10/10/08 – Eleições, perdas e ganhos III – balanço polÃtico.
Brasil, Corrupção, Ensino Público, Opinião, PolÃtica
O primeiro turno das eleições definiu a situação polÃtica da grande maioria dos municÃpios que compõem a federação.
Ao todo, segundo o Tribunal Superior Eleitoral - TSE, foram apurados 128.802.321 votos em 371.874 seções eleitorais, distribuÃdas em 5563 municÃpios.
Ainda segundo o TSE, até 09/10/08 apenas Fernando de Noronha e BrasÃlia DF não haviam totalizado a votação.
Haverá segundo turno em pelo menos 29 municÃpios, sendo 11 capitais.
A tabela 1 mostra a quantidade de candidatos que concorreram por cada partido ao cargo de prefeito e os efetivamente eleitos. Também estão na tabela à quantidade de votos por partido e a eventual possibilidade dos partidos elegerem um prefeito no 2o turno.
Tabela 1
A comparação com o primeiro turno das eleições de 2004 mostra que os partidos que mais cresceram na conquista de prefeituras foram o PMDB, PT e o PSB. Os que mais perderam prefeituras foram o DEM, o PPS e o PSDB.
O crescimento do PT se deu particularmente na Região Norte.
Apesar desse crescimento, essa eleição mostrou que Lula não consegue transferir sua suposta popularidade de 70% ou 80% de aprovação para seus candidatos. Só esse fato isolado já pode ser considerado uma vitória para o paÃs.
O Partido dos Trabalhadores perdeu as eleições em capitais importantes o que não só enfraquece a esquerda, mas principalmente as pretensões de Lula.
A tabela 2 mostra o resultado das eleições nas capitais dos estados.
Tabela 2
Ao todo o Partido dos Trabalhadores - PT conseguiu eleger prefeitos em seis capitais, entre elas dois importantes colégios eleitorais como Fortaleza e Recife.
Tecnicamente o PT ainda pode eleger prefeitos no segundo turno em São Paulo, Salvador e Florianópolis.
De acordo com as pesquisas e os resultados do primeiro turno, tudo indica que a disputa ficará restritra a Salvador. Em São Paulo e Florianópolis as chances dos candidatos do PT parecem reduzidas.
Com o resultado dessas eleições, o projeto de poder do PT de se perpetuar no governo esta ruindo.
Um eventual terceiro mandato de Lula com amplo apoio popular respaldado num plebiscito para uma emenda constitucional parece não ser viável. Fazer um sucessor está cada vez mais difÃcil, visto que os candidatos que Lula tentou construir ou se envolveram em escândalos, ou são inexpressivos.
As apostas mais recentes de Lula estão se mostrando um fracasso. Dilma Rousseff nada tem a oferecer além de escândalos e um passado de terrorista. Sua popularidade é baixa apesar do esforço de marketing de Lula, tentando promovê-la como mãe do PAC. Como o PAC se mostrou um Programa de Aceleração da Corrupção, virou um filho bastardo que Dilma rejeita, não lhe sobrando grandes realizações além dos dossiês apócrifos e outras lambanças.
Marta Suplicy, graças a sua atuação mediocre e debochada, não conseguiu se eleger prefeita em São Paulo no primeiro turno. Está disputando um segundo turno, aparentemente em grande desvantagem com Gilberto Kassab.
Lula emprestou sua imagem, gravou programas eleitorais para correligionários e apoiou muitos deles explicitamente. Sua suposta popularidade parece não ser um legado que possa ser transferido.
Talvez Lula não seja tão popular quanto as pesquisas indicam. As eleições de 2008 evidenciaram que pesquisas não são confiáveis e lançaram suspeitas até sobre a idoneidade do processo.
Outro aspecto que chamou atenção nas eleições foi a reeleição de 3 dos 4 "mensaleiros" que se candidataram e de Severino Cavalcanti, ex-presidente da Câmara Federal que renunciou em meio ao escandalo do chamado "mensalinho" que o envolvia diretamente pelo recebimento de propina.
