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06/08/08 – Não temos política de Estado e a política de governo se resume a discursos enganosos.

Em 06 de agosto de 2008 às 9:44 | por Bruno Engert Rizzo | 1.253 leitura(s)
Brasil, Corrupção, Desgoverno, Opinião, Politicas Públicas, Política

Luiz Inácio Lula da Silva

Luiz Inácio Lula da Silva

Um dos primeiros atos de Lula quando assumiu seu primeiro mandato foi suspender a tão necessária aquisição de aeronaves para Força Aérea Brasileira. Em seu discurso, para justificar o ato irresponsável, alegou que aquele dinheiro seria mais bem empregado distribuindo alimento aos necessitados. Os caças até hoje não foram comprados e o espaço aéreo brasileiro é "céu de ninguém".

Aquele foi o primeiro de muitos atos inconseqüentes e demagógicos que em pouco tempo se tornaram marca registrada do governo e mostraram que o Partido dos Trabalhadores nunca teve um projeto de governo.

Pouco depois teve início à fase dos escândalos de corrupção que dura até hoje.

Assim descobrimos que nem o Partido dos Trabalhadores e muito menos Lula tinham qualquer projeto útil para o país.

Descobrimos também que o PT tinha sim, um projeto de poder, que consistia em aparelhar o Estado e corromper a base aliada para se perpetuar no poder e transformar o Brasil numa versão tropical de um regime comunista.

Felizmente não tiveram competência nem para roubar e o projeto ruiu. Alguns de seus arquitetos, como José Dirceu, respondem a processos criminais e com sorte talvez possamos, quem sabe um dia, vê-los num presídio.

A política de governo se reduziu a comprar votos à prestação para as próximas eleições e a Política de Estado foi substituída por uma medíocre política de pantomimas.

Cada ministro que assume parece imaginar que o Brasil se resume ao próprio mundinho e assim age como se a política do país não fosse composta por um conjunto de ações coordenadas. com isso as políticas se resumem a idéias mediocres lançadas a esmo sem compromisso de resultado.

Apesar de tudo isso, o governo continua se sustando com elevados índices de aprovação. (Isso considerando que as pesquisas não tenham sido compradas como tem acontecido com todo resto.)

As políticas mais elementares e Obrigações de Fazer do Estado inexistem ou ficaram reduzidos a discursos em palanques similares aos de comícios sindicais.

As políticas estratégicas que deveriam compor uma política de Estado, ficaram reduzidas a discursos e idiotices propaladas por Lula e seus assessores na ONU e em eventos internacionais.

Enquanto China e Índia executam um planejamento, perseguem metas e crescem, o Brasil continua marcando passo o povo aplaudindo a banda de palhaços.

O projeto do biodiesel alternativo produzido a partir da mamona é um exemplo típico desse governo medíocre a frente de uma nau sem rumo.

Em 2005 o governo lançou com grande alarde um programa para produzir biodiesel de mamona. Fez propaganda, financiou e incentivou agricultores e principalmente fez muitos discursos.

Agora, depois que todos acreditaram no projeto e fizeram investimentos, o governo “descobre” que o óleo produzido a partir da mamona tem elevada viscosidade e pode entupir os bicos injetores dos motores. Para funcionar precisaria se aditivado o que torna o projeto economicamente pouco atrativo.

Mas Lula não se abalou. Agiu como uma criança que quebrou um brinquedo e já encontrou outro para se ocupar.

Em sua ingenuidade esqueceu que agricultores fizeram elevados investimentos e plantaram mamona acreditando no projeto de governo. Na cabeça oca de Lula que apenas produz teatros medíocres eivados de erros de protugues, é fácil abandonar um projeto e anunciar a criação de outro.

Foi exatamente assim que Lula agiu. A idéia da mamona não vingou por falta de planejamento, mas Lula já anunciou o próximo espetáculo.

A idéia brilhante da vez é transformar o dourado de água doce, piraju, em salmão. Segundo Lula esse projeto permitirá uma competição mais acirrada com o salmão chileno nas gôndolas e peixarias brasileiras.

De quebra anunciou a criação do Ministério da Pesca em substituição à secretaria extraordinária. O cabide atual era pequeno para tanto companheiro, que precisou ser ampliado. Lula pretende dobrar a estrutura de servidores da pasta. Grande parte sem concurso.

Como não podia deixar de ser, fez mais um discurso memorável. Decalrou: “da mesma forma que fizemos a reforma agrária na terra, vamos fazer agora a reforma aquária, nas águas”.

Esse exemplo mostra que não há planejamento nem compromisso com o país e muito menos responsabilidade.

A cada novo discurso digno de entrar para os anais de discursos de Odorico Paraguassu, Lula aparece como outra idéia brilhante. E assim aos poucos estamos ficando para trás.

A inexistência de uma política de Estado transforma o país num gigante tonto que tudo pisoteia, hora vai, hora vem, sendo incapaz de criar estratégias para crescer e se manter no cenário internacional.

O país só não parou e mergulhou num caos semelhante ao da Argentina pelo fato de Lula ter mantido as políticas econômica e fiscal, herdadas do governo anterior.

Felizmente Lula está fora da próxima eleição. Mas até o fim de seu período de desgoverno ainda fará grande estrago e pior, deixará um país difícil de ser governado com uma máquina administrativa pesada e sem rumo.

A única esperança de mudança nesse quadro tão desalentador seria uma das muitas crises que batem a porta do governo se transformar num impeachment.

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