22/09/08 – 2008, ano de eleições e estelionato.
Brasil, Corrupção, Desgoverno, Opinião, Politicas Públicas, Política
Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa. Para aqueles que nasceram nas duas últimas décadas e talvez não saibam, esse já foi o apelido da cidade do Rio.
Atualmente as mazelas são tantas, que seria preciso dizer, Rio de Janeiro, apesar do abandono, da insegurança, da favelização, da saúde falida e da corrupção até no desfile das escolas de samba, Cidade Maravilhosa.
Felizmente ainda não nos roubaram o sol, o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor.
Dos morros já não se pode dizer o mesmo. A cada dia surge um novo “dono” que, ao arrepio da lei e com o beneplácito das autoridades, desmata e constrói mais um barraco.
Há décadas o Rio vem sendo depauperado por caudilhos cujos únicos projetos são ganhar eleições e se apropriar de recursos públicos. Uma vez ganha a eleição, o objetivo passa a ser ganhar à próxima, de preferência num cargo eletivo de mais influência.
Projetos de políticas públicas, com foco na solução dos problemas reais que vêm deteriorando os centros urbanos e a própria sociedade, simplesmente inexistem.
A receita de sucesso é um roteiro medíocre que vem sendo adotado pela maioria dos candidatos a governadores, prefeitos, deputados, vereadores e senadores.
Primeiro é necessário fazer caixa. Para tal, é fundamental ter o dom da multiplicação do dinheiro. O caminho mais fácil é infiltrar um pelego na administração pública, conseguindo-lhe um cargo de chefia num órgão de fiscalização. Outro caminho é conseguir através de conchavos e acertos, uma nomeação para assumir uma pasta numa secretaria ou num ministério. Também tem dado bom resultado conseguir cargos de diretorias em estatais. Pode ser a Empresa de Correios e Telégrafos, Furnas, Petrobras, Instituto de Resseguros ou qualquer outra que tenha uma boa receita e lide com contratações de serviços.
Depois vem a fase das promessas que se divide em duas etapas.
A primeira etapa consiste em mostrar cenas em preto e branco do drama quotidiano urbano. Servem intermináveis filas na porta de um hospital público com pessoas andrajosas reclamando do péssimo atendimento, cenas de tiroteio em favelas com corpos sendo carregados por policiais como se fossem sacos de lixo ou qualquer uma das muitas mazelas do povo.
Ainda nessa etapa, é conveniente que um locutor com voz que transmita seriedade, critique genericamente o caos na saúde, no segurança e no ensino.
A segunda etapa consiste em prometer soluções. Aí vale prometer qualquer coisa que seja de agrado do eleitor. Ao pobre se promete atender suas reivindicações, à classe média se promete um choque de gestão e redução de impostos e aos banqueiros e agentes financiadores da campanha se sussurra ao pé do ouvido que é tudo um teatrinho, só para ganhar a eleição. Não tem qualquer importância fazer promessas conflitantes, impossíveis de serem cumpridas ou mesmo lesivas ao futuro da nação. O que importa é agradar e convencer o eleitor a qualquer custo.
Ao final do programa, é importante, apresentar uma equipe bem vestida, sentada à mesa com papéis, documentos e projetos espalhados na mesa, dando a entender que já está tudo ali, amplamente discutido e planejado por profissionais competentes.
Uma vez vencida a eleição, vem é hora da farsa e do teatro.
Primeiro é preciso não mencionar mais aqueles promessas impossíveis de serem cumpridas. Basta fingir que nunca existiram ou que foram mal interpretadas pela mídia.
Depois é fundamental iniciar um programa de visitas devidamente acompanhado pela mídia. É de vital importância seguir o roteiro:
Cena 1: visitar hospitais para demitir sumariamente diretores e funcionários “incompetentes e responsáveis” pelo caos que reina.
Cena 2: declarar surpresa com o estado de abandono e ato contínuo prometer o choque de gestão.
Cena 3: passar pela fila de doentes, acidentados e desvalidos, cumprimentar, pedir desculpas, prometer melhorias e cochichar anotações a um assessor.
Se por infeliz armadilha do destino eclodir uma epidemia de dengue ou febre amarela, o melhor a fazer é transferir a culpa. Se não for possível responsabilizar inimigos políticos, a melhor solução é jogar a culpa no próprio povo.
Na questão da segurança pública, o teatro é mais do que fundamental. A cada crime que ganhe manchetes nos jornais, é preciso lançar uma nova medida espetacular para combater o crime. Não importa se é inócua ou mesmo ridícula. É preciso apenas apresentar a idéia como a solução milagrosa, fruto de estudo de especialistas e entendidos no assunto. Alguns exemplos de sucesso são, a moto com um policial motorista e um atirador na garupa, operação arrastão promovidas por policiais em favelas, proibição de levar carona na garupa da moto, entre outros.
