06/08/08 – Não temos política de Estado e a política de governo se resume a discursos enganosos.
Brasil, Corrupção, Desgoverno, Opinião, Politicas Públicas, Política
Um dos primeiros atos de Lula quando assumiu seu primeiro mandato foi suspender a tão necessária aquisição de aeronaves para Força Aérea Brasileira. Em seu discurso, para justificar o ato irresponsável, alegou que aquele dinheiro seria mais bem empregado distribuindo alimento aos necessitados. Os caças até hoje não foram comprados e o espaço aéreo brasileiro é "céu de ninguém".
Aquele foi o primeiro de muitos atos inconseqüentes e demagógicos que em pouco tempo se tornaram marca registrada do governo e mostraram que o Partido dos Trabalhadores nunca teve um projeto de governo.
Pouco depois teve início à fase dos escândalos de corrupção que dura até hoje.
Assim descobrimos que nem o Partido dos Trabalhadores e muito menos Lula tinham qualquer projeto útil para o país.
Descobrimos também que o PT tinha sim, um projeto de poder, que consistia em aparelhar o Estado e corromper a base aliada para se perpetuar no poder e transformar o Brasil numa versão tropical de um regime comunista.
Felizmente não tiveram competência nem para roubar e o projeto ruiu. Alguns de seus arquitetos, como José Dirceu, respondem a processos criminais e com sorte talvez possamos, quem sabe um dia, vê-los num presídio.
A política de governo se reduziu a comprar votos à prestação para as próximas eleições e a Política de Estado foi substituída por uma medíocre política de pantomimas.
Cada ministro que assume parece imaginar que o Brasil se resume ao próprio mundinho e assim age como se a política do país não fosse composta por um conjunto de ações coordenadas. com isso as políticas se resumem a idéias mediocres lançadas a esmo sem compromisso de resultado.
Apesar de tudo isso, o governo continua se sustando com elevados índices de aprovação. (Isso considerando que as pesquisas não tenham sido compradas como tem acontecido com todo resto.)
As políticas mais elementares e Obrigações de Fazer do Estado inexistem ou ficaram reduzidos a discursos em palanques similares aos de comícios sindicais.
As políticas estratégicas que deveriam compor uma política de Estado, ficaram reduzidas a discursos e idiotices propaladas por Lula e seus assessores na ONU e em eventos internacionais.
Enquanto China e Índia executam um planejamento, perseguem metas e crescem, o Brasil continua marcando passo o povo aplaudindo a banda de palhaços.
O projeto do biodiesel alternativo produzido a partir da mamona é um exemplo típico desse governo medíocre a frente de uma nau sem rumo.
Em 2005 o governo lançou com grande alarde um programa para produzir biodiesel de mamona. Fez propaganda, financiou e incentivou agricultores e principalmente fez muitos discursos.
Agora, depois que todos acreditaram no projeto e fizeram investimentos, o governo “descobre” que o óleo produzido a partir da mamona tem elevada viscosidade e pode entupir os bicos injetores dos motores. Para funcionar precisaria se aditivado o que torna o projeto economicamente pouco atrativo.
Mas Lula não se abalou. Agiu como uma criança que quebrou um brinquedo e já encontrou outro para se ocupar.
Em sua ingenuidade esqueceu que agricultores fizeram elevados investimentos e plantaram mamona acreditando no projeto de governo. Na cabeça oca de Lula que apenas produz teatros medíocres eivados de erros de protugues, é fácil abandonar um projeto e anunciar a criação de outro.
Foi exatamente assim que Lula agiu. A idéia da mamona não vingou por falta de planejamento, mas Lula já anunciou o próximo espetáculo.
A idéia brilhante da vez é transformar o dourado de água doce, piraju, em salmão. Segundo Lula esse projeto permitirá uma competição mais acirrada com o salmão chileno nas gôndolas e peixarias brasileiras.
De quebra anunciou a criação do Ministério da Pesca em substituição à secretaria extraordinária. O cabide atual era pequeno para tanto companheiro, que precisou ser ampliado. Lula pretende dobrar a estrutura de servidores da pasta. Grande parte sem concurso.
Como não podia deixar de ser, fez mais um discurso memorável. Decalrou: “da mesma forma que fizemos a reforma agrária na terra, vamos fazer agora a reforma aquária, nas águas”.
Esse exemplo mostra que não há planejamento nem compromisso com o país e muito menos responsabilidade.
A cada novo discurso digno de entrar para os anais de discursos de Odorico Paraguassu, Lula aparece como outra idéia brilhante. E assim aos poucos estamos ficando para trás.
A inexistência de uma política de Estado transforma o país num gigante tonto que tudo pisoteia, hora vai, hora vem, sendo incapaz de criar estratégias para crescer e se manter no cenário internacional.
O país só não parou e mergulhou num caos semelhante ao da Argentina pelo fato de Lula ter mantido as políticas econômica e fiscal, herdadas do governo anterior.
Felizmente Lula está fora da próxima eleição. Mas até o fim de seu período de desgoverno ainda fará grande estrago e pior, deixará um país difícil de ser governado com uma máquina administrativa pesada e sem rumo.
A única esperança de mudança nesse quadro tão desalentador seria uma das muitas crises que batem a porta do governo se transformar num impeachment.
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