01/10/08 – A máscara do governador.
Atuação de parlamentares, Brasil, Crime organizado, Desgoverno, Opinião, Politicas Públicas, Política
O Governador do Estado do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) parece ter estudado na escola de Lula. Talvez tenha cursado alguns anos a mais, porém aprendeu a mesma e provavelmente única lição assimilada pelo chefe supremo da Nação.
A lição se resume a um ensinamento muito simples e elementar.
“Esqueça princípios morais, éticos e legais. Governar para o povo é fazer um teatro por dia e transformar uma administração medíocre e desastrosa num sucesso virtual.”
Essa tem sido a receita de Lula desde o seu primeiro mandato.
O país afunda em crises e corrupção, mas Lula continua se valendo da rota declaração “eu não sabia”, como se tal o eximisse de responsabilidade e como se fosse permitido a um chefe de Estado ficar alheio aos acontecimentos que envolvem seus assessores imediatos em crimes e atos incompatíveis com a administração pública.
Essa atitude complementada com discursos sobre o Brasil potência, Brasil maravilha e Brasil ótimo que vivemos no presente em decorrência de grandes, mas duvidosas conquistas futuras, transformaram o presidente Lula no maior engodo da história do Brasil.
A receita é um sucesso e tem garantido a Lula um IBOPE tão elevado que chega a ser duvidoso, diante do caos que reina absoluto no país.
Sérgio Cabral assimilou muito rápido a lição. Logo que assumiu o mandato, promoveu nos primeiros dias um grande teatro. Visitou hospitais públicos e diante do caos que encontrou, declarou-se surpreso. Demitiu, afagou infelizes e necessitados nas filas, fez gracinhas e em eloqüentes discursos prometeu soluções.
Naquele momento nos deu uma amostra representativa do que seria seu governo. É inadmissível que um candidato a governador do Estado do Rio de Janeiro não conhecesse o desastre que estava à saúde pública no estado. Tamanha ignorância só teria três explicações. Ou o candidato era um alienado, pois o caos da saúde há décadas tem feito sucessivas manchetes e capas de jornais ou era analfabeto e assessorado por gente igualmente mal letrada.
Como nenhuma das hipóteses é provável só restou má fé.
Mas aquele foi apenas o primeiro ato do grande teatro. Desde então o governador se especializou em fazer piadinhas e discursos para encobrir sua desastrosa administração.
Logo após as promessas de uma solução para o caos da saúde veio a crise da dengue que levou o sistema de saúde ao colapso total. Somente a crise da dengue deixou um saldo de centenas de mortos em todo o Estado do Rio.
Na segurança pública também tivemos discursos inflamados e uma solução extremamente criativa com a reedição da política “bandido bom é bandido morto” numa linguagem mais polida.
A idéia brilhante de combater o crime sem inteligência e a bala, se mostrou mais um desastre. Não resolveu a questão da segurança e resultou num número desconhecido de mortos e feridos, vítimas de balas perdidas, tiroteios e despreparo das polícias.
Esse curto período de desgoverno levou a uma assustadora evolução do crime organizado com progressiva infiltração de criminosos na estrutura política e administrativa do Estado.
Temos atualmente uma lista de políticos, policiais e agentes da lei, que acumulam funções de homens públicos e chefes ou integrantes de milícias ou do crime organizado.
Na educação o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM evidenciam a falência do ensino público no Brasil e em especial no Estado do Rio.
A bem da verdade, todo esse desastre administrativo não é mérito apenas de Sérgio Cabral.
Todos os governadores que o antecederam contribuíram para o caos. Sérgio Cabral é apenas mais um a dar continuidade a essa política populista que se resume à encenações e atos isolados travestidos de políticas públicas.
O último ato desse teatro foi a ridícula cena produzida em 22/09/08 quando Sérgio Cabral inaugurou uma Unidade de Pronto-Atendimento UPA.