Como se pode perceber, o povo tem meméoria curta.
Anderson Aduto (PMDB)- mensaleiro eleito
O atual prefeito de Uberaba (MG), Anderson Adauto (PMDB), ex-ministro dos Transportes de Lula, foi denunciado pela Procuradoria Geral da República em 30 de Março de 2006. É réu no processo que corre no STF. Contudo, se reeleger neste domingo com 54,80% dos votos válidos.
José Borba (PP) - mensaleiro eleito
O ex-deputado José Borba (PP) foi eleito neste domingo prefeito de Jandaia do Sul, no interior do Paraná, com 5.516 votos. Borba, ex-lÃder do PMDB na Câmara, renunciou ao mandato parlamentar em 2005 para não ser cassado após ser acusado de envolvimento no escândalo do mensalão.
Professor Luizinho (PT) - mensaleiro não eleito
O ex-deputado Professor Luizinho (PT) tentou se eleger vereador em Santo André - SP. Obteve 2450 votos que foram insuficientes para sua reeleição.
Severino Cavalcanti (PP) - eleito
Ex-presidente da Câmara Federal o ex-deputado Severino Cavalcanti (PP) renunciou ao mandato após ter sido provado que recebia propina mensal de R$ 10 mil do dono de um restaurante da Câmara. Este o acusou de cobrar-lhe a mensalidade sob a ameaça de fechar o restaurante. Servrino Cavalcanti se elegeu prefeito na cidade de João Alfredo, em Pernambuco, com 8.632 votos.
Contudo, apesar da amnésia coletiva que parece ser uma epidemia a atacar o povo no perÃodo de eleições,  há aspectos que talvez possam ser interpretados como uma evolução do eleitor brasileiro.
 No Rio de Janeiro onde César Maia (DEM) fez uma péssima administração, sua candidata Solange Amaral teve uma votação tão inexpressiva que chega a ser margem de erro.
Outro aspecto digno de menção é o fato do patrimônio eleitoral já não ser uma riqueza tão fácil de ser transferida, como o foi até há algumas décadas. Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM) que era tido como favorito em Salvador, perdeu a eleição e não consegui nem chegar ao segundo turno.
Talvez às conclusões mais importes acerca dessas eleições sejam que elas representam uma derrota para o projeto de poder da esquerda e que Lula não tem o Toque de Midas que transforma os candidatos que apóia em eleitos.
Diante dessa conclusão, é importante avaliar com muito cuidado a hipótese de Lula e da esquerda, que já provaram por todos os meios desconhecerem limites, ética e moralidade na administração pública, tentarem seguir aqui os exemplos da BolÃvia, Venezuela e Equador.
O golpe vem sendo tramado. Vez por outra o paÃs é testado com projetos que visam mudar as regras da democracia para viabilizar um terceiro mandato. Â
Além disso, através de manobras polÃticas, os sindicatos estão sendo entupidos de dinheiro que poderá ser utilizado livre de qualquer controle. Como se não bastasse, os braços revolucionários da esquerda como o Movimento dos Trabalhadores sem Terra e congêneres estão sendo financiados e apoiados para que ganhem massa, força e meios.
Por outro lado, as Forças Armadas estão sendo desmontadas e o Estado está sendo aparelhado.
A mÃdia está corrompida ou infiltrada pela esquerda, pois  tem omitidos acontecimentos importantes e dado pouco destaque a fatos que, pela gravidade, já poderiam ter levado o presidente a um "impeachment".
O sistema de ensino público fundamental e médio foi transformado em departamento de propaganda governamental, pois tem adotado livros que reescrevem a história do Brasil e nada mais são que peças publicitárias polÃtico partidárias.
Com o resultado dessas eleições é certo que o assunto terceiro mandato se tornará cada vez mais freqüente, amplamente respaldado por pesquisas e discursos.
Se a oposição não exercer seu papel, a idéia vingará e o paÃs será lançado rumo a um futuro incerto, podendo passar pela experiência atualmente vivida pela BolÃvia, Venezuela e pelo Equador.
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