essa é a estimativa com base em números oficiais declarados pelos partidos aos TREs. Contudo, como amplamente divulgado por jornais nos últimos anos, os partidos mantém um caixa II com dinheiro obtido ilegalmente cuja origem não pode ser declarada. É provável que o número real dos gastos em campanhas eleitorais seja estratosfericamente superior ao valor oficial. Com isso e considerando a população apta a votar, conclui-se que cada voto custa de R$15 a R$20 na melhor das hipóteses.
O Tribunal Regional Eleitoral e a própria Receita Federal, esta última tão rigorosa com cidadãos comuns, deveriam fiscalizar partidos e candidatos a cargos eletivos ou quaisquer outros na administração pública com mais rigor.
A neliência e permissividade em relação à retidão de candidatos e políticos é inaceitável, pois, é graças a essa “facilidade” que pessoas desonestas e despreparadas se assenhoram do poder e se apropriam do Estado e da coisa pública.
Estamos diante de um fenômeno estranho. O Estado não controla o ingresso de indivíduos despreparados ou desonestos na vida pública, ou seja, perdeu, se é que alguma vez teve, a capacidade de se proteger de indivíduos que atentam contra o próprio Estado.
Atualmente vivemos um misto de Estado do crime, cleptocracia e anarquia que põem em risco a sobrevivência do próprio Estado.
O povo que se queixa de insegurança, violência, inexistência de saúde pública, ensino decadente e outras mazelas, é o mesmo povo que escolhe mal e elege seus representantes.
Só deveriam ter acesso à vida política cidadão de reputação ilibada (sem ficha criminal). Promessas de campanha deveriam ser compromissos passiveis de algum tipo de punição como inelegibilidade, quando não cumpridas. O foro privilegiado precisa ser extinto e crimes praticados por indivíduos no exercício de cargos públicos eletivos ou não, deveriam ser apurados e punidos com mais rigor.
Enquanto toda essa situação imoral que vivemos perdurar, jamais conheceremos o verdadeiro significado de democracia.
...e fica a oferta:
“COMPRA-SE IMÓVEIS DE POLÍTICOS” *
• Nota: Desde que a documentação esteja em dia e não existam em curso ações por fraude, estelionato, formação de quadrilha ou outros crimes da extensa lista atualmente praticada por políticos.
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