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03/08/08 – Na política bandido bom é bandido amigo.


Brasil, paraíso de dimensões continentais. Terra de povo amigo e hospitaleiro. Tínhamos tudo para nos tornarmos uma potência econômica e social.

Mas algo saiu errado. Por estranho que pareça, estamos entre as maiores economias do mundo, mas nossas mazelas são similares às de países atrasados ou tiranizados por déspotas ladrões.

O mesmo destino que foi generoso ao nos presentear com dimensão continental, riquezas naturais, clima excepcional, povo gentil e amigo, foi cruel ao criar a classe política.

Com isso, nossos avanços têm sido por demais tímidos e dolorosos, impondo sacrifícios à gerações como nem mesmo povos que sofreram duas guerras na Europa conheceram.

É quase incompreensível que tenhamos mais de 500 anos de existência sem que a Nação brasileira tivesse capacidade de criar verdadeiros brasileiros aptos a conduzir o país e o povo rumo à prosperidade e ao bem estar social.

Há décadas política se tornou sinônimo de bandidagem, falcatruas e imoralidade. A situação se deteriorou a tal ponto que as gerações mais novas sequer conhecem o verdadeiro sentido de política.

O Estado está permeado de criminosos e com a chegada das eleições descobrimos que estamos no fundo do poço.

Criminosos com extensos currículos de crimes, que vão desde estelionato à homicídio, são candidatos a eleição ou pior, a reeleição.

Mas esse é apenas um dos males e talvez o menor, pois criminosos já identificados estão ao alcance da lei e trancafia-los é questão de justiça, vontade política e tempo.

A verdadeira tragédia é descobrir que não temos candidatos, pois se parte dos candidatos já cometeu crimes e está sob a mira da justiça, os demais com raríssimas exceções têm relação promíscua com criminosos ou reputação no mínimo duvidosa.

É inconcebível, por exemplo, que o presidente da República suba num palanque com criminosos já denunciados pelo Ministério Público. Mas foi exatamente o que Lula e Sérgio Cabral fizeram em fevereiro desse ano. Dividiram o palanque com o deputado estadual Natalino Guimarães (PMDB) e com o irmão dele, o vereador Jerominho (DEM). Ambos são acusados de comandar a milícia na Zona Oeste e têm extensa folha de crimes, o que já era sabido naquela época.

O exemplo de Lula talvez seja infeliz pois ele nunca sabe de nada. Mas nesse caso, nem seu bando de assessores regiamente remunerados, nem o governador Sérgio Cabral e nem mesmo o secretário de Segurança Pública tinham conhecimento daquilo que estava estampado em todos os jornais. Dá pra acreditar? É evidente que não.

Para completar, numa demonstração de alienação ou deboche Lula ainda discursou e disse que, se não houver a presença do estado, a criminalidade ocupa esse espaço. “O bandido começa a cobrar pedágio, a decidir quem entra e quem não entra, e a maioria das pessoas honestas são marginalizadas”. Coincidência ou não, é exatamente o que seus dois companheiros de palanque fazem segundo denúncia oferecida pelo Ministério Público.

Só há duas explicações ou são todos bandidos e farinha do mesmo saco, ou são todas farinha do mesmo saco e bandidos.

O vídeo a seguir é mais esclarecedor que muitas palavras.

Mas esse é apenas um exemplo. Para nossa trgédia, essa não é uma exceção e sim a regra.

Marcelo Crivella, candidato a prefeito no Rio de Janeiro, também não teve o menor constrangimento em se deixar fotografar aos sorrisos e abraços, trocando elogios rasgados com Claudinho da Merendiba. (OGLOBO 29/07/08). Pelo contrário, a foto demonstra grande apreço e até intimidade.

Claudinho da Merendiba ou Luis Cláudio dos Santos, para quem não conhece, é candidato a vereador amplamente apoiado por 11 associações de moradores da Vila Cruzeiro e do complexo de favelas da Penha. Porém tem extensa folha de crimes. Nas certidões expedidas pela Justiça do Rio contra ele, há pelo menos seis anotações penais. Entre elas furto, maus tratos a pessoa menor de 14 anos e homicídio.

Talvez os adeptos do discurso de Lula: “e a maioria das pessoas honestas são marginalizadas”, consigam explicar como um bandido do quilate de Claudinho da Merendiba é amplamente apoiado por pessoas “honestas” e goza da intimidade de um senador da República e candidato à prefeito.

A verdade é que o Estado está tomado por bandidos até as entranhas e já não é possível reverter à situação sem um choque.

Qualquer cidadão de bem deseja distância segura de indivíduos suspeitos de serem criminosos. Mas na atual política tudo se dá ao contrário. Pousar ao lado de criminosos e ser amigo de criminosos se tornou normal e até glamuroso.

O dito popular “bandido bom é bandido morto” muito em voga no passado, parece ter sido substituído “bandido bom é bandido amigo”.

Os Tribunais Regionais Eleitorais perceberam que essa situação nos levará a derrocada moral, social e até econômica. Numa atitude inédita estão impugnado candidatos processados por crimes.

Mas cabe a nós cidadãos de bem, não votar em bandidos políticos ou políticos amigos de bandidos.

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Uma Resposta para “03/08/08 – Na política bandido bom é bandido amigo.”

  1. Bruno Engert Rizzo escreveu:


    Seria interessante conhecer o conteúdo do tal processo na 1a Vara Criminal de Rondonópils, em Mato Grosso contra o Presidente da ALERJ Jorge Picciani. O jornal OGLOBO publicou em 02/08/08 uma matéria sobre uma suposta chantagem que o ex-Chefe de Polícia e atual Deputado Estadual Álvaro Lins estaria fazendo com Jorge Picciani. Com isso descobrimos que esse, que hoje é presidente da ALERJ, foi exonerado a bem do serviço público em 1986, acusado de concussão e prevaricação.


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