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03/10/08 – Novos deuses e inversão de valores.

Em 03 de outubro de 2008 às 11:10 | por Bruno Engert Rizzo | 12.822 leitura(s)
Brasil, Crime organizado, Desgoverno, Opinião, Politicas Públicas, Política, Saúde Pública

Morro da Babilônia - Leme - RJ

Morro da Babilônia - Leme - RJ

O morro da Babilônia é uma das áreas de floresta no coração da zona Sul da Cidade do Rio de Janeiro. É cercado pelos bairros mais nobres e não fosse à questão da insegurança, seria extremamente aprazível.

Como praticamente todos os morros do Rio de Janeiro, o Morro da Babilônia está favelizado. Além disso, é uma região de mata fechada com trilhas que interligam favelas e são utilizadas como rotas de fuga de criminosos homiziados na região.

Nos últimos meses a favela conhecida como Chapéu Mangueira tem sido notícia, pois tem aterrorizado moradores do Leme, um dos bairros mais caros e nobres na orla do Rio.

Morro da Babilônia e favela Chapéu Mangueira - Leme

Foto 1 - Morro da Babilônia e favela Chapéu Mangueira - Leme

O bairro outrora sossegado e até bucólico por ser um recanto cercado por montanha e mar, atualmente é vítima de tiroteios, guerra entre facções do crime e base de criminosos homiziados  na favela que assaltam nas imediações e impõe as leis do crime.

O assunto tem sido notícia recorrente nos jornais televisivos e na mídia impressa.

Como de costume, a polícia tem sido incapaz de pacificar a região e o governador age como se o convívio de moradores com tamanha insegurança fosse algo aceitável e inerente à condição de cidadão carioca.

Os moradores têm pressionado as autoridades, pois o estado de insegurança semelhante a uma região em guerra civil, não só é imoral e absurdo, como também está desvalorizando o bairro.

As manchetes que seguem, são algumas das inúmeras que abordam o assunto. As notícias referentes aos títulos podem ser lidas na íntegra no GLOBO ONLINE

  • OGLOBO 24/04/08 - Moradores reagem à violência e criam SOS Leme.
  • EXTRA   24/04/08 - PM ocupa acessos às favelas Pavão-Pavãozinho e Chapéu Mangueira.
  • OGLOBO 29/04/08 - Tiroteios no Chapéu Mangueira e na Babilônia voltam a assustar moradores do Leme.
  • OGLOBO 29/04/08 - Recomeça tiroteio no Chapéu- Mangueira.
  • OGLOBO 01/05/08 - Moradores do Leme criam o 'Disque-Tiroteio' para saber se há confrontos antes de ir para casa.
  • OGLOBO 07/05/08 - Tiroteio assusta Leme e bandidos em fuga invadem prédio próximo ao Chapéu Mangueira.
  • OGLOBO 08/05/08 - Policiamento é reforçado nos morros do Leme.
  • OGLOBO 23/05/08 - Bando da Rocinha está por trás de guerra em morros do Leme e ataque a favela de Caxias.
  • OGLOBO - 23/05/08 - Polícia encontra corpo de suposto traficante no Chapéu Mangueira após noite de confronto entre facções rivais.
  • OGLOBO 24/05/08 - Bope mantém ocupação nos morros do Leme e policiamento é reforçado na região.
  • OGLOBO 20/06/08 - Moradores reagem à violência e criam SOS Leme.
  • OGLOBO 21/06/08 - Jovens são baleados no Chapéu Mangueira e traficante ameaça moradores.
  • OGLOBO 30/06/08 - Governo promete instalar mil câmeras na orla.
  • OGLOBO 02/07/08 - Desordem no Chapéu Mangueira.
  • OGLOBO 15/08/08 - Operação em morros de Copacabana assusta moradores, interdita rua e paralisa obras do PAC.

Essas manchetes são uma amostra bastante representativa da situação imoral e inaceitável que tem sido imposta à população de bem do Rio por autoridades incompetentes ou coniventes com o crime.