Seu discurso, além de usar um linguajar impróprio para um governador, está permeado de má fé. Declarou:
“Tivemos neste final de semana no Hospital Getúlio Vargas seis vagabundos que não foram trabalhar. Só pode ser vagabundo o médico que não vai trabalhar para a atender a população", disse.
"Quero ver o Conselho Regional de Medicina denunciando esses safados que não vão trabalhar na emergência do Hospital Getúlio Vargas. Eu quero ver o sindicato denunciar esses caras".
Esqueceu de mencionar que os médicos são cooperados, que o hospital tem graves deficiências materiais e estruturais e tentou fazer crer que meia dúzia de faltosos seriam responsáveis pela falência da saúde pública.
Agiu como se o afastamento de seis médicos faltosos fossem resolver a grave crise da saúde. Essa não é a realidade. Se existem responsáveis pelo caos chamam-se Sérgio Cabral e Sérgio Cortes. O primeiro é governador que nomeou o segundo, seu Secretário de Estado de Saúde e Defesa Civil. Desde o primeiro teatro "a saúde está um caos", rigorosamente nada mudou.
Mas poucos dias depois, em 26/09/08, o jornal OGLOBO denunciou a gazeta generalizada na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Dos 50 vereadores, 48 tentam a reeleição e acordaram entre eles que só compareceriam às quartas feiras, ou seja, uma vez por semana para votar.
Até fevereiro houve o recesso parlamentar. Segundo Eliomar Coelho, líder do PSOL, desde então, as seções ficaram praticamente vazias até o recesso de julho.
Para evitar a paralisação total da Câmara, foi feito um acordo entre lideranças que instituiu a exaustiva rotina de um dia de trabalho por semana.
A esse respeito o Governador calou. Não chamou os 48 vereadores de vagabundos nem pediu providências enérgicas à corregedoria da Câmara. O fato em si é muito mais grave, porém não mereceu um comentário.
Pelo contrário, Sérgio Cabral tem apoiado seus apaniguados à reeleição como se fossem os mais dedicados patriotas, altamente comprometidos com o bem estar da Nação.
Quando estourou o escândalo dos funcionários fantasmas na ALERJ, Sérgio Cabral também não fez qualquer tipo de cobrança. Agiu como se o dinheiro não saísse dos cofres públicos do estado e como se o esquema de corrupção então denunciado fosse de menor importância.
Quanto à extensa lista de deputados estaduais e vereadores que atuam em jornada paralela, hora como parlamentares, hora como criminosos, chefes de milícias e do crime organizado, o governador também tem se calado e omitido como se tal fato nem existisse no Estado do Rio.
Sérgio Cabral, sem qualquer constrangimento, chegou a dividir palanque com o deputado estadual Natalino Guimarães, chefe de milícia na zona oeste.
Tudo enfim mostra que estamos diante de mais um grande mestre da arte de representar. Sua máscara caiu no primeiro ato o que não o constrangeu nem o fez mudar o roteiro.
O episódio dos médicos vagabundos é apenas mais um ato desse teatro de horrores do qual compulsoriamente participamos como meros figurantes.
Sérgio Cabral já mostrou a que veio e só nos resta lamentar que seja mais um ator travestido de governador medíocre, a cavar a sepultura do Estado e do povo do Rio de Janeiro.
Gostou do que leu? Não deixe de assinar nosso RSS feed!
- Leia também:
- 18/01/08 – Bandidos do Alemão, mudai-vos.
- 09/02/08 – Rio: governo promíscuo promove falência moral do Estado.
- 19/03/08 – Epidemia de dengue? Não, um desastre!
- 15/05/08 – Dengue: o custo do crime de omissão e negligência.
- 04/06/08 – Rio, favelas têm espaço aéreo.
- 03/03/08 – Lula suas amizades e a mídia “independente”.
- 19/04/09 – Cresce o sentimento que fechar o Congresso não seja má idéia.
- 12/04/08 – Dengue: quem paga a conta?
- 30/05/08 – Rio de Janeiro, o Estado do Crime.
- 03/09/08 – Vitória do crime e falência do Estado.
Enviar por e-Mail
Imprimir