O problema da educação é o mais fácil de todos. Basta controlar os professores para que não entrem em greve. Não é necessário qualquer preocupação com qualidade do ensino, pois os lesados só descobrirão tardiamente que receberam um ensino precário e de má qualidade, quando o mercado de trabalho os rejeitar.
Além dessas ações é vital, a bem do crescimento da popularidade, criar programas que perpetuem a miséria e incentivem o ócio. Essa deve ser à base da política e o principal programa de governo, pois é a forma mais barata e eficiente para escravisar eleitores, seu filhos, netos e descendentes. Tudo deve ser bem balanceado para que a miséria se transforme numa herança maldita para as gerações seguintes, que assim se manterão dependentes e fiéis.
Durante o exercício do mandato, é importante a veiculação de campanhas publicitárias que mostrem tudo maravilhoso e os grandes projetos de governo. Não há problema em veicular propaganda enganosa. O máximo que pode acontecer é um jornal ou outro publicar uma matéria desmascarando a campanha. Mas o povão não lê jornais, assim o saldo será positivo. Tem dado excelentes resultados lançar a pedra fundamental de obras, mesmo que o empreendimento não passe dessa etapa. O importante é subir no palanque e discrusar sobre os benefícios que aquela obra trará para a população quando estiver pronta.
Outro aspecto a zelar são as finanças da próxima campanha. Esse tópico dispensa maiores explicações. É importante lembrar apenas que as malas e cuecas de dinheiro desviados com corrupção não podem filmados e passados na televisão. Mas caso a polícia venha a apreender o dinheiro, basta afirmar que o dinheiro não tem dono e que a origem é desconhecida.
Em nenhuma hipótese o eleito deve perder tempo com planejamentos para implantação de políticas públicas sérias. Na realidade é preciso evitá-las a todo custo, pois qualquer política pública séria só traz resultados no longo prazo e normalmente vem acompanhada em seu bojo, de medidas impopulares que acabam se traduzindo em perda de votos. Combater a favelização, o pirataria, a camelotagem, o jogo do bicho e ilicitos em geral é um suicídio político.
Se tudo isso for feito a contento o tempo do mandato passa, deixando um saldo de elevada popularidade e recursos financeiros para a próxima campanha.
Daí é só reiniciar o ciclo.
Esse lamentavelmente é o roteiro que tem sido adotado por praticamente todos os candidatos. E a prova do resultado é caos que vivemos atualmente, com direitos básicos negados todos os dias.
Uma política pública que vise reais resultados demanda um planejamento integrado e pessoas capazes.
É impossível combater o crime organizado com medidas teatrais e pontuais, da mesma forma que o caos da saúde não se resolve somente demitindo funcionários da gestão anterior para substituí-los por amigos.
Quanto ao ensino demanda uma reforma geral no sentido de focar qualidade para que se promova a verdadeira igualdade de oportunidades. O ensino público precisa ter como meta proporcionar aos alunos conhecimento para que cheguem ao fim do segundo grau com capacidade de disputar vagas em universidades em condições de igualdade com alunos oriundos de escolas privadas.
É triste constatar que os candidatos que já vêm se apresentando, representem à continuidade da política medíocre que se resume a um grande estelionato acompanhado de outros crimes.
Isso precisa mudar e só depende de uma sociedade mais participativa e engajada.
Gostou do que leu? Não deixe de assinar nosso RSS feed!
- Leia também:
- 15/12/07 – Estelionato político.
- 30/08/08 – Eleições sem esperanças.
- 06/06/08 – Brasil humilhado e ultrajado.
- 04/05/08 – Será a culpa só do Lula?
- 15/03/10 – Eleições, a ficha deles e democracia
- 19/08/08 – Somos uma democracia?
- 13/02/08 – Eleições nos EUA e alienação no Brasil.
- 12/08/08 – Brasil perde R$ 160 bilhões por ano com corrupção e fraudes.
- 01/08/08 – Compra-se imóveis de políticos.
- 26/04/09 – Internet e a praga dos cem anos.
Enviar por e-Mail
Imprimir





23 de setembro de 2008 às 10:49
Em cada ano eleitoral vemos os mesmo candidatos ou seus sucessores, lemos parcas notícias sobre a segurança da urna eleitoral, e os conluios e financiamentos eleitorais continuam os mesmos ou mais sofisticados.
e a Nação sendo sempre mais espoliada.