Uma condição de insegurança que nem em regime de exceção seria aceitável virou rotina. Desde o governador ao prefeito e todos os responsáveis na esfera federal pela segurança pública, agem como se mortes, tiroteios e imposição de leis do Estado paralelo fossem fatos normais.

Mas no dia 01/10/08 o Globo publicou mais uma notícia que mostra a total inversão de valores e um Estado refém do crime organizado.

Diz o título:

“Construção de minibatalhão da PM em favela do Leme causa polêmica. Moradores dizem que não foram procurados pelo estado para discutir projeto.”

Quem lê apenas o título, supõe que os moradores do Leme gostariam de discutir o projeto de segurança do bairro. Mas não, a questão polêmica é que o presidente da associação de moradores da favela, Isaías Bruno, diz que o estado não procurou a comunidade para discutir a iniciativa.

Seria cômico, não fosse uma evidência que o Rio está de joelhos diante do crime organizado.

Uma favela é uma aberração sob todos os aspectos. É uma agressão ambiental, fere a legislação de uso e ocupação do solo, desvaloriza todo seu entorno e representa o abandono do cidadão pelo Estado.

Além disso, é reduto de marginais que lá se instalam em decorrência da geografia e da ocupação caótica, que lhes propiciam grande vantagem defensiva, dificultando a ação da polícia.

Com suas bases profundamente fincadas e em posições bem defendidas, criminosos exploram comércio e serviços ilícitos e impõe suas leis, valendo-se de uma relação de simbiose com a população.

Esta em troca do furto consentido de energia, água, sinal de TV e de imunidade para construir ilegalmente, acolhe os criminosos e não os denuncia.

Por certo, esta é a razão do presidente da associação de moradores da favela se queixar do fato do projeto não ter sido “discutido”.

É uma aberração total e inversão de valores que um representante do ícone da ilegalidade questione um projeto que visa restabelecer uma condição de segurança que extrapolou todos os limites.

Mas essa infelizmente é a realidade do Rio de Janeiro e do país. O Estado nega direitos constitucionais a cidadãos de bem e discute projetos com aqueles que não respeitam leis como se estes fossem o poder soberano a dar a palavra final.

“Favela” e “pobre” se transformaram em tabus sagrados. Ambos são reverenciados como deuses intocáveis com salvo-conduto para cometer todo tipo de ilegalidade. Em troca oferecem votos no atacado para eleger representantes despreparados, muitas vezes ligados ao crime organizado. Esses por sua vez alimentam essa política medíocre que está destruindo o país.

A situação do Rio de Janeiro é calamitosa sob todos os aspectos, pois tanto o estado como o município faliram e têm sido administrados por pessoas despreparadas cujas políticas são na essência “não contrariar os deuses”.

Com isso, governar se resume a recolher impostos e impor à sociedade valores absolutamente deturpados, que ferem não apenas direitos, mas agridem a sociedade até com imposição de uma cultura moralmente decadente.

Pichar cidades e propriedade alheia virou arte. Músicas que fazem apologia ao crime ou atentam contra bons costumes são tocadas em rádios, shows e aniversários como se fossem inocentes cantigas infantis.

O país vive uma decadência total com todos os valores sendo subvertidos. Estamos sofrendo uma barbarização que está se infiltrando em todos os segmentos sociais. 

Esse terror que vivemos no Rio é um exemplo que se repete em outras capitais com o governo federal fomentando e orquestrando o caos através de políticas populistas e alianças espúrias que só visam interesses pessoais e o esbulhe da Nação.

O Brasil atual é resultado de toda essa tragédia que nos tem sido imposta e nos levou a um mergulho profundo em intermináveis e sucessivas crises, com corrupção, desmandos e desrespeito do cidadão pelo Estado. A Constituição virou uma peça de ficção sem qualquer valor.

Reestabelecer a ordem pública e resgatar a cidade e o país do domínio crime organizado ainda é possível. Basta antes de mais nada vontade política para que se implante uma verdadeira política de segurança pública.

Há que haver uma reação popular e mudança radical, ou estaremos negando um futuro digno às próximas gerações.

